COLEÇÃO HITCHCOCK: PARTE 2 - FASE AMERICANA (O INÍCIO)
Direção: Alfred Hitchcock
Distribuidora: Universal / Warner / Paramount
Região: 4
 

Comentários de
Luiz Felipe do Vale Tavares

Terminadas as filmagens de A Estalagem Maldita, Hitchcock foi para os EUA, contratado pelo produtor David. O. Selznick para dirigir algumas produções. Hitchcock se estabeleceu permanentemente na América para realizar seus filmes, apenas retornando para a Inglaterra para rodar Frenesi, décadas depois.


Rebecca, A Mulher Inesquecível (Rebecca, 1940) - Uma jovem (Joan Fontaine) se casa com um viúvo (Lawrence Olivier), mas este último vive atormentado pelas lembranças de sua falecida esposa, Rebecca. Ao se mudar para a sua mansão, a jovem percebe que até mesmo a governanta demonstra obsessão pela falecida Rebecca, em uma espécie de adoração. Mas qual é o segredo da vida e da morte de Rebecca? Rebecca foi o primeiro filme que Hitchcock dirigiu nos EUA. Contratado pelo produtor David O. Selznick, devido ao sucesso de Dama Oculta, Hitchcock teve pouca liberdade para trabalhar sobre o material do roteiro, não sendo, conseqüentemente, um puro filme "hitchcockiano". Entretanto, a direção é excelente, como se espera de Hitchcock. Interessante notar que, sendo uma produção americana, Rebecca mais se assemelha a um filme europeu; não por menos, temos um diretor inglês, atores ingleses, ambientação inglesa e um tom gótico que predomina pelos 130 minutos de filme. Lançado pela Continental, o filme é apresentado em tela-cheia na proporção de 1.33:1. Apresenta boa imagem, bem definida e com bom contraste. O som é de boa qualidade também.


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Correspondente Estrangeiro (Foreign Correspondent, 1940) - Filme bacana mas nada extraordinário, servindo pelo menos como um bom passatempo. Trata-se de um filme simples de espionagem, porém com algumas cenas impressionantes, como a avenida dos moinhos e a queda do avião em alto-mar. O filme é apresentado em tela-cheia na proporção de 1.33:1. A imagem é pior do que VHS gravado em SLP, que deve ter sido a cópia utilizada pela Continental para produzir esse DVD. A resolução é baixíssima, a definição é péssima e a imagem está mais para esverdeada do que branco e preto. O som está cheio de ruídos e se distorce em várias cenas.
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Sabotador (Sabotage, 1942) - Este é o primeiro título de uma série de Hitchcock lançada pela Universal, que consiste de 12 DVDs (Sabotador, A Sombra de uma Dúvida, Festim Diabólico, Janela Indiscreta, O Terceiro Tiro, O Homem que Sabia Demais, Os Pássaros, Marnie, Cortina Rasgada, Topázio, Frenesi e Trama Macabra). Psicose e Um Corpo que Cai já tinham sido lançados no Brasil pela Columbia e foram recentemente relançados pela Universal. Ao contrário das edições americanas, a Universal resolveu preparar para o mercado internacional um formato padronizado para essa série, ou seja, todos os menus são praticamente iguais e com a mesma música; apenas as fotos do filme que compõem o menu se tornam um diferencial. Chega a ser irritante a falta de bom gosto e de cuidado por parte da Universal. Até mesmo a autoração desses DVDs deixa a desejar. Por exemplo, ao inserir o DVD no aparelho surgem as advertências dos direitos autorais em várias línguas, o que demora um pouco; em seguida entra a tela de escolha do idioma do disco; após selecionar o idioma vamos para uma nova série de advertências sobre os direitos autorais, o que é completamente desnecessário e irritante. Por outro lado, o conteúdo dos DVDs é excelente. Os filmes são apresentados, via de regra, com ótima imagem e som, além de virem acompanhados de excelentes extras, com enormes documentários que deixarão os fãs mais do que alegres. Sabotador é um típico filme de Hitchcock, onde um inocente é acusado de um incêndio criminoso em uma fábrica e se vê envolvido em uma trama de conspiração. É um bom passatempo, mas nenhuma obra prima. O destaque fica por conta da ótima cena final no topo da Estátua da Liberdade. O filme é apresentado em tela-cheia na proporção de 1.33:1. A imagem está muito granulada, mas com boa definição e contraste. O som é o original em mono e está em boas condições. Os extras desse pacote já compensam o preço do DVD, contendo um excelente documentário sobre a produção, 45 fotografias da produção e o trailer original de cinema.
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A Sombra de uma Dúvida (Shadow of a Doubt, 1943) - Considerado como o filme favorito de Hitchcock, narra a história de uma jovem que desconfia que seu tio misterioso é um procurado assassino de mulheres viúvas. É um grande filme que prende a atenção do começo ao fim. O destaque fica por conta de Joseph Cotten, excelente como sempre, interpretando o vilão pela primeira vez em sua carreira. Hitchcock sabia perfeitamente que um ótimo vilão sempre enriquece os filmes, por isso A Sombra de Uma Dúvida e Interlúdio estão entre os melhores do diretor. Lançado pela Universal, o filme é apresentado em tela-cheia na proporção de 1.33:1. A qualidade da imagem é boa, mas há muita granulação e falta de nitidez em algumas passagens. O som é apresentado no original em mono e está em más condições, pois distorce constantemente sempre que há um aumento de volume no próprio filme. Os extras são excelentes, apresentando um ótimo documentário de 45 minutos, dezenas de fotos raras da produção e o trailer original de cinema.
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Quando Fala o Coração (Spellbound, 1945) - É um bom de Hitchcock, embora irregular. Há grandes furos no roteiro, mas a participação dos astros Gregory Peck e Ingrid Bergman já valem o filme. Peck faz o papel de um homem com problemas mentais, que pode ou não ser um assassino procurado pela polícia, e Ingrid faz o papel da médica que procura ajudá-lo. O filme é famoso principalmente por causa da memorável seqüência do sonho elaborado por Salvador Dali. Lançado pela Continental, o filme é apresentado em tela-cheia na proporção de 1.33:1. Apresenta imagem razoável, embora haja excesso de artefatos de compressão visíveis e muito "noise", o que leva a crer que usaram uma cópia analógica para a masterização desse DVD.
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Interlúdio (Notorious, 1946) - Considerado como um dos melhores filmes de Hitchcock, conta a história de uma jovem cujo pai é condenado por atos de traição contra os EUA. Cary Grant é o agente especial que usa Ingrid para localizar comparsas de seu pai que se escondem no Rio de Janeiro. Como é de se esperar, os personagens de Bergman e Grant se apaixonam. As coisas se complicam quando Bergman é obrigada a se casar com um dos líderes dos traidores, interpretado pelo fantástico Claude Rains, para obter informações que forneçam à polícia provas que incriminem os traidores. O filme não começa tão bem, pois o início do romance entre Bergman e Grant parece por demais forçado e há uma certa falta de química entre os atores, principalmente porque o personagem de Grant se mantém por demais frio e distante. Porém melhora muito a partir do encontro de Bergman com Claude Rains, e o tom do filme muda para um suspense de primeira linha. Lançado pela Continental, o filme é apresentado em tela-cheia na proporção de 1.33:1. A imagem é razoável, assim como o som. Não há extras além de uma breve biografia e filmografia de Hitchcock.
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Agonia de Amor (The Paradine Case, 1947) - Um filme inferior de Hitchcock, mas não menos interessante em certos aspectos. Gregory Peck é o advogado que se apaixona por sua cliente acusada de matar o marido. O filme se resume às investigações de Peck para conseguir a absolvição de sua cliente e os efeitos negativos que o romance repercute em seu casamento. Um dos poucos méritos do filme reside na participação dos sempre excelentes Peck e Charles Laughton, que interpreta o juiz da causa. Lançado pela Continental, o filme é apresentado em tela-cheia na proporção de 1.33:1. A imagem é razoável, assim como o som. Não há extras além de uma breve biografia e filmografia de Hitchcock.
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Em seu próximo filme, Festim Diabólico, Hitchcock deu início às suas próprias produções, obtendo controle máximo sobre suas obras e se consolidando como um dos mais importantes diretores da Sétima Arte. O próximo texto tratará sobre os grandes filmes de Hitchcock, como Janela Indiscreta, Ladrão de Casaca, Um Corpo que Cai, etc.

COLEÇÃO HITCHCOCK: PARTE 1 - FASE INGLESA
COLEÇÃO HITCHCOCK:
PARTE 3 - FASE AMERICANA (A CONSOLIDAÇÃO DE UM GRANDE DIRETOR)
COLEÇÃO HITCHCOCK: PARTE 4 - UM BREVE DECLÍNIO E A VOLTA TRIUNFANTE

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