COLEÇÃO INDIANA JONES
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Harrison Ford, Denholm Elliot, Karen Allen,
John Rhys-Davies, Kate Capshaw, Sean Connery, etc.
Distribuidora: Paramount
Região: 4

Ano: 2003
Nº de discos: 4

Comentários de
Jorge Saldanha

Os Filmes
Desde a chegada do DVD, entre os filmes mais solicitados para que fossem lançados no formato estavam os da trilogia original de Star Wars e as três aventuras do arqueólogo aventureiro Indiana Jones, franquias de George Lucas que ajudaram a transformar radicalmente o cinema de entretenimento norte-americano. Lucas, que de burro não tem nada, adiou o que pôde o lançamento de seus maiores sucessos em DVD, de modo a gerar uma demanda sem precedentes (os filmes originais de Star Wars estão previstos somente para 2005, depois do lançamento do capítulo final da nova trilogia). Quando, no início de 2003, Lucas anunciou que a trilogia Indiana Jones finalmente seria lançada mundialmente no formato digital, houve o imediato consenso de que este seria um dos maiores lançamentos do gênero. Mesmo no exterior, onde estes filmes haviam sido disponibilizados em laserdisc com formato de tela letterbox, a expectativa era grande graças à superior qualidade de som e imagem do DVD, e dos extras que seriam vistos pela primeira vez. Para nós brasileiros, a importância deste box é muito maior, já que por muitos anos as únicas cópias disponíveis destes filmes foram os toscos VHS lançados pela finada CIC Vídeo nos anos 80. Pois bem, este lançamento que Lucas e a Paramount colocaram no mercado mundial no final de outubro de 2003 é capaz de contentar qualquer cinéfilo, apesar de os filmes não poderem ser adquiridos individualmente. O box-set possui três discos contendo cópias remasterizadas digitalmente dos três respectivos filmes, mais um disco dedicado exclusivamente aos extras recentemente produzidos pela Lucasfilm e o associado de Steven Spielberg, Laurent Bouzereau (que já fez excelentes trabalhos similares em DVDs como Tubarão e Contatos Imediatos do Terceiro Grau). Mesmo que dificilmente haja alguém neste planeta que ainda não tenha assistido a estes filmes no cinema, TV ou vídeo, farei alguns comentários breves sobre cada um, apenas para refrescar a memória:

Caçadores da Arca Perdida (Raiders of the Lost Ark, 115 min., 1981) - Depois dos estrondosos sucessos de Star Wars e Contatos Imediatos do Terceiro Grau, Lucas convidou Spielberg para dirigir uma nova série de filmes protagonizada por um arqueólogo que percorria o mundo em busca de artefatos com poderes sobrenaturais ou paranormais. Spielberg, que à época queria dirigir um filme de James Bond, topou na hora, e o resto é história. Caçadores da Arca Perdida (que, apesar de no box ter sido rebatizado como "Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida", mantém nos créditos seu título original) custou a bagatela de U$ 20 milhões, estreou em 1981 e, com sua proposta de transportar para os dias atuais as aventuras dos antigos seriados dos anos 30 e 40, foi um sucesso esmagador. Roteirizado por Lawrence Kasdan (baseado numa história de George Lucas e Philip Kaufman) e ambientado em 1936, nele acompanhamos a busca de Indy (Harrison Ford), o arqueólogo cujas marcas registradas são o chapéu e o chicote, pela mítica Arca que originalmente continha os 10 Mandamentos e que conferiria poderes divinos a quem a possuísse. Por tal razão a Arca também é disputada pelos nazistas, que encarregaram um arqueólogo francês rival de Indy, Belloq (Paul Freeman), de encontrar a relíquia. Para complicar a vida do herói, uma ex-namorada, a durona Marion (Karen Allen) resolve acompanhar Indy na aventura. Apresentando cenas de ação que já entraram para a história do cinema, um excepcional score de John Williams (além da célebre "Raiders March", o maestro compôs um dos mais belos temas de sua carreira, o da Arca, que pode ser conferido no CD da trilha em composições como "Map Room: Dawn" e "The Miracle of the Ark"), Harrison Ford no papel que marcaria sua carreira, Karen Allen como a melhor namorada de Indy e com Spielberg dirigindo no ápice de seu talento, Caçadores ainda hoje diverte e empolga, demonstrando ser um verdadeiro clássico da aventura e de longe o melhor filme da série. Detalhe: este é o único filme da trilogia que teve uma cena digitalmente alterada para o DVD. Na cena onde Indy, no "Poço das Almas", fica face a face com uma naja, os reflexos no vidro que separavam Harrison Ford da cobra, que originalmente eram claramente perceptíveis, foram totalmente removidos com o uso do computador.
Cotação: Filme:

Indiana Jones e o Templo da Perdição (Indiana Jones and the Temple of Doom, 118 min., 1984) - Para a primeira continuação de Caçadores, Lucas e Spielberg resolveram alterar um pouco sua receita: o filme é uma prequel que desenrola-se um ano antes da busca pela Arca da Aliança; além disso, produziram uma aventura mais sombria e violenta, apesar de apresentar, desta vez, crianças em papéis relevantes (dada a controvérsia criada, Spielberg conseguiu introduzir uma nova faixa etária na censura americana, a hoje conhecida "PG-13"). O roteiro de Willard Huyck e Gloria Katz é inferior ao de Caçadores, e mostra Indy (Ford), o garoto Short Round (Ke Hui Kwan) e a namorada da hora, a cantora Willie Scott (Kate Capshaw) nas florestas da Índia, onde descobrem um antigo culto que busca as pedras místicas de Sankara, rapta crianças dos vilarejos e sacrifica pessoas em um templo secreto. Apesar de ter cenas de ação e momentos de comédia que garantem muita diversão, o Templo da Perdição é incontestavelmente o filme mais fraco da trilogia, fato admitido pelo próprio Spielberg. Como já citado acima, os problemas iniciam no roteiro mais fraco, e seguem pelo elenco secundário, cujos atores não conseguem compensar as limitações com que os personagens foram escritos. Quem mais sofre é Kate Capshaw - comparar sua dondoca Willie Scott com a Marion Ravenwood (Karen Allen) de Caçadores chega a ser covardia. Ainda assim o terço final do filme é uma montanha-russa de ação, e a partitura de John Williams, se não é tão boa quanto a do filme original, certamente é variada e inspirada: preste atenção nos temas criados para o romance de Indy e Willie, o garoto Short Round, a jornada dos heróis pela selva indiana, a cerimônia profana no Templo e a cena da perseguição da mina, todos memoráveis.
Cotação: Filme:

Indiana Jones e a Última Cruzada (Indiana Jones and the Last Crusade, 126 min., 1989) - Lucas e Spielberg levaram mais tempo para realizar o filme que encerraria a trilogia inicialmente planejada, certamente para garantir que os problemas de O Templo da Perdição não mais se repetissem. A Última Cruzada chegou somente em 1989, mantendo uma estrutura bem similar à de Caçadores: os nazistas novamente são os vilões, e o objeto cobiçado é, mais uma vez, um artefato judaico/cristão (o Cálice Sagrado). Ainda assim, o filme apresenta suas inovações. Na seqüência inicial assistimos a uma aventura de Indy ainda adolescente (River Phoenix), que além de mostrar a origem das características do personagem (sua fobia a cobras, o chapéu, o uso do chicote, a cicatriz no queixo), introduz o mote do filme - Indy e seu pai nunca se entenderam. Como resultado temos o filme mais sofisticado da série, cuja trama é enriquecida pelo reencontro de Indy (Ford) com seu pai, o Dr. Henry Jones (Sean Connery), cuja vida foi dedicada a encontrar o Cálice e que havia desaparecido durante sua busca. A impecável interpretação de Connery como o Jones pai ajuda a dar ao filme o calor humano único que possui. A interação dele com Ford é perfeita, autêntica, e a química que se estabeleceu entre os dois é mais do que evidente. Um tempero especial é adicionado pelo fato de que tanto pai como filho conheceram, no sentido "bíblico", a heroína/vilã Elsa Schneider (Alison Doody). John Rhys-Davies (Sallah) e Denholm Elliott (Brody) reprisam seus papéis de Caçadores, o que ajuda a nos dar aquele sentimento de que, desta vez, realmente estamos assistindo a um bom filme de Indiana Jones. O score de William mais uma vez é um destaque, e apesar de não possuir a originalidade de Caçadores e a variedade de O Templo da Perdição, ainda é um ótimo trabalho - basta conferir os temas para o relacionamento de Indy com seu pai, e o dedicado ao Cálice Sagrado.
Cotação: Filme:

Os DVDs
A qualidade técnica destes DVDs é assombrosa, se considerarmos que falamos de produções da década de 80. Cada filme foi restaurado e limpo digitalmente quadro a quadro, o que significa a virtual inexistência de riscos, sujeiras ou qualquer defeito típico de películas dessa época. Apenas em Caçadores da Arca Perdida é perceptível certe granulação em determinadas cenas mais escuras, mas nada que comprometa. E graças à decisão da Paramount em incluir todos os extras no quarto disco, cada filme foi transferido para DVD com a menor taxa de compressão possível, e o resultado é simplesmente soberbo. A imagem widescreen na proporção 2.35 (otimizada para televisores 16:9) é excepcional, com excelentes definição e contraste, bem como cores límpidas e brilhantes, tudo nos dando a impressão de que os filmes foram feitos ontem. As faixas de áudio Dolby Digital 5.1, apesar de em alguns momentos deixarem a desejar no quesito espacialidade, são amplamente superiores às originais Dolby Stereo, e fazem um bom e constante uso do sub-woofer. De se lamentar, apenas, que ainda não foi desta vez que Lucas decidiu incluir faixas de áudio DTS em seus DVDs - apesar de que isso certamente acarretaria o aumento da compressão do vídeo, prejudicando assim a qualidade da imagem. Cada filme também apresenta a dublagem em português mono, e uma faixa de áudio Dolby Surround em espanhol. De um modo geral a apresentação destes filmes atende, com sobra, às exigências da certificação THX que ostentam.
Cotações: Imagem
: ; Som:

Os Extras
O DVD de material suplementar traz aproximadamente três horas de extras, todos legendados em português e com imagem no formato 4:3, menos os trailers que são em 16:9 anamórfico e não apresentam legendas. Vamos a eles:

Indiana Jones: Desenvolvendo a Trilogia (127 minutos): Documentário  especialmente produzido por Laurent Bouzereau para este lançamento. Cada filme possui seu segmento (com 51, 41 e 35 minutos de duração, respectivamente), que podem ser assistidos em seqüência ou isoladamente, apresentando novas entrevistas de Lucas, Spielberg, Ford, Kasdan, Connery, Paul Freeman, Alfred Molina, Karen Allen, Kate Capshaw, e a maior parte dos envolvidos na série (mesmo os já falecidos Denholm Elliott e River Phoenix aparecem, em depoimentos gravados à época das filmagens). Também são mostrados testes de atores nunca vistos, como os de Tom Selleck para Indy (com Sean Young interpretando Marion) e Karen Allen para Marion (com Tim Matheson como Indy), cenas de bastidores, escolha de locações, a polêmica sobre a censura de O Templo da Perdição, e muito mais. Indiscutivelmente é o melhor extra do pacote.

Os Dublês de Indiana Jones (11 minutos): Mostra como foram feitas as elaboradas e arriscadas cenas de ação envolvendo os dublês.

O Som de Indiana Jones (13 minutos): O engenheiro de som Ben Burtt, o mesmo que criou os sons de Star Wars e Jurassic Park, nos mostra como foram produzidos os efeitos sonoros e a edição do som da trilogia, trabalho que valeu a Burtt um Oscar.

A Música de Indiana Jones (12 minutos): Extra essencial para qualquer scoretracker, onde John Williams fala sobre a música da série e a concepção de seus vários temas. Assistimos a raras cenas de sessões de gravação, enquanto Spielberg explica como o maestro Williams acabou combinando o que eram, originalmente, dois temas separados para Caçadores, o que resultou naquele que hoje é o nosso conhecido tema de Indiana Jones. Spielberg também elogia o score de O Templo da Perdição por suprir o filme em seus diferentes níveis, e o tratamento mais intimista dado pelo compositor à música de A Última Cruzada.

A Luz e a Magia de Indiana Jones (12 minutos): Mostra como Dennis Muren e os técnicos da Industrial Light & Magic, de Lucas, produziram os efeitos especiais dos três filmes, antes do advento da computação gráfica.

Trailers: Trailers e teasers em formato widescreen anamórfico: Os Caçadores da Arca Perdida (teaser, trailer de cinema e trailer de relançamento), O Templo da Perdição (trailer de cinema) e A Última Cruzada (trailer de cinema e teaser).

Indiana Jones e a Tumba do Imperador: apesar de ser chamado de "demo", na verdade é um trailer do novo game de Indiana Jones.

DVD-ROM Web Links: Com o disco no drive de DVD do computador, é possível acessar uma seção exclusiva do site de Indiana Jones, com detalhes sobre a produção de Indiana Jones 4, que deverá ser lançado em 2005. 

Créditos do DVD: créditos da produção do DVD.

Bem, nada mais a comentar, exceto que todos estes anos de espera valeram a pena. Nosso aventureiro preferido do cinema chegou ao DVD em grande estilo. Agora, mais uma vez poderemos viajar para lugares remotos e enfrentar vilões, nazistas, milhares de cobras venenosas, insetos, ratos e mesmo as garotas de Indy - só que, desta vez, com qualidade de som e imagem excepcionais.

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