Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (Edição Especial)
Direção: Steven Spielberg
Elenco:
Harrison Ford, Cate Blanchett, Karen Allen, Shia LaBeouf, Ray Winstone, John Hurt, Jim Broadbent
Distribuidora: Paramount
Duração: 164 min.

Região: 4

Lançamento: 03/10/2008

Nº de discos: 2
Cotações:
Filme
DVD

Comentários de
Jorge Saldanha

SINOPSE
Em 1957 o arqueólogo Indiana Jones (Harrison Ford) vive sozinho, ainda sofrendo com as mortes de seu pai Henry e do seu colega Marcus Brody. Mas sua rotina é quebrada por soldados russos liderados pela psíquica Irina Spalko (Cate Blanchett), que querem que Indy descubra a localização de uma misteriosa caveira de cristal, usando pistas deixadas por seu velho amigo e colega Oxley (John Hurt). Ajudando Indy está Mutt Williams (Shia LaBeouf), um jovem rebelde filho de seu antigo amor, Marion (Karen Allen). Na América do Sul a dupla encontra Marion e Oxley, e logo o grupo deve escapar da perseguição de Spalko, enquanto Indy tenta descobrir o propósito da caveira e evitar que os russos consigam obter seu prêmio no Templo de Akator, o que lhes permitiria dominar o mundo.

COMENTÁRIOS
Em Indiana Jones e a Última Cruzada (1989) vemos Indiana Jones, seu pai e seus amigos Brody e Salla cavalgando rumo ao sol, naquele que seria um final poético e perfeito para as aventuras do arqueólogo aventureiro encarnado por Harrison Ford. Porém alguns anos depois começaram a surgir boatos de que um quarto filme de Indiana Jones poderia sair, e os fãs foram tomados por sensações conflitantes. Afinal, depois de três filmes, talvez fosse mais sensato deixar o herói descansar em glória. Os anos foram passando e as chances de um novo filme diminuindo, conforme as carreiras de Harrison Ford e Steven Spielberg se afastavam cada vez mais da criação de George Lucas. Mas a certo ponto, a partir de 2000, Ford, Spielberg e Lucas começaram a discutir seriamente a possibilidade de uma nova aventura – idéias foram discutidas, roteiros foram rascunhados e descartados, até que finalmente o conceito de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal tomou forma e o projeto entrou nos trilhos.

Mas, como seria de se esperar, a idade de todos os envolvidos, e aí incluo até mesmo os fãs mais velhos, cobrou seu preço. Apesar de todos os esforços, o roteiro sente a falta da mão de Lawrence Kasdan, e como resultado o filme em sua maior parte passa uma sensação de mesmice ou reciclagem. O filme certamente não é a bomba que muitos se apressaram em dizer que era, mas não pude deixar de sair do cinema decepcionado, tendo chegado à conclusão de que Lucas e Spielberg (nesse estilo de filmes pelo menos), já não são os mesmos. Muitos culpam principalmente o roteiro de David Koepp (baseado em história de Lucas) como a principal razão dos problemas, mas e quanto à responsabilidade dos realizadores, que o aprovaram e o filmaram, após terem rejeitado vários outros? Revi Os Caçadores da Arca Perdida, e a minha opinião de que este novo filme é o mais fraco da série (ou pelo menos equivalente a Indiana Jones e O Templo da Perdição, o mais fraco da trilogia original) só aumentou. Antes tudo funcionava, mesmo os efeitos considerados hoje ultrapassados. Contraditoriamente, é um filme feito há 27 anos e muito mais violento do que o novo. Se vê que é um filme onde todos os realizadores se dedicaram com motivação pessoal e artística, não só para faturar. É pipocão sim, mas é pipocão dos bons, que nos deixa alegres e de bom humor após assisti-lo.

O Reino da Caveira de Cristal tem idéias que, se bem exploradas, teriam rendido um filme extraodinário. Se a trilogia original evoca os antigos seriados dos anos 1940, este quarto título busca inspirar-se nos filmes B de ficção científica dos anos 1950, onde a ameaça alienígena é uma metáfora da Guerra Fria, e os russos, sem dúvida, são vilões à altura dos nazistas - Rambo que o diga. Mas a trama se perde em momentos tolos (e neles não vou nem incluir a cena de Indy sobrevivendo a uma explosão nuclear dentro de uma geladeira), e por mais que tentemos relevar pensando “ok, é um filme de Indiana Jones e não deve ser levado a sério”, fica muito difícil aceitar, por exemplo, que soldados e agentes russos, em pleno auge do Mcarthismo e a paranóia anti-comunista, ajam com tanta liberdade em pleno solo norte-americano – e sempre falando inglês com aquele forte sotaque que já virou clichê. Primeiro invadem uma base militar de alta segurança – a afamada Área 51 -, e depois perseguem Indy e Mutt em plena luz do dia, no meio do campus universitário e nas ruas, e ninguém faz nada. Pelo menos, aos 66 anos, Harrison Ford consegue a façanha de ainda ser um Indiana Jones aceitável, e o personagem à la James Dean do jovem em evidência Shia LaBeouf, que a essa altura todos já sabem que é filho de Indy, consegue dar um pouco de ar fresco à trama (no bom sentido!).

Como artefato a ser disputado por heróis e vilões, a caveira de cristal do título (aliás, essas misteriosas caveiras de cristal existem mesmo, e pelo que sei sua origem ainda não foi determinada) não se compara em importância à Arca da Aliança e ao Santo Graal, e isso talvez reflita uma espécie de conformismo dos realizadores em não exceder os filmes originais, aceitando no máximo igualá-los – o problema é que, no final das contas, nem isso chegou a acontecer. Mesmo a trilha sonora de John Williams está longe de brilhar, já que seus melhores momentos acontecem quando ouvimos os temas clássicos da franquia. Para mim o melhor do filme está em seu elenco, que além de Ford e LaBeouf traz Ray Winstone (a voz de Beowulf) como “Mac” McHale, um velho companheiro de aventuras de Indy; John Hurt como o Professor Harold "Ox" Oxley, o intrépido arqueólogo que é amigo pessoal da família Jones; a sempre ótima Cate Blanchett como a coronel Irina Spalko, a psíquica russa claramente inspirada na vilã Rosa Kleb, de Moscou Contra 007; e por fim a sumida (e obviamente também castigada pelos anos) Karen Allen, a inesquecível heroína de Os Caçadores da Arca Perdida que sempre será a preferida dos fãs.

No balanço geral, entre coisas que parecem deslocadas em um filme de Indiana Jones (insetos feitos em CGI, alienígenas e discos voadores), este A Caveira de Cristal serve como uma boa aventura, principalmente se comparada ao monte de porcarias que Hollywood despeja todos os anos. Mas ao chegar a um final muito parecido com o de O Retorno da Múmia – ironicamente uma franquia descaradamente copiada de Indiana Jones – o filme sem dúvida decepciona àqueles que testemunharam os tempos gloriosos da trilogia original.

DVD
Nenhuma surpresa aqui – a Paramount lançou esta edição especial Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal num DVD de extremo capricho, que inicia pela bela luva de papelão metalizado que envolve a embalagem Amaray que traz os dois discos. Quando lançados no formato há alguns anos, os filmes da trilogia original passaram por um cuidadoso trabalho de restauração de áudio e vídeo, e este novo título já chega ao formato digital beneficiado pelas modernas técnicas cinematográficas empregadas em sua realização. Portanto, não há como negar – ele possui uma qualidade de imagem no mínimo equivalente à dos outros títulos da franquia. Apresentado em seu formato original widescreen anamórfico na proporção 2.35:1, o filme, se não traz cores tão vivas e brilhantes como as de seus antecessores (provavelmente devido à praga da filtragem digital das imagens, tão em voga atualmente), tem uma ótima reprodução de cores e alto nível de detalhe, que somente pode ser superado por sua própria versão em Blu-ray. Os níveis de preto são firmes e os tons de pele preservam seu tom natural.

No entanto, no quesito som este quarto título bate com facilidade seus antecessores. A moderna faixa Dolby Digital 5.1 (em inglês e português) é extremamente envolvente, oferecendo impressionantes efeitos direcionais nos momentos de ação. Diálogos e trilha sonora são muito bem separados, sempre soando claros e com fidelidade. Os graves são robustos, e imagino como esta mixagem soaria na faixa lossless de alta definição do Blu-ray. As legendas estão disponíveis em português e inglês.

EXTRAS
A edição especial dupla de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal traz uma quantidade significativa de extras. Todos os documentários, apresentados em vídeo anamórfico, áudio original em inglês 2.0 e com legendas em português, foram produzidos, escritos e dirigidos por Laurent Bouzereau, que há anos realiza esta função para os filmes e DVDs de Steven Spielberg. Alguns lamentarão a ausência de comentários em áudio da dupla Lucas-Spielberg, porém ambos são uma presença constante nos demais extras. Em relação ao DVD norte-americano, perdemos o demo do jogo para XBox 360 “Lego Indiana Jones”.

Disco1

  • O Retorno de Uma Lenda (17:37) – Iniciando os ótimos documentários de Bouzereau, este retrata a jornada de Indiana Jones de volta às telas, o que aconteceu 19 anos depois de Indiana Jones e a Última Cruzada. Spielberg, Lucas, Ford e o roteirista David Koepp falam sobre o processo de desenvolvimento iniciado em 1994, que envolveu várias idéias e mesmo a relutância de Spielberg em voltar à direção, após o encerramento emotivo do filme anterior. É curiosa a ênfase de Spielberg em afirmar que não gostou da idéia de incluir ETs no filme, mas foi convencido por Lucas de que eles não eram extraterrestres, mas sim seres “interdimensionais”. E causa estranheza não ter sido citada a contribuição de Frank Darabont, ocorrida mais ao final;

  • Pré-Produção (11:47) – Este featurette é focado nos preparativos para as filmagens, mostrando os trabalhos de pré-visualização coordenados por Spielberg e a volta de Ford ao icônico personagem, incluindo a recriação de seu figurino feita por Bernie Pollack. A escolha de Shia LeBeouf para o filme e o retorno de Karen Allen como Marion são assuntos também tratados.

Disco 2

  • Diário de Produção: Fazendo O Reino da Caveira de Cristal (80:11) – Sem dúvida a peça de resistência dos extras, este longo making of nos dá uma abrangente visão das filmagens, com óbvios propósitos promocionais (os atores são entrevistados nos sets) mas que consegue capturar o espírito da produção e a tarefa monumental que foi retomar a franquia. Tópicos como locações, cenários, dublês, interpretações, direção, figurino e muitos outros, são abordados com abundantes cenas de bastidores em seis capítulos, que podem ser vistos em conjunto ou isoladamente: “Início das Filmagens: Novo México”, “De Volta à Escola: New Haven, Connecticut”, “Bem-Vindo à Selva: Hilo, Havaí”, “Ação no Set”, “Explorando Akator” e “Encerramento”;

  • Maquiagem dos Guerreiros (5:37) – O featurette revela os esforços feitos para transformar os dublês nos selvagens guardiões do templo. São entrevistados Felicity Bowring e Kelvin R. Trahan, os responsáveis pela área específica;

  • As Caveiras de Cristal (10:13) – Aqui é explorado o mito que serviu de base para o filme, com o elenco e a equipe dando sua opinião sobre a autenticidade das caveiras de cristal, que de fato existem. Após vemos a meticulosa criação das caveiras do filme pela equipe de Stan Winston, que foram feitas de uretano transparente, bem como dos esqueletos completos dos alienígenas, vistos no final. Este segmento é dedicado a Winston, falecido recentemente;

  • Objetos Icônicos (10:04) – Após uma introdução de Spielberg, o chefe de adereços Doug Harlocker nos mostra o depósito que abriga todos os objetos empregados no filme, e nos fala sobre os principais;

  • Os Efeitos de Indy (22:44) – Este documentário é dedicado aos efeitos visuais do filme, e o técnico da ILM Paul Huston fala sobre seu trabalho anterior na franquia, e sua transição dos efeitos físicos para os digitais. São mostrados detalhes dos efeitos CGI, sua combinação com as cenas ao vivo e as filmagens com miniaturas em algumas cenas. Vemos como surgiu o exército de formigas saúvas, os primeiros insetos da franquia a serem criados digitalmente;

  • As Aventuras de Pós-Produção (12:47) – Encerradas as filmagens inicia um longo processo de pós-produção que irá finalizar e dar forma ao filme, e é isto que vemos neste featurette. Inclui depoimentos do veterano editor Michael Kahn e do sound designer Ben Burtt e seu filho Benny. O mestre compositor John Williams fala sobre as decisões criativas tomadas em relação à sua trilha musical – que gerou acaloradas discussões entre seus fãs, já que muitos não a consideraram à altura de suas partituras criadas para a trilogia original;

  • Encerramento: A Equipe Indy (3:45) – Este pequeno featurette é dedicado às pessoas que trabalharam na feitura deste Indiana Jones. É uma espécie de tributo de Spielberg ao espírito de colaboração da sua equipe – tanto à frente como atrás das câmeras;

  • Seqüências de Pré-Visualização (14:10) – Temos aqui a pré-visualização em 3 D de três cenas – “Fuga da Área 51”, “Perseguição na Selva” e “Ataque das Formigas”;

  • Galerias  - Nestas galerias de imagens, temos muitas fotos de bastidores e desenhos de produção, em cinco seções: “O Departamento de Arte (A Aventura Começa; Cemitério e a Selva Akator)”, “Estúdio Stan Winston (Cadáveres, Esqueletos e Múmias e Alienígenas & Caveiras de Cristal)”, “Fotografias da Produção”, “Mais fotos” e “Fotografias dos Bastidores”. O esquema de navegação é o normal, usando-se os direcionais do controle remoto para ver as imagens;

  • Trailers  - Encerrando os extras temos três trailers, com áudio original em inglês sem legendas: “Trailer de Cinema 2” (wide anamórfico, o primeiro teaser divulgado), “Trailer de Cinema 3 (wide anamórfico, o trailer final) e “Indiana Jones: O Maior Herói de Ação” (letterbox, é um comercial dos novos DVDs da trilogia original).

MENUS
Os bonitos menus animados apresentam o mesmo padrão gráfico dos DVDs da trilogia original.

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