CONFLITOS INTERNOS
Direção: Wai Keung Lau and Siu Fai Mak
Elenco:
Andy Lau, Tony Leung Chiu Wai, Anthony Wong Chau-Sang, Eric Tsang, Kelly Chen, Sammi Cheng
Distribuidora: Disney / Buena Vista
Duração: 101 min.
 

Região: 4

Lançamento: 14/11/2005

Nº de discos: 1
Cotações:
Filme
DVD

Comentários de
Jorge Saldanha

O FILME
Yan (Tony Leung) é um policial de Hong Kong que, pelos últimos dez anos, esteve infiltrado nas tríades (a máfia chinesa). Pelo mesmo período, o policial Ming (Andy Lau) construiu uma respeitada carreira na polícia, sem que ninguém suspeitasse que ele é, na verdade, um espião a serviço do chefão Sam (Eric Tsang), um velho inimigo do inspetor Wong (Anthony Wong), única ligação de Yan com a polícia. Em uma batida de repressão ao tráfico de drogas, ambos os lados descobrem a existência dos infiltrados em suas forças, e a partir daí se inicia um jogo de gato e rato em que os dois policiais tentam descobrir a identidade um do outro.

O thriller de Hong Kong
Infernal Affairs (é "Infernal" mesmo, não "Internal") recebeu vários prêmios na Ásia - só no Hong Kong Film Awards de 2003 foi indicado em 16 categorias, tendo vencido em sete, inclusive a de melhor filme. E caso você, após ler a sinopse acima, tenha notado uma grande semelhança com o recentemente Oscarizado Os Infiltrados, saiba que ela não é acidental. Quando estreou nos EUA em setembro de 2004, este Conflitos Internos foi tão aclamado pela crítica que o grande diretor Martin Scorcese resolveu refilmá-lo. Muitos criticaram Scorcese pela falta de criatividade, mas o fato é que a decisão se mostrou acertada, já que por Os Infiltrados o diretor finalmente recebeu seus tão merecidos prêmios de melhor filme e melhor diretor. Contudo, há que se reconhecer – a versão de Scorcese é muito boa, mas o Infernal Affairs original é a ela superior em vários aspectos, a começar pela dupla de atores principais. Andy Lau e Tony Leung conseguem dar uma dimensão humana e complexa a seus personagens, com uma intensidade muitíssimo maior que seus equivalentes ocidentais, Matt Damon e Leonardo DiCaprio. Eles de fato nos convencem de que são pessoas que escapam do estereótipo do “mocinho x vilão”, que questionam os rumos de suas vidas e a validade de conceitos como “lealdade entre a polícia” e “honra entre ladrões”. Além disso, a direção lapidada de Lau e Mak, o roteiro original e inteligente de Mak e Felix Chong e o excelente trabalho do diretor de fotografia Christopher Doyle colocam Conflitos Internos vários degraus acima das produções made in Hong Kong habituais, mesmo que não traga a ação e a pirotecnia típica dos filmes de John Woo e similares. São raros os filmes deste gênero que, com tantas tramóias e reviravoltas, consiga prender a atenção do espectador até atingir um clímax de grande impacto emocional – em grande parte perdido na versão americana, que adotou um caminho mais conservador, ainda que mais sangrento. Por tudo isso, o filme consegue ser um dos melhores thrillers policiais desde o Cães de Aluguel de Tarantino, e merece ser visto. Contudo, há uma coisa em que Conflitos Internos é pior que o equivalente americano - sua trilha sonora incidental, que muitas vezes é exagerada e mal empregada. O filme teve mais duas continuações, ambas de 2003 e realizadas pela mesma dupla de diretores: a primeira se passa antes do encontro entre os infiltrados, e a segunda, dez meses após o final da primeira história. Nenhuma delas foi lançada ainda em DVD por aqui.


O DVD
Conflitos Internos foi distribuído no mercado ocidental pela Miramax, pertencente à Disney / Buena Vista, que escolheu para divulgar o filme uma montagem equivocada – nela, os rostos dos dois astros são separados por uma moça de minissaia segurando um revólver. Esta imagem, usada na capa do DVD, é uma vergonhosa tentativa de aproximar o filme dos policiais baratos produzidos na Ásia. O detalhe é que, em nenhum momento do longa, vemos a tal mulher armada. Na transferência para DVD, o filme manteve seu formato original 2.35:1 anamórfico, mas com uma qualidade de imagem que deixa a desejar. Tanto que, numa tentativa de aumentar a falta de detalhe e nitidez, foi aplicado um filtro que acabou dando um contorno mais forte aos objetos (edge enhancement). O tom das cores e o nível do preto estão adequados, e não há artefatos de compressão. Mesmo assim, dos filmes chineses recentes que assisti em DVD, este é o que possui a pior transferência. Felizmente o áudio é bem melhor, em suas três faixas Dolby Digital 5.1 – cantonês, inglês e português. No entanto recomendo fortemente o áudio original, nem tanto pela qualidade sonora superior às demais, mas sim para evitar os clássicos erros de sincronia que assolam os filmes chineses dublados. Os efeitos surround são discretos mas bem utilizados, assim como o canal do subwoofer. As legendas estão disponíveis em português, inglês e espanhol.

OS EXTRAS
No exterior Infernal Affairs possui uma edição com dois DVDs que traz uma quantidade generosa de extras, e que talvez chegue ao Brasil no rastro da premiação da refilmagem americana. Mas por enquanto, permanecemos com a versão original de um disco, que ainda assim possui alguns bônus interessantes, apesar de oferecerem pouco mais que o básico. Todos eles estão em wide anamórfico ou letterbox, com legendas em português:

  • Making of de Infernal Affairs – Com pouco mais de 15 minutos, é um interessante featurette que descreve os personagens principais e as implicações psicológicas que formam a base da trama; 

  • Arquivo Confidencial: Por trás das Câmeras Featurette de seis minutos, curto mas informativo, mostrando os bastidores da criação do filme, incluindo as celebrações de início e fim das filmagens; 

  • Final Alternativo – Com quase três minutos, é um final que, felizmente, ficou no chão da sala de edição. Quem viu Os Infiltrados notará que Scorcese optou por seguir uma linha similar à deste, onde o “vilão” é punido e parte da essência do filme se perde; 

  • Trailers – Foram incluídos dois trailers, o internacional (2:20min.) e o original chinês (1:46min.).

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