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O
FILME
Yan (Tony Leung) é um policial de Hong Kong que, pelos últimos dez anos,
esteve infiltrado nas tríades (a máfia chinesa). Pelo mesmo período, o
policial Ming (Andy Lau) construiu uma respeitada carreira na polícia,
sem que ninguém suspeitasse que ele é, na verdade, um espião a serviço
do chefão Sam (Eric Tsang), um velho inimigo do inspetor Wong (Anthony
Wong), única ligação de Yan com a polícia. Em uma batida de repressão ao
tráfico de drogas, ambos os lados descobrem a existência dos infiltrados
em suas forças, e a partir daí se inicia um jogo de gato e rato em que
os dois policiais tentam descobrir a identidade um do outro.
O thriller de Hong Kong
Infernal
Affairs
(é "Infernal" mesmo, não "Internal") recebeu vários prêmios na Ásia - só
no Hong Kong Film Awards
de 2003 foi indicado em 16 categorias, tendo vencido em sete, inclusive
a de melhor filme. E caso você, após ler a sinopse acima, tenha notado
uma grande semelhança com o recentemente Oscarizado
Os Infiltrados,
saiba que ela não é acidental. Quando estreou nos EUA em setembro de
2004, este
Conflitos Internos
foi tão aclamado pela crítica que o grande diretor Martin Scorcese
resolveu refilmá-lo. Muitos criticaram Scorcese pela falta de
criatividade, mas o fato é que a decisão se mostrou acertada, já que por
Os Infiltrados
o diretor finalmente recebeu seus tão merecidos prêmios de melhor filme
e melhor diretor. Contudo, há que se reconhecer – a versão de Scorcese é
muito boa, mas o
Infernal Affairs
original é a ela superior em vários aspectos, a começar pela dupla de
atores principais. Andy Lau e Tony Leung conseguem dar uma dimensão
humana e complexa a seus personagens, com uma intensidade muitíssimo
maior que seus equivalentes ocidentais, Matt Damon e Leonardo DiCaprio.
Eles de fato nos convencem de que são pessoas que escapam do estereótipo
do “mocinho x vilão”, que questionam os rumos de suas vidas e a validade
de conceitos como “lealdade entre a polícia” e “honra entre ladrões”.
Além disso, a direção lapidada de Lau e Mak, o roteiro original e
inteligente de Mak e Felix Chong e o excelente trabalho do diretor de
fotografia Christopher Doyle colocam
Conflitos Internos
vários degraus acima das produções
made in Hong Kong
habituais, mesmo que não traga a ação e a pirotecnia típica dos filmes
de John Woo e similares. São raros os filmes deste gênero que, com
tantas tramóias e reviravoltas, consiga prender a atenção do espectador
até atingir um clímax de grande impacto emocional – em grande parte
perdido na versão americana, que adotou um caminho mais conservador,
ainda que mais sangrento. Por tudo isso, o filme consegue ser um dos
melhores thrillers
policiais desde o
Cães de Aluguel
de Tarantino, e merece ser visto. Contudo, há uma coisa em que
Conflitos Internos é pior que o
equivalente americano - sua trilha sonora incidental, que muitas vezes é
exagerada e mal empregada. O filme teve mais duas continuações, ambas de
2003 e realizadas pela mesma dupla de diretores: a primeira se passa
antes do encontro entre os infiltrados, e a segunda, dez meses após o
final da primeira história. Nenhuma delas foi lançada ainda em DVD por
aqui.
O
DVD
Conflitos Internos
foi distribuído no mercado ocidental pela Miramax, pertencente à Disney
/ Buena Vista, que escolheu para divulgar o filme uma montagem
equivocada – nela, os rostos dos dois astros são separados por uma moça
de minissaia segurando um revólver. Esta imagem, usada na capa do DVD, é
uma vergonhosa tentativa de aproximar o filme dos policiais baratos
produzidos na Ásia. O detalhe é que, em nenhum momento do longa, vemos a
tal mulher armada. Na transferência para DVD, o filme manteve seu
formato original 2.35:1 anamórfico, mas com uma qualidade de imagem que
deixa a desejar. Tanto que, numa tentativa de aumentar a falta de
detalhe e nitidez, foi aplicado um filtro que acabou dando um contorno
mais forte aos objetos (edge
enhancement). O tom das cores e o nível do preto estão
adequados, e não há artefatos de compressão. Mesmo assim, dos filmes
chineses recentes que assisti em DVD, este é o que possui a pior
transferência. Felizmente o áudio é bem melhor, em suas três faixas
Dolby Digital 5.1 – cantonês, inglês e português. No entanto recomendo
fortemente o áudio original, nem tanto pela qualidade sonora superior às
demais, mas sim para evitar os clássicos erros de sincronia que assolam
os filmes chineses dublados. Os efeitos
surround são discretos mas
bem utilizados, assim como o canal do
subwoofer. As legendas estão
disponíveis em português, inglês e espanhol.
OS
EXTRAS
No exterior
Infernal Affairs
possui uma edição com dois DVDs que traz uma quantidade generosa de
extras, e que talvez chegue ao Brasil no rastro da premiação da
refilmagem americana. Mas por enquanto, permanecemos com a versão
original de um disco, que ainda assim possui alguns bônus interessantes,
apesar de oferecerem pouco mais que o básico. Todos eles estão em
wide anamórfico ou
letterbox, com legendas em
português:
-
Making of de Infernal Affairs
– Com pouco mais de 15 minutos, é um interessante
featurette que descreve os
personagens principais e as implicações psicológicas que formam a base
da trama;
-
Arquivo Confidencial: Por trás das Câmeras
– Featurette de seis
minutos, curto mas informativo, mostrando os bastidores da criação do
filme, incluindo as celebrações de início e fim das filmagens;
-
Final Alternativo
– Com quase três minutos, é um final que, felizmente, ficou no chão da
sala de edição. Quem viu
Os
Infiltrados
notará que Scorcese optou por seguir uma linha similar à deste, onde o
“vilão” é punido e parte da essência do filme se perde;
-
Trailers
– Foram incluídos dois trailers, o internacional (2:20min.) e o
original chinês (1:46min.).
MENUS
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