JUNO (LOCAÇÃO)
Direção: Jason Reitman
Elenco:
Ellen Page, Michael Cera, Jennifer Garner, Jason Bateman
Distribuidora: Paris Filmes
Duração: 92 min.

Região:
0
Lançamento: 25/06/2008

Nº de discos: 1
Cotações:
Filme
DVD

Por
Carlos Dunham (Comentários), Edinho Pasquale (DVD e Extras)

SINOPSE
Juno MacGuff (Ellen Page) é uma adolescente que engravida de maneira inesperada de seu colega de classe Bleeker (Michael Cera). Com a ajuda de sua melhor amiga, Leah (Olivia Thirlby), e o apoio de seus pais, Juno conhece um casal, Vanessa (Jennifer Garner) e Mark (Jason Bateman), que está disposto a adotar seu filho, que ainda nem nasceu.

COMENTÁRIOS
Quando lançado nos cinemas americanos, ano passado, e nos brasileiros, no início desse ano, JUNO chamou a atenção por ser uma comédia independente, vista por muitos como "um sopro de criatividade" dentre suas congêneres. Também chamou bastante atenção o roteiro original escrito pela estreante Diablo Cody, vencedora, esse ano, do Oscar da categoria. Assistindo-se ao filme, porém, observa-se que JUNO está longe de corresponder a toda a louvação recebida. O filme, na verdade, além de ser bastante modesto (no sentido de fraco) em seu resultado final, tem erros bisonhos de construção, e o pior: não passa de uma elegia da irresponsabilidade que acaba por glamourizar um seriíssimo problema contemporâneo: a gravidez na adolescência.

Em relação à forma com que foi realizado, cada cena de JUNO parece ter sido moldada para glamourizar em detalhes o sentimento da irresponsabilidade. Uma cena é bastante sintomática nesse sentido: em determinado momento da trama, o casal Mark e Vanessa, que irá adotar o bebê que a personagem-título está esperando, decide decorar o quarto da criança. Vanessa escolheu o amarelo como opção para o aposento, e chamou Mark para mostrar duas nuances da cor, já colocadas na parede. Mark observa a pintura com o nariz empinado, braços cruzados sobre o tórax. O personagem estaria agindo com arrogância? Não. Antes estivesse, inclusive. Porque, na verdade, essa postura, sugestivamente de estar desafiando o mundo, em ato tão simples como o de observar as cores da parede de um aposento, é nada mais que o jeito natural de ser do personagem, e, mais ainda, do filme como um todo. Em JUNO, tudo e todos parecem sentir-se bem em desafiar a ordem, em desacatar o que já se encontra estabelecido. Até mesmo assassinar o feto antes de seu nascimento passa pela cabeça da protagonista. Aparentemente, ela só não comete tal gesto porque, graças a Deus, se fizesse isso não haveria trama. Reside aí outro erro da realização, este grave e sugestivamente macabro: é como se o filme não pudesse acabar, mas a criança sim.

Ellen Page, no papel da protagonista, está bem, mas certamente foi bastante exagerada sua indicação ao Oscar de melhor atriz. De qualquer forma, não se encontra na interpretação dos atores e atrizes os erros do filme. JUNO parece ter sido feito para defender a gravidez na adolescência, e (inconscientemente ou não) acaba por incentivar tal prática, principalmente por seu final edulcorado. E com um aspecto que amplia a gravidade de tal postura: o filme anterior do diretor Jason Reitman, OBRIGADO POR FUMAR - uma constrangedora defesa do fumo - já era perigoso desde o seu título. Com JUNO, já seria o caso de se refletir o que o cineasta pretende difundir com suas realizações.

DVD
Um filme bem interessante, principalmente por ser uma produção independente com um roteiro inteligente e que foge dos tradicionais clichês, tem a sua edição em DVD com acertos e erros. A qualidade de imagem é boa, com uma bela coloração (graças ao ótimo trabalho de fotografia do filme), mas com alguma granulação e até compressão aparente, tanto que por vezes parece que falta definição na imagem. O áudio também não ajuda muito, a sua distribuição em 5.1 canais se concentra bastante nos canais dianteiros e central, utilizando pouco dos canais “surround” (traseiros), apenas quando da existência da trilha sonora. O mesmo acontece na boa dublagem. Há ainda a distribuição, em ambos os idiomas, em dois canais, quando dá para se conferir que a diferença não é grande (ou seja, a trilha com 5.1 fica “devendo”). Aliás, quando na dublagem, as canções deveriam ter legendas, pois em vários casos elas complementam o filme.

Já os menus são bem simpáticos, visualmente bem realizados, mas aí vem a “grande confusão”. Primeiro, o patrocínio de uma empresa é exagerado. Além de ser tema de um menu, é apresentado também de forma acintosa no início dos créditos finais do filme. Tudo bem se ter um comercial antes dos menus, mas o exagero foi no mínimo indelicado com o espectador. Mas a maior falha está na divisão dos featurettes, mal colocados em um menu chamado de “Entrevistas”, e chamado de “entrevista” no título quando é um featurette. As imagens abaixo dos menus explicam melhor o fato. São “quase” os mesmos da edição americana, por lá há os testes de elenco, uma trilha em áudio com comentários do diretor e da roteirista, também disponíveis nas cenas excluídas e um featurette chamado “Honest to Blog! Crediting Juno Featurette”. Isso sem comentar que há um segundo disco, onde o filme pode ser “transferido” para outros formatos digitais, como I-pods, sem custos extras. Por outro lado, as “entrevistas” apresentadas por aqui não existem por lá no mesmo formato, afinal, nem há razão delas existirem, pois estão nos documentários, melhor editadas.

No geral, o filme é tão carismático que vale a sua locação. Mesmo porque apesar das “confusões” de onde estão os materiais extras, o tema é interessante e Ellen Page por si só sustenta a qualidade e faça com que você o assista. Ou reveja.

EXTRAS

  • Sinopse – Tela com texto dispensável.

  • Ficha Técnica – Idem.

  • Trailers – Dos filmes “Penelope”, “O Amor Poe Dar Certo”, “Sonhando Alto”, “Lições da Vida” e “Em Busca de um Milagre”.

  • Trailer do Filme

  • Entrevistas – Há uma divisão estranha neste menu. Há entrevistas com boa parte do elenco e alguns featurettes, devidamente produzidos, que não são exatamente “entrevistas”. Os depoimentos são dos atores Ellen Page (em 4 partes, totalizando 2 minutos), Michael Cera (4, 1m42s), Jason Bateman (4, 2m32s), Jennifer Garner (5, 3min), Allisonh Jannet (4, 2m50s), J.K. Simmons (4, 2m48s) e Olivia Thirby (3, 2m11s), além da roteirista Diablo Cody (4, 4m49s). Todos são divididos em pequenos trechos, claramente realizados para um aproveitamento nos featurettes disponíveis. Parece um material “bruto”, claramente sem edição. Aliás, os temas (em inglês) são apresentados no início de cada um, ou seja, são “depoimentos isolados” e não “entrevistas”. O tema mais evidente é a concepção dos personagens, ”como foi bom trabalhar com” e sobre Ellen Page, a grande estrela e motivação do filme. Há ainda os featurettes:
  • Diablo Cody É Totalmente Demais – Um pequeno documentário que aborda o roteiro do filme, como foi o trabalho da escritora e roteirista, na verdade ela tinha um blog erótico e aqui se comenta o talento em se realizar o salto para um roteiro de cinema. Há então uma montagem com algumas das entrevistas anteriores com cenas do filme e de bastidores, comentando sobre o enredo e seus personagens, a reação dos atores quando leram o roteiro pela primeira vez, etc. em 8 minutos e meio.
  • Jason Reitman É o Bom – Seguindo o mesmo modelo, com pouco mais de 8 minutos, desta vez o tema é o trabalho do diretor. Há também boas curiosidades sobre como ele foi o escolhido para realizar o filme e sua interação com Cody, a roteirista, além de informações relevantes, principalmente nas cenas de bastidores.
  • Cenas Deletadas – São 7 cenas, sem os devidos comentários do porquê ficaram de fora. Não é possível assistir a todas de uma só vez, o que totalizaria aproximadamente 13 minutos.
  • Falha Nossa – É o que se chama de “gag reel”, ou seja, um clipe repleto de falhas, das tradicionais risadas e/ou piadinhas fora de hora até os erros repetidos. Há momentos divertidos. Com 5 minutos.
  • Apresentação Animada do Elenco – Uma espécie de videoclipe com o elenco e a equipe técnica “fazendo graça” diante de uma câmera, com tema livre, com uma música devidamente legendada no fundo. Tem 3m13s.
  • Muito Além do Nosso Nível de Maturidade – Um outro featurette com a “observação” do menu de que é uma “entrevista, ou seja, outro erro de autoração (ou de “conceito”). Mostra como o filme lida com a adolescência, principalmente partindo do trio principal de personagens. É bem interessante, reforça o interesse do tema do filme, recheado de depoimentos e cenas de bastidores nos seus 9 minutos.

Todos os extras estão legendados e com áudio em inglês DD 2.0.

MENUS

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