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SINOPSE
Juno MacGuff (Ellen Page) é uma adolescente que engravida de
maneira inesperada de seu colega de classe Bleeker (Michael Cera). Com a
ajuda de sua melhor amiga, Leah (Olivia Thirlby), e o apoio de seus
pais, Juno conhece um casal, Vanessa (Jennifer Garner) e Mark (Jason
Bateman), que está disposto a adotar seu filho, que ainda nem nasceu.
COMENTÁRIOS
Quando lançado nos cinemas americanos, ano
passado, e nos brasileiros, no início desse ano, JUNO chamou a atenção
por ser uma comédia independente, vista por muitos como "um sopro de
criatividade" dentre suas congêneres. Também chamou bastante atenção o
roteiro original escrito pela estreante Diablo Cody, vencedora, esse
ano, do Oscar da categoria. Assistindo-se ao filme, porém, observa-se
que JUNO está longe de corresponder a toda a louvação recebida. O filme,
na verdade, além de ser bastante modesto (no sentido de fraco) em seu
resultado final, tem erros bisonhos de construção, e o pior: não passa
de uma elegia da irresponsabilidade que acaba por glamourizar um
seriíssimo problema contemporâneo: a gravidez na adolescência.
Em relação à forma com que foi realizado, cada cena de JUNO parece ter
sido moldada para glamourizar em detalhes o sentimento da
irresponsabilidade. Uma cena é bastante sintomática nesse sentido: em
determinado momento da trama, o casal Mark e Vanessa, que irá adotar o
bebê que a personagem-título está esperando, decide decorar o quarto da
criança. Vanessa escolheu o amarelo como opção para o aposento, e chamou
Mark para mostrar duas nuances da cor, já colocadas na parede. Mark
observa a pintura com o nariz empinado, braços cruzados sobre o tórax. O
personagem estaria agindo com arrogância? Não. Antes estivesse,
inclusive. Porque, na verdade, essa postura, sugestivamente de estar
desafiando o mundo, em ato tão simples como o de observar as cores da
parede de um aposento, é nada mais que o jeito natural de ser do
personagem, e, mais ainda, do filme como um todo. Em JUNO, tudo e todos
parecem sentir-se bem em desafiar a ordem, em desacatar o que já se
encontra estabelecido. Até mesmo assassinar o feto antes de seu
nascimento passa pela cabeça da protagonista. Aparentemente, ela só não
comete tal gesto porque, graças a Deus, se fizesse isso não haveria
trama. Reside aí outro erro da realização, este grave e sugestivamente
macabro: é como se o filme não pudesse acabar, mas a criança sim.
Ellen Page, no papel da protagonista, está bem, mas certamente foi
bastante exagerada sua indicação ao Oscar de melhor atriz. De qualquer
forma, não se encontra na interpretação dos atores e atrizes os erros do
filme. JUNO parece ter sido feito para defender a gravidez na
adolescência, e (inconscientemente ou não) acaba por incentivar tal
prática, principalmente por seu final edulcorado. E com um aspecto que
amplia a gravidade de tal postura: o filme anterior do diretor Jason
Reitman, OBRIGADO POR FUMAR - uma constrangedora defesa do fumo - já era
perigoso desde o seu título. Com JUNO, já seria o caso de se refletir o
que o cineasta pretende difundir com suas realizações.
DVD
Um filme bem interessante, principalmente por ser uma produção
independente com um roteiro inteligente e que foge dos tradicionais
clichês, tem a sua edição em DVD com acertos e erros. A qualidade de
imagem é boa, com uma bela coloração (graças ao ótimo trabalho de
fotografia do filme), mas com alguma granulação e até compressão
aparente, tanto que por vezes parece que falta definição na imagem. O
áudio também não ajuda muito, a sua distribuição em 5.1 canais se
concentra bastante nos canais dianteiros e central, utilizando pouco dos
canais “surround” (traseiros), apenas quando da existência da trilha
sonora. O mesmo acontece na boa dublagem. Há ainda a distribuição, em
ambos os idiomas, em dois canais, quando dá para se conferir que a
diferença não é grande (ou seja, a trilha com 5.1 fica “devendo”).
Aliás, quando na dublagem, as canções deveriam ter legendas, pois em
vários casos elas complementam o filme.
Já os menus são bem simpáticos, visualmente bem realizados, mas aí vem a
“grande confusão”. Primeiro, o patrocínio de uma empresa é exagerado.
Além de ser tema de um menu, é apresentado também de forma acintosa no
início dos créditos finais do filme. Tudo bem se ter um comercial antes
dos menus, mas o exagero foi no mínimo indelicado com o espectador. Mas
a maior falha está na divisão dos featurettes, mal colocados em
um menu chamado de “Entrevistas”, e chamado de “entrevista” no título
quando é um featurette. As imagens abaixo dos menus explicam
melhor o fato. São “quase” os mesmos da edição americana, por lá há os
testes de elenco, uma trilha em áudio com comentários do diretor e da
roteirista, também disponíveis nas cenas excluídas e um featurette
chamado “Honest to Blog! Crediting Juno Featurette”. Isso sem comentar
que há um segundo disco, onde o filme pode ser “transferido” para outros
formatos digitais, como I-pods, sem custos extras. Por outro lado, as
“entrevistas” apresentadas por aqui não existem por lá no mesmo formato,
afinal, nem há razão delas existirem, pois estão nos documentários,
melhor editadas.
No geral, o filme é tão carismático que vale a sua locação. Mesmo porque
apesar das “confusões” de onde estão os materiais extras, o tema é
interessante e Ellen Page por si só sustenta a qualidade e faça com que
você o assista. Ou reveja.
EXTRAS
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Sinopse – Tela com texto dispensável.
-
Ficha
Técnica – Idem.
-
Trailers
– Dos filmes “Penelope”, “O Amor Poe Dar Certo”, “Sonhando Alto”,
“Lições da Vida” e “Em Busca de um Milagre”.
-
Trailer
do Filme
- Entrevistas – Há uma divisão
estranha neste menu. Há entrevistas com boa parte do elenco e alguns
featurettes, devidamente produzidos, que não são exatamente
“entrevistas”. Os depoimentos são dos atores Ellen Page (em 4
partes, totalizando 2 minutos), Michael Cera (4, 1m42s), Jason
Bateman (4, 2m32s), Jennifer Garner (5, 3min), Allisonh Jannet (4,
2m50s), J.K. Simmons (4, 2m48s) e Olivia Thirby (3, 2m11s), além da
roteirista Diablo Cody (4, 4m49s). Todos são divididos em pequenos
trechos, claramente realizados para um aproveitamento nos
featurettes disponíveis. Parece um material “bruto”, claramente
sem edição. Aliás, os temas (em inglês) são apresentados no início
de cada um, ou seja, são “depoimentos isolados” e não “entrevistas”.
O tema mais evidente é a concepção dos personagens, ”como foi bom
trabalhar com” e sobre Ellen Page, a grande estrela e motivação do
filme. Há ainda os featurettes:
- Diablo Cody É Totalmente Demais
– Um pequeno documentário que aborda o roteiro do filme, como foi o
trabalho da escritora e roteirista, na verdade ela tinha um blog
erótico e aqui se comenta o talento em se realizar o salto para um
roteiro de cinema. Há então uma montagem com algumas das entrevistas
anteriores com cenas do filme e de bastidores, comentando sobre o
enredo e seus personagens, a reação dos atores quando leram o
roteiro pela primeira vez, etc. em 8 minutos e meio.
- Jason Reitman É o Bom –
Seguindo o mesmo modelo, com pouco mais de 8 minutos, desta vez o
tema é o trabalho do diretor. Há também boas curiosidades sobre como
ele foi o escolhido para realizar o filme e sua interação com Cody,
a roteirista, além de informações relevantes, principalmente nas
cenas de bastidores.
- Cenas Deletadas – São 7 cenas, sem
os devidos comentários do porquê ficaram de fora. Não é possível
assistir a todas de uma só vez, o que totalizaria aproximadamente 13
minutos.
- Falha Nossa – É o que se
chama de “gag reel”, ou seja, um clipe repleto de falhas, das
tradicionais risadas e/ou piadinhas fora de hora até os erros
repetidos. Há momentos divertidos. Com 5 minutos.
- Apresentação Animada do Elenco
– Uma espécie de videoclipe com o elenco e a equipe técnica “fazendo
graça” diante de uma câmera, com tema livre, com uma música
devidamente legendada no fundo. Tem 3m13s.
- Muito Além do Nosso Nível de
Maturidade – Um outro featurette com a “observação” do
menu de que é uma “entrevista, ou seja, outro erro de autoração (ou
de “conceito”). Mostra como o filme lida com a adolescência,
principalmente partindo do trio principal de personagens. É bem
interessante, reforça o interesse do tema do filme, recheado de
depoimentos e cenas de bastidores nos seus 9 minutos.
Todos os extras estão legendados e com
áudio em inglês DD 2.0.
MENUS
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