KING KONG (2005, EDIÇÃO LIMITADA)
Direção: Peter Jackson
Elenco:
Jack Black, Adrien Brody, Naomi Watts, Andy Serkis, Jamie Bell, Colin Hanks
Distribuidora: Universal
Duração: 187 min.
 

Região: 4

Lançamento: 05/04/2006

Nº de discos: 2
Cotações:
Filme:
DVD:

Comentários de
Jorge Saldanha

O FILME
Na Nova York devastada pela depressão, o cineasta picareta Carl Denham (Jack Black) contrata a atriz desempregada Ann Darrow (Naomi Watts) para rodar um filme na inexplorada Ilha da Caveira. Chegando lá, ambos e a tripulação do navio Venture descobrem que o lugar é habitado por uma tribo de selvagens agressivos, dinossauros e um gorila gigante, o último de sua espécie. Ann é raptada pelos nativos e oferecida em sacrifício a Kong. O inevitável acontece: Kong apaixona-se pela pequena loira, que na medida do possível corresponde ao seu afeto, principalmente após ser salva por ele das garras de três tiranossauros. Uma equipe do Venture, liderada pelo escritor Jack Driscoll (Adrien Brody) parte para salvar Ann. Depois de muita ação na ilha, eles a resgatam e Denham consegue capturar Kong vivo, levando-o para ser apresentado como uma atração em Nova York.

KING KONG, o clássico de 1933, à época foi um marco do cinema fantástico e um prodígio da tecnologia cinematográfica. Há gerações vem maravilhando pessoas de todas as idades, e foi a inspiração de muitas que resolveram ingressar no mercado cinematográfico, como o mago dos efeitos stop motion Ray Harryhausen e o cineasta neo-zelandês Peter Jackson, que por anos sonhou em fazer sua própria versão do clássico. Celebrizado por sua premiada trilogia O SENHOR DOS ANÉIS, ele finalmente ganhou da Universal um cachê de U$ 20 milhões e U$ 150 milhões de orçamento para gastar no seu sonho. Ao final Jackson estourou o orçamento em mais U$ 50 milhões, mas até agora faturou aproximadamente U$ 600 milhões nas bilheterias mundiais (fora a já expressiva receita das vendas do DVD, estimada no momento que escrevo em mais de U$ 100 milhões), com um resultado indiscutivelmente à altura do projeto acalentado por décadas. Para os que achavam que a tecnologia digital já tinha dado tudo o que tinha que dar, o filme é um assombro. A Weta Digital, empresa de efeitos do próprio Jackson, reproduziu com fidelidade a Nova York da Grande Depressão, colocou na tela uma impressionante Ilha da Caveira povoada de criaturas de pesadelo e criou um Kong como nunca se viu. Para Kong Jackson utilizou a mesma técnica que empregara para criar o Gollum de O SENHOR DOS ANÉIS: os movimentos e a voz do ator Andy Serkis (que no filme também interpreta o cozinheiro do navio, Lumpy) foram capturados e aplicados o macaco digital. Serkis estudou profundamente o comportamento dos grandes gorilas, e o resultado é de cair o queixo. Com um foto-realismo que mostra seu corpo peludo coberto de cicatrizes deixadas pelos combates com monstros pré-históricos, expressões faciais, sons e movimentos de um verdadeiro gorila, o Kong de Jackson é a criatura digital mais perfeita já surgida nas telas. O roteiro é muito fiel à história original de Merian C. Cooper e Edgar Wallace, as mudanças na estrutura narrativa são mínimas - Ann agora é uma atriz do vaudeville, e Driscoll, que no original era um marujo, virou o roteirista do filme de Denham. São introduzidos alguns personagens secundários de maior relevo, e os principais tem a caracterização bem mais desenvolvida. As situações originais são expandidas, algumas até o ponto do exagero - a ilha fervilha de criaturas digitais, muitas horripilantes e remetendo ao passado trash de Jackson - outras, que foram escritas mas ficaram de fora do filme original foram aproveitadas, como o confronto com insetos gigantes no fundo da ravina. Mas de um modo geral, até o combate final de Kong com a esquadrilha de biplanos no topo do Empire State, o filme é uma carinhosa recriação expandida do original. Talvez recriação seja um termo inadequado: tributo ou homenagem me soam melhores. Infelizmente, durante a produção houve uma baixa importante. O compositor Howard Shore, o premiado autor das trilhas da trilogia O SENHOR DOS ANÉIS, teve algumas "desavenças artísticas" com Jackson e, após cinco meses de trabalho, foi dispensado. Para o seu lugar o diretor escalou o sempre competente James Newton Howard, que em apenas cinco semanas compôs e gravou quase três horas de música. A partitura ficou ótima, mas pressinto que Shore teria feito algo melhor. Nos extras, Jackson diz que se Howard tivesse tido mais tempo, a partitura não teria ficado tão boa... Ironicamente Shore pode ser visto no filme, regendo trechos do score original de Max Steiner durante a apresentação de Kong ao público nova-iorquino. Enfim, apesar de alguns excessos, como as suas três horas de duração, o KING KONG de Peter Jackson é um dos melhores filmes de entretenimento a atingir as telas em anos. E com ele e a trilogia de Tolkien, o diretor pode com justiça, desde já, ocupar o trono que já foi de Lucas e Spielberg.

O DVD
O KING KONG de Peter Jackson é um filme superlativo sob todos os aspectos, e sua grandiosidade foi transposta para esta “Edição Limitada” com dois DVDs. A embalagem Amaray contendo os discos é envolta em uma bonita luva de cartolina, que destaca em alto relevo o título do filme e alguns detalhes da imagem da capa. A transferência do filme, obtida de uma master em alta definição, é excelente e mostra que, no momento em que os primeiros reprodutores HD-DVD chegam no mercado estrangeiro, o atual formato ainda tem fôlego para apresentar produtos de qualidade técnica superior. O formato de vídeo é widescreen anamórfico 2.35:1, preservando as proporções originais do cinema, com uma imagem excepcional. O que é impressionante, já que os 187 minutos do filme, com duas faixas de áudio multicanal, estão contidos em apenas um disco, apresentando cores sólidas, nitidez e contraste excelentes e sem artefatos de compressão visíveis. Do mesmo modo, as faixas de áudio Dolby Digital 5.1 (em inglês e português) são das melhores já ouvidas no formato, com alta fidelidade, excelente separação de canais, efeitos surround dinâmicos e graves que, durante as cenas de ação, poderão colocar em risco o seu subwoofer. Até nem é bom pensar no “estrago” que uma faixa de áudio DTS 6.1 poderia fazer. Aliás, já se comenta que uma “Versão do Diretor” (não necessariamente estendida, já que muitos criticam a longa duração da versão de cinema) poderá chegar ao mercado num futuro não muito distante, trazendo então som DTS.

OS EXTRAS
KING KONG foi lançado em versões com um e dois DVDs. O disco 1 é o mesmo em ambas, trazendo como extras (legendados em português) apenas o curto featurette “Touareg & King Kong”, sobre a produção do comercial do SUV da Volkswagen, e um trailer com o título “Conheça mais sobre Nova York em Wish You Were Here”. Faltou um trailer do próprio KING KONG, e também comentários em áudio do diretor Peter Jackson, certamente reservados para a futura nova edição em DVD do filme. Mas o bom mesmo está no disco 2, e tudo legendado em português, com vídeo wide anamórfico e áudio 2.0 em inglês. Iniciamos com uma introdução de Jackson, que por três minutos dá uma visão geral dos extras presentes no disco. Depois passamos para os “Diários da Pós-produçao”, 35 dos 50 curtas anteriormente divulgados na internet, que podem ser assistidos (todos de uma só vez ou individualmente) separados por datas ou por departamentos, e que no conjunto compõem um enorme making of que totaliza por volta de 160 minutos. Como o título indica, todos os aspectos da pós-produção do filme são abordados: mixagem, filmagem de miniaturas, captura de movimentos, criação do primeiro trailer, filmagens adicionais, montagem, trilha sonora, pré-estréia etc. Caso você queira possuir também os “Diários da Produção” (bastidores das filmagens principais), terá que comprar um caprichado box lançado no exterior, que dificilmente chegará por aqui. Completando os extras, temos dois interessantes documentários que, ao contrário dos “Diários”, foram especialmente produzidos para este DVD:

A Ilha da Caveira (17 min.) – Em tom de “falso documentário”, o diretor e os integrantes da equipe narram a história da Ilha Caveira, destacando sua fantástica fauna (aí incluída a raça de Kong) e a antiga civilização que nela habitou. O interessante é que as dúvidas que surgem no filme, a respeito da existência de dinossauros e de criaturas bizarras que só existem na ilha, são explicadas de forma lógica e até científica;

A Cidade de Nova York de 1933 (29 min.) – Detalhado documentário que utiliza imagens de época, do filme e do próprio “Kong” de 1933, para mostrar a cidade como era na década de 1930.

MENUS
Os belos menus animados, com a trilha de James Newton Howard ao fundo, mostram cenas da longa aventura.

 

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