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O FILME
Na
Nova York devastada pela depressão, o cineasta picareta Carl Denham
(Jack Black) contrata a atriz desempregada Ann Darrow (Naomi Watts) para
rodar um filme na inexplorada Ilha da Caveira. Chegando lá, ambos e a
tripulação do navio Venture descobrem que o lugar é habitado por uma
tribo de selvagens agressivos, dinossauros e um gorila gigante, o último
de sua espécie. Ann é raptada pelos nativos e oferecida em sacrifício a
Kong. O inevitável acontece: Kong apaixona-se pela pequena loira, que na
medida do possível corresponde ao seu afeto, principalmente após ser
salva por ele das garras de três tiranossauros. Uma equipe do Venture,
liderada pelo escritor Jack Driscoll (Adrien Brody) parte para salvar
Ann. Depois de muita ação na ilha, eles a resgatam e Denham consegue
capturar Kong vivo, levando-o para ser apresentado como uma atração em
Nova York.
KING KONG, o
clássico de 1933, à época foi um marco do cinema fantástico e um
prodígio da tecnologia cinematográfica. Há gerações vem maravilhando
pessoas de todas as idades, e foi a inspiração de muitas que resolveram
ingressar no mercado cinematográfico, como o mago dos efeitos stop
motion Ray Harryhausen
e o cineasta neo-zelandês Peter Jackson, que por anos sonhou em fazer
sua própria versão do clássico. Celebrizado por sua premiada trilogia O
SENHOR DOS ANÉIS, ele finalmente ganhou da Universal um cachê de U$ 20
milhões e U$ 150 milhões de orçamento para gastar no seu sonho. Ao final
Jackson estourou o orçamento em mais U$ 50 milhões, mas até agora
faturou aproximadamente U$ 600 milhões nas bilheterias mundiais (fora a
já expressiva receita das vendas do DVD, estimada no momento que escrevo
em mais de U$ 100 milhões), com um resultado indiscutivelmente à altura
do projeto acalentado por décadas. Para os que achavam que a tecnologia
digital já tinha dado tudo o que tinha que dar, o filme é um assombro. A
Weta Digital, empresa de efeitos do próprio Jackson, reproduziu com
fidelidade a Nova York da Grande Depressão, colocou na tela uma
impressionante Ilha da Caveira povoada de criaturas de pesadelo e criou
um Kong como nunca se viu. Para Kong Jackson utilizou a mesma técnica
que empregara para criar o Gollum de O SENHOR DOS ANÉIS: os movimentos e
a voz do ator Andy Serkis (que no filme também interpreta o cozinheiro
do navio, Lumpy) foram capturados e aplicados o macaco digital. Serkis
estudou profundamente o comportamento dos grandes gorilas, e o resultado
é de cair o queixo. Com um foto-realismo que mostra seu corpo peludo
coberto de cicatrizes deixadas pelos combates com monstros
pré-históricos, expressões faciais, sons e movimentos de um verdadeiro
gorila, o Kong de Jackson é a criatura digital mais perfeita já surgida
nas telas. O roteiro é muito fiel à história original de Merian C.
Cooper e Edgar Wallace, as mudanças na estrutura narrativa são mínimas -
Ann agora é uma atriz do vaudeville, e Driscoll, que no original
era um marujo, virou o roteirista do filme de Denham. São introduzidos
alguns personagens secundários de maior relevo, e os principais tem a
caracterização bem mais desenvolvida. As situações originais são
expandidas, algumas até o ponto do exagero - a ilha fervilha de
criaturas digitais, muitas horripilantes e remetendo ao passado trash
de Jackson - outras, que foram escritas mas ficaram de fora do filme
original foram aproveitadas, como o confronto com insetos gigantes no
fundo da ravina. Mas de um modo geral, até o combate final de Kong com a
esquadrilha de biplanos no topo do Empire State, o filme é uma carinhosa
recriação expandida do original. Talvez recriação seja um termo
inadequado: tributo ou homenagem me soam melhores. Infelizmente, durante
a produção houve uma baixa importante. O compositor
Howard Shore, o
premiado autor das trilhas da trilogia O SENHOR DOS ANÉIS, teve algumas
"desavenças artísticas" com Jackson e, após cinco meses de trabalho, foi
dispensado. Para o seu lugar o diretor escalou o sempre competente
James Newton Howard,
que em apenas cinco semanas compôs e gravou quase três horas de música.
A partitura ficou ótima, mas pressinto que Shore teria feito algo
melhor. Nos extras, Jackson diz que se Howard tivesse tido mais tempo, a
partitura não teria ficado tão boa... Ironicamente Shore pode ser visto
no filme, regendo trechos do score original de Max Steiner
durante a apresentação de Kong ao público nova-iorquino. Enfim, apesar
de alguns excessos, como as suas três horas de duração, o KING KONG de
Peter Jackson é um dos melhores filmes de entretenimento a atingir as
telas em anos. E com ele e a trilogia de Tolkien, o diretor pode com
justiça, desde já, ocupar o trono que já foi de Lucas e Spielberg.
O DVD
O KING
KONG de Peter Jackson é um filme superlativo sob todos os aspectos, e
sua grandiosidade foi transposta para esta “Edição Limitada” com dois
DVDs. A embalagem Amaray contendo os discos é envolta em uma bonita luva
de cartolina, que destaca em alto relevo o título do filme e alguns
detalhes da imagem da capa. A transferência do filme, obtida de uma
master em alta definição, é excelente e mostra que, no momento em
que os primeiros reprodutores HD-DVD chegam no mercado estrangeiro, o
atual formato ainda tem fôlego para apresentar produtos de qualidade
técnica superior. O formato de vídeo é widescreen anamórfico
2.35:1, preservando as proporções originais do cinema, com uma imagem
excepcional. O que é impressionante, já que os 187 minutos do filme, com
duas faixas de áudio multicanal, estão contidos em apenas um disco,
apresentando cores sólidas, nitidez e contraste excelentes e sem
artefatos de compressão visíveis. Do mesmo modo, as faixas de áudio
Dolby Digital 5.1 (em inglês e português) são das melhores já ouvidas no
formato, com alta fidelidade, excelente separação de canais, efeitos
surround dinâmicos e graves que, durante as cenas de ação, poderão
colocar em risco o seu subwoofer. Até nem é bom pensar no
“estrago” que uma faixa de áudio DTS 6.1 poderia fazer. Aliás, já se
comenta que uma “Versão do Diretor” (não necessariamente estendida, já
que muitos criticam a longa duração da versão de cinema) poderá chegar
ao mercado num futuro não muito distante, trazendo então som DTS.
OS EXTRAS
KING KONG
foi lançado em versões com um e dois DVDs. O disco 1 é o mesmo em ambas,
trazendo como extras (legendados em português) apenas o curto
featurette “Touareg & King Kong”, sobre a produção do comercial do
SUV da Volkswagen, e um trailer com o título “Conheça mais sobre Nova
York em Wish You Were Here”. Faltou um trailer do próprio KING
KONG, e também comentários em áudio do diretor Peter Jackson, certamente
reservados para a futura nova edição em DVD do filme. Mas o bom mesmo
está no disco 2, e tudo legendado em português, com vídeo wide
anamórfico e áudio 2.0 em inglês. Iniciamos com uma introdução de
Jackson, que por três minutos dá uma visão geral dos extras presentes no
disco. Depois passamos para os “Diários da Pós-produçao”, 35 dos 50
curtas anteriormente divulgados na internet, que podem ser assistidos
(todos de uma só vez ou individualmente) separados por datas ou por
departamentos, e que no conjunto compõem um enorme making of que
totaliza por volta de 160 minutos. Como o título indica, todos os
aspectos da pós-produção do filme são abordados: mixagem, filmagem de
miniaturas, captura de movimentos, criação do primeiro trailer,
filmagens adicionais, montagem, trilha sonora, pré-estréia etc. Caso
você queira possuir também os “Diários da Produção” (bastidores das
filmagens principais), terá que comprar um caprichado box lançado
no exterior, que dificilmente chegará por aqui. Completando os extras,
temos dois interessantes documentários que, ao contrário dos “Diários”,
foram especialmente produzidos para este DVD:
A Ilha da
Caveira
(17 min.) – Em tom de “falso documentário”, o diretor e os integrantes
da equipe narram a história da Ilha Caveira, destacando sua fantástica
fauna (aí incluída a raça de Kong) e a antiga civilização que nela
habitou. O interessante é que as dúvidas que surgem no filme, a respeito
da existência de dinossauros e de criaturas bizarras que só existem na
ilha, são explicadas de forma lógica e até científica;
A Cidade de
Nova York de 1933 (29 min.)
– Detalhado documentário que utiliza imagens de época, do filme e do
próprio “Kong” de 1933, para mostrar a cidade como era na década de
1930.
MENUS
Os
belos menus animados, com a trilha de James Newton Howard ao fundo,
mostram cenas da longa aventura.
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