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O FILME
No fictício mundo da Terra-Média, os seguidores do maligno Sauron estão
prestes a iniciar uma guerra de conquista. Um anel de ouro com imensos
poderes, forjado pelo próprio Sauron, cai nas mãos do pequeno hobbit
Bilbo. Ele e mais três amigos passam a ser perseguidos pelos Espectros
do Anel, cavaleiros negros que querem recuperar o Um Anel e
devolvê-lo ao seu mestre. Breve, forma-se uma aliança entre hobbits,
elfos, humanos e anões (A Sociedade do Anel), que com o auxílio do
benevolente mago Gandalf, levarão Bilbo e o anel até a Montanha da
Perdição, único local onde ele poderá ser destruído. Em sua jornada,
deverão enfrentar e superar formidáveis inimigos – exércitos de orcs,
um selvagem troll, o gigantesco demônio de fogo Balrog e,
principalmente, o desejo de possuir para si os poderes mágicos do anel.
Mesmo que você nunca tenha lido um livro sequer do escritor inglês
J.R.R. Tolkien, já deve pelo menos ter ouvido falar de sua obra mais
conhecida, a trilogia O Senhor dos Anéis. É simplesmente um
clássico da literatura mundial, e as aventuras vividas nos reinos da
Terra-Média serviram de inspiração para vários filmes, entre os quais
O Dragão e o Feiticeiro, Willow e até mesmo a saga
Star Wars
de George Lucas. No entanto, foi necessário que mais de cinco décadas se
passassem até que um abnegado diretor neozelandês convencesse um estúdio
a investir US$ 300 milhões não em um, mas em três filmes rodados
simultaneamente, que estivessem à altura da grandeza da obra de Tolkien.
Com A Sociedade do Anel, o primeiro filme da trilogia a chegar às
telas, o diretor Peter Jackson conseguiu um feito raro – consagrar-se
perante o público e a crítica mais exigente. Fator decisivo para isso é
o grande carinho e o cuidado que Jackson e sua equipe dedicaram ao
material, originando um filme de entretenimento bem diferente daqueles
que estamos acostumados a assistir: há uma grande ênfase nos
personagens, roteiro e diálogos buscam ser os mais fiéis possíveis ao
texto do autor, e os efeitos especiais, ao invés de serem o fator
principal, estão lá principalmente para ajudar a contar a história. Além
disso, uma feliz conjunção de fatores também ajudou o projeto. Há ótimas
interpretações do elenco, desde novatos como Elijah Wood (Frodo) e
Orlando Bloom (Legolas), até os mais conhecidos Christopher Lee (o mago
do mal Saruman), Ian Holm (Bilbo), Sean Bean (Boromir), Ian McKellen
(excepcional como Gandalf), Viggo Mortensen (Aragorn), Cate Blanchett (Galadriel),
e por aí vai. O desenho de produção, a deslumbrante fotografia das
paisagens da Nova Zelândia (onde o filme foi rodado), a grandiosa e
emocionante partitura de
Howard Shore, que
deu ao filme um de seus merecidos quatro Oscars (os outros foram para
fotografia, efeitos visuais e maquiagem), todos são fatores que se
combinaram perfeitamente para dar vida ao melhor filme de fantasia que
surgiu nas últimas décadas.
Por outro lado, apesar de todo o respeito de Jackson ao texto de Tolkien,
mudanças foram necessárias para tornar A Sociedade do Anel um
verdadeiro evento cinematográfico, e não apenas uma transposição quase
literal do livro para o filme, como o inferior Harry Potter. Boa
parte da trama é colocada em um prólogo de nove minutos, que resume a
história do Um Anel até que este chega às mãos de Bilbo Bolseiro.
Personagens foram omitidos ou tiveram sua participação diminuída;
outros, foram expandidos ou até mesmo criados (como o guerreiro Uruk-Hai)
para aumentar a dramaticidade em certas seqüências. Trechos do livro e
muitas canções escritas por Tolkien também foram eliminados. Mas todas
foram alterações necessárias, e que se mostraram acertadas. Se falha há,
é a de que Jackson termina o filme de forma demasiadamente abrupta –
apesar de que o final teria de obrigatoriamente ficar em aberto (faltou
apenas o to be continued). Mas não há solução, o jeito é esperar
com ansiedade a estréia do segundo capítulo,
As Duas Torres,
que estréia no Brasil em janeiro de 2003...
O DVD
O DVD nacional de A Sociedade do Anel chega
simultaneamente ao seu lançamento no resto do mundo, e só
podemos dar graças a Deus que a Warner, por aqui, tenha assumido
a distribuição da trilogia. Os novos títulos da
produtora New Line (que também pertence ao grupo Time-Warner)
vem sendo distribuídos no Brasil pela PlayArte, que até
vem se esforçando mas não tem conseguido produzir DVDs
à altura dos lançados nos EUA. Já este
lançamento da Warner é uma edição
idêntica à disponível no exterior, desde sua
embalagem acartonada e envelopada, até o conteúdo de seus
dois DVDs. O disco 1 apresenta o filme no formato 2.35
anamórfico com excepcional qualidade de vídeo. O
contraste, os detalhes e as cores impressionam, e mesmo em um monitor widescreen 65” não
foi possível discernir qualquer sinal de granulação ou pixelização na
imagem. Já a faixa de áudio em Dolby Digital 5.1 EX (em inglês) é das
melhores que já ouvi – graves que desafiarão seu subwoofer (e por
tabela, a vizinhança), excelente fidelidade nos médios e agudos e
efeitos surround que justificam, com sobra, a existência dos
canais traseiros de um home theater. Infelizmente o áudio em
português é apenas Surround 2.0 – mas acredito que simplesmente a
capacidade do disco não suportava a colocação de mais uma trilha em 5.1
canais – afinal, são três horas de filme!
OS EXTRAS
O disco 2 concentra todos os extras, na sua maior parte featurettes
de divulgação com cenas do filme, entrevistas, cenas de bastidores. O
primeiro dura 16 minutos e foi produzido pela editora Houghton-Mifflin,
que detém os direitos em língua inglesa dos livros de Tolkien; o segundo
é um especial de 30 minutos exibido pela Fox americana; e o terceiro e
melhor de todos é o Making Of de 45 minutos transmitido pelo
Sci-Fi Channel, que inclui quase tudo dos outros e mais um pouco. Além
disso, há um punhado de curtas originalmente divulgados no site
Lord of the Rings, com duração de 2 a 5 minutos (sim, há um deles
exclusivo para Shore e sua música!), trailers de cinema, spots de
TV, o inevitável vídeo musical de Enya, uma prévia do game da
Electronic Arts e o ansiosamente aguardado preview de 10 minutos
de As Duas Torres, com direito a cenas do filme e bastidores
(inclusive a captura de movimentos para o personagem Gollum, todo feito
em CGI). Ah sim, e um curta promocional da “Edição Especial” de A
Sociedade do Anel, a ser lançada nos EUA em novembro, que em quatro
DVDs terá uma versão do diretor com 30 (!) minutos de cenas adicionais
integradas ao filme (que ocupará dois discos, o que vale dizer que, com
menor compressão, a qualidade de som e imagem será ainda melhor!!),
comentários em áudio e mais uma série de novos extras. Porém, se você é
fã do filme e pretende deixar passar este lançamento para comprar a
edição especial, um conselho: não o faça. Dela não há previsão de
lançamento no Brasil, e mesmo que eventualmente seja lançada, não
conterá o mesmo material adicional que este DVD duplo da Warner
apresenta.
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