MATRIX RELOADED
Direção: Irmãos Wachowski
Elenco: Keanu Reeves, Laurence Fishburne, Carrie-Anne Moss, Hugo Weaving, Jada Pinkett-Smith, Gloria Foster, Monica Bellucci

Distribuidora: Warner 
Região: 4

Ano: 2003
Nº de discos: 2

Cotações:
Filme:
DVD:

Comentários de
Jorge Saldanha

O Filme
Quatro anos depois de Matrix consagrar-se como um daqueles filmes que marcam um gênero, 2003 tornou-se o "Ano Matrix": Matrix Reloaded, a aguardada primeira continuação, finalmente chegou aos cinemas em maio; a coletânea de animês Animatrix, cuja produção iniciou em 2000 e que apresenta histórias inéditas do Universo Matrix (os segmentos "O Vôo Final de Osíris" e "Era uma Vez um Garoto" possuem relação direta com Reloaded), foi lançada em DVD; neste mesmo mês foi lançado o game Enter the Matrix; em outubro, Reloaded chegou em DVD, algumas semanas antes do capítulo final, Matrix Revolutions (filmado simultaneamente com Reloaded), que estreou mundialmente nos cinemas dia 05 de novembro. Como se vê, houve toda uma estratégia de marketing da Warner em torno da franquia criada por Larry e Andy Wachowski, que se por um lado ajuda a vender os produtos, por outro até certo ponto os prejudicam. Tome-se o exemplo de Reloaded: foi anunciado como um filme que superaria o marcante original em todos os aspectos, seria uma experiência excepcional, com efeitos que deixariam o bullet time na pré-história, e outras besteiras do tipo. No cinema o que vimos foi diferente - um filme que obviamente não possui a novidade do original, com uma primeira metade lenta, algumas cenas de luta redundantes e efeitos que usam e abusam de nada discretos dublês digitais dos protagonistas. Não foi de admirar, portanto, que muitos apressados saíssem do cinema bradando sua decepção com o filme. No entanto, permeando estas características mais aparentes, os irmãos Wachowski deram a esta continuação um caráter mais humano e introduziram elementos que questionam o que havíamos aprendido sobre a verdadeira natureza da Matrix, no primeiro capítulo. Pois bem, em Reloaded descobrimos que definitivamente, no Universo Matrix, as coisas podem não ser o que parecem, o que gerou inúmeras discussões, a maioria centradas no já famoso diálogo de Neo (Keanu Reeves) e o Arquiteto (Helmut Bakaitis), e nas intrigantes cenas finais. Apesar de algumas falhas, só o fato de Reloaded fazer a garotada pensar, dando margem a tantas e ricas discussões, já mostra a sua superioridade sobre os "filmes-pipoca" em geral. 

Algumas coisas no filme realmente parecem estranhas, outras simplesmente inacreditáveis e espetaculares. À primeira vista o ponto fraco do filme é seu início, ou pelo menos a sua primeira metade. Reloaded busca extrapolar na ação e nos efeitos, em especial na "Burly Brawl", onde Neo enfrenta centenas de clones do Agente Smith (Hugo Weaving) em uma luta exagerada e "cartunesca", e na antológica e frenética perseguição na freeway; mas ainda assim conta uma história cheia de nuances e que não é de fácil assimilação. Assim, a lenta preparação da primeira metade
, na qual incluo as polêmicas cenas em Zion - Neo e Trinity (Carrie Anne-Moss) fazendo amor enquanto o povo dança sensualmente em uma espécie de festa rave (seqüência que é uma espécie de celebração do que nos diferencia das máquinas), não deixa de ser necessária para que o filme entre na sua segunda e capital parte, onde não apenas os sentidos, mas a mente do espectador, são postos à prova. Quando se poderia esperar que os irmãos Wachowski somente nos dariam um filme "com mais do mesmo", eles ousam e tomam rumos diferentes.  Como nas cenas de Merovingian (Lambert Wilson) e, em especial, de sua esposa Persephone (Monica Bellucci), que desafia Neo a beijá-la como ele beijaria Trinity - ou seja, Persephone, que não passa de um programa de computador, quer sentir o que somente um humano poderia sentir e deixa claro que o mundo sintético da Matrix inveja a condição humana, ou pelo menos parte dela; e os momentos finais do filme, que mais uma vez nos desafiam com o que, afinal, é real ou ilusório no Universo Matrix. Mais não dá para dizer sem que estraguemos a experiência de assistir ao filme, que certamente não possui a originalidade do primeiro e é, com seu final em aberto, uma ponte para os eventos capitais mostrados em Matrix Revolutions. Mas que ainda assim possui outros méritos além dos já citados. A partitura de Don Davis é muito boa, Matrix, agregando em determinadas faixas a instrumentação eletrônica de Juno Reactor. Os efeitos visuais, apesar de serem claramente feitos em CGI, fornecem algumas imagens inesquecíveis, espetaculares. E, muitíssimo importante, tem Monica Bellucci no elenco: ela por sí só é um efeito visual que vale o preço do ingresso (pena que em uma aparição relativamente curta).

Os DVDs
A Warner, a exemplo do que fez no exterior, respeitou o consumidor brasileiro e lançou esta Edição Especial com dois DVDs em duas versões - uma com o filme em formato widescreen na proporção 2:35, outra com o filme em fullscreen. Em tudo, a versão nacional é idêntica à disponibilizada na Região 1, com a adição da faixa de áudio (Dolby 2.0) e legendas em português. A trilha Dolby Digital 5.1 em inglês é exemplar, apesar de que uma faixa adicional em DTS, como a Fox e a Universal vem disponibilizando regularmente em seus lançamentos de ponta, seria mais do que bem-vinda. A imagem da versão em widescreen, que é a que utilizamos para este comentário, é extraordinariamente nítida e clara. Assim como o DVD do Matrix original já serviu de padrão de excelência à época de seu lançamento, este também pode ser utilizado para calibrar os equipamentos de áudio e vídeo de última geração.

Os Extras
Já no que se refere ao material adicional, em comparação com outras edições especiais que existem por aí, não é nada excepcional. Os extras, todos legendados em português e contidos unicamente no segundo disco, são bons, mas apenas isso. A maior parte situa-se entre material puramente promocional e uma cobertura, despida de qualquer crítica, do processo de produção do filme. Chegam a ser constrangedores os comentários exagerados de Laurence Fishburne e do produtor Joel Silver sobre a produção - típica propaganda espalhafatosa que só prejudica, já que o filme, obviamente, não é a experiência transcendental que eles dizem ser. Estranhamente, além do trailer de Matrix Revolutions que pode ser visto ao final de Reloaded, não há praticamente nada que se refira ao capítulo final da trilogia. Segue a relação dos extras:


- Preload - Making of do filme, apresentando entrevistas com equipe e elenco.
- Perseguição na Via Expressa - Longo featurette mostrando cenas de bastidores e o processo de criação da eletrizante seqüência de perseguição na freeway, sem dúvida um dos destaques dos extras.
- Trailer do DVD de Animatrix 
- Enter The Matrix: O Jogo - Making of do videogame que, ao contrário das opiniões "isentas" aqui contidas, foi detonado pela crítica.
- A Matrix Revelada - Uma visão do impacto cultural provocado pelo fenômeno Matrix.
- Paródia apresentada no MTV Movie Awards - Indiscutivelmente o mais divertido dos extras, é a introdução do MTV Movie Awards de 2003, com atuações hilárias de Will Ferrell, Seann William Scott e do ídolo dos adolescentes, o cantor Justin Timberlake. 
- Preciso de uma Saída - Série de comerciais inspirados no Universo Matrix, incluindo o processo de criação do celular mostrado no filme. Deve ser bem mais interessante para os profissionais de marketing e publicidade.
- Weblinks para o website oficial de Matrix.

DVDs COMENTADOS