BATTLESTAR GALACTICA: PRIMEIRA TEMPORADA
Direção: Michael Rymer, Vários
Elenco:
Edward James Olmos, Mary McDonnel, Katee Sackhoff, Jamie Bamber, Tricia Helfer, James Callis
Duração: 751 min.
Distribuidora: Universal
Região: 4
Lançamento: 05/06/2006

Nº de discos: 5

Cotações:
Filme:
DVD:

Comentários de
Jorge Saldanha

A SÉRIE
Após décadas de conflito, finalmente ocorre uma trégua na guerra entre os humanos das 12 Colônias e as criaturas mecânicas conhecidas como Cylons. Porém, pouco antes da assinatura de um acordo de paz, os seres cibernéticos desativam os sistemas de defesa das colônias e lançam um ataque maciço, com a finalidade aparente de extinguir a raça humana. Galactica, a última astronave de combate restante, comandada pelo experiente e perspicaz Adama (Edward James Olmos), lidera uma frota de naves civis que, caçada pelos Cylons, parte rumo à esquecida 13ª Colônia: a Terra. O Comandante Adama e sua tripulação enfrentam situações-limite, tendo Cylons com aparência humana infiltrados entre a população. A fim de superar as dificuldades Adama tem que tomar difíceis decisões, muitas vezes em confronto com a Presidente Roslin (Mary McDonnell).

A série original de Battlestar Galactica, lançada em 1978 (e que saiu em DVD no exterior em 2003, a resenha do box-set você também conferir AQUI) teve grande repercussão, já que foi uma das primeiras produções a aproveitar o filão aberto por Star Wars, tendo inclusive alguns episódios adaptados para serem exibidos no cinema, na forma de dois longas-metragens. Em 1980 a Universal chegou a produzir uma continuação, Galactica 1980, que de tão ruim hoje é solenemente ignorada, como se nunca tivesse existido. Nas duas décadas seguintes, tanto o criador da série, Glen A. Larson, como o ator Richard Hatch (que na série interpretava o Capitão Apollo) tentaram trazer Galactica de volta, seja no cinema ou na TV. Mas foi somente em 2003 que isso ocorreu, e graças não a eles, mas sim ao produtor/roteirista veterano de Jornada nas Estrelas, Ronald B. Moore, que idealizou uma nova minissérie em quatro episódios, para ser exibida pelo Sci-Fi Channel da Universal. No elenco, os nomes mais conhecidos são do veterano Edward James Olmos e Mary McDonnel, que chegou a ser indicada ao Oscar por sua atuação em Dança com Lobos. Mas quem rouba a cena são James Callis (Gaius Baltar) e a bela Tricia Helfer (Número 6), que proporcionam algumas cenas picantes e os raros momentos de humor da trama. Com Glen Larson creditado apenas como "Consultor Executivo" e possuindo bons valores de produção e efeitos visuais de primeira linha, a Galactica de Moore possui na essência a mesma trama da série original, porém com importantes mudanças conceituais: por exemplo, os personagens Starbuck e Boomer, que eram homens, na nova versão foram transformados em mulheres; os Cylons, que na primeira versão eram robôs alienígenas, agora foram criados pelos humanos, e alguns, idênticos a nós, estão infiltrados na frota; apesar de haver perseguições e combates espaciais, as histórias,
repletas de reviravoltas, agora buscam acentuar, na medida do possível dentro do conceito de space opera apresentado, o drama e o realismo. O que se destaca no desenrolar da série é a discussão da condição humana, usando para isso o clássico confronto Homem vs. Máquina, um tema caro à ficção científica. Os episódios levantam questões que misturam moralidade, política, religião e luta pela sobrevivência. O erotismo, algo inexistente no original, colabora para tornar esta nova Galactica, em forma e conteúdo, num produto bem mais adulto que sua antiga versão, e que a coloca fora do padrão há anos estabelecido na TV por Jornada nas Estrelas e outras séries similares. A recepção positiva da minissérie repetiu-se com os 13 episódios da primeira temporada, fazendo com que a série fosse aclamada pelo público e pela crítica. No Brasil a série já foi exibida até sua segunda temporada pelo canal pago TNT, e em setembro estréia nos EUA a terceira.

O DVD
Para os fãs de boas séries de TV, e de ficção científica em particular, o lançamento da primeira temporada de Battlestar Galactica no Brasil, num box com cinco DVDs, teria tudo para ser comemorado. Mas infelizmente a Universal fez mais uma trapalhada e acabou disponibilizando no mercado brasileiro um lançamento tosco, típico de Terceiro Mundo. A embalagem repete o padrão de vários outros lançamentos do gênero - digistak, com uma luva de cartolina por fora. O problema são as informações equivocadas que ela traz, como 775 min. de duração ao invés dos efetivos 751 min., e extras que, na maioria, não estão no box. Além disso, a embalagem omite por completo o conteúdo do disco 1 (apenas lista os episódios dos outros discos), que traz a minissérie-piloto na forma de um longa-metragem de 182 minutos, que foi lançado aqui ano passado num DVD à parte. Na verdade este é exatamente aquele mesmo disco: os feios menus estáticos em inglês, as especificações (vídeo widescreen anamórfico 1.77:1, áudio DD 5.1 em inglês e japonês, etc.) e o material suplementar (o documentário The Lowdown), é tudo igual. O único trabalho da distribuidora foi mudar o rótulo do DVD, para deixá-lo igual aos outros da caixa. A imagem é por vezes granulada, com cores esmaecidas, mas acredito que seja assim por opção criativa. A série busca ter um visual documental, estilo “cinema-verdade” – tanto que, nas cenas de combate espacial, a imagem por vezes perde o foco ou fica tremida, como se o cinegrafista estivesse registrando tudo ao vivo. Quanto ao áudio 5.1, o canal de graves é freqüentemente acionado, a música, bem distribuída, e os diálogos são na maior parte das vezes bem claros. Os efeitos surround não são espetaculares, mas colaboram para criar uma ambientação sonora realista, à altura dos visuais. Temos legendas em português, inglês, espanhol e japonês.

Mas passando para os quatro discos restantes, temos algumas desagradáveis surpresas: os menus, que na versão original eram widescreen, são animados, porém foram "esticados" e ficaram full. Mas o pior é que os próprios episódios estão em formato full frame, com uma óbvia qualidade inferior de imagem, e o áudio em inglês e português é apenas Dolby 2.0. O revoltante é que toda a série foi filmada e é exibida em widescreen, tanto que os DVDs lançados no exterior (inclusive na Austrália, que também é Região 4) trazem os episódios neste formato, e com áudio 5.1. O que parece é que a Universal fez uma nova autoração dos discos 2 a 4 só para o nosso mercado (quanta consideração), com transferências full frame dos episódios e eliminando, além do áudio multicanal, as faixas de comentários e demais extras. Fica difícil de compreender o porquê de tal atitude, já que provavelmente foi mais caro fazer assim do que simplesmente utilizar os mesmos DVDs lançados no exterior e adicionar neles legendas e dublagens em português. Seja como for, a Universal deliberadamente mutilou o lançamento, fazendo dele um verdadeiro "samba do crioulo doido" que não agrada a ninguém: quem quiser ver o piloto com a dublagem em português não poderá fazê-lo, porque ela está disponível apenas nos demais episódios (em compensação, terá uma dispensável dublagem em japonês!); quem tem um televisor 4:3 verá, na minissérie, as tradicionais tarjas pretas acima e abaixo da imagem; quem possui televisores wide será duplamente prejudicado, porque além dos óbvios cortes laterais na imagem dos episódios full, ao ajustar a imagem para preencher toda a tela terá perda ainda maior de imagem – e, obviamente, de qualidade; por fim, o áudio 2.0 dos episódios não se compara ao áudio multicanal do disco 1, e pior: há episódios em que a separação de canais é quase imperceptível. Em suma, ao lançar um box com menus e especificações de vídeo e áudio diferentes, a Universal consegue apenas desagradar a todos. Se este fosse um país onde houvesse respeito ao consumidor, a distribuidora recolheria os boxes por vício de conteúdo e restituiria os valores pagos pelos consumidores lesados. Aliás, valores caros demais: não se justifica cobrar na média R$ 150,00 por um box de apenas cinco DVDs, que ainda por cima não traz todo o conteúdo que anuncia (e o que traz, ainda por cima tem problemas). Mas o máximo que ela fez foi enviar uma nota a alguns dos sites que vendem o box, informando que o primeiro lote saiu com informações erradas na embalagem. No fim tudo vai ficar do jeito que está, e a Universal reembolsará apenas aqueles poucos que tiverem ânimo e paciência para entrar na Justiça. Os outros ficarão na esperança de que pelo menos a segunda temporada da série respeite seu formato original, e que a distribuidora passe a ter um controle de qualidade à altura da importância do seu nome.

OS EXTRAS
Como material bônus temos, no disco 1, o bom documentário de 40 minutos Battlestar Galactica: The Lowdown, com depoimentos de Moore, do elenco e membros da equipe e com várias cenas da versão original e da nova minissérie, e uma chamada dos estúdios Universal de Tóquio, com áudio – e legendas – em japonês. Mas pelo que consta na embalagem do box, esta primeira temporada de Battlestar Galactica deveria também trazer como extras: Comentários de Áudio com o diretor Michael Rymer e os produtores executivos David Eick e Ronald B. Moore, Esboços de Arte, Cenas Deletadas, Um Olhar Especial na Série Battlestar Galactica e Filmagens de Bastidores. Este material de fato integra o box lançado na Região 1, porém não se encontra nada disso aqui. Posteriormente li que a Universal, por um erro de fabricação, teria deixado de fora este material, no entanto, isso se justificaria se todos os extras estivessem reunidos num só disco que tivesse sido omitido. Mas não é o caso, por exemplo, dos comentários de áudio, que deveriam acompanhar cada episódio.

MENUS
Os menus do disco da minissérie-piloto são diferentes dos que estão nos discos de episódios: são vermelhos, estáticos e não foram traduzidos para o português.

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