O HOMEM QUE CAIU NA TERRA
Direção: Nicolas Roeg
Elenco:
David Bowie , Candy Clark, Rip Torn, Buck Henry, Bernie Casey, Jackson D Kane
Distribuidora: Universal / Studio Canal
Duração: 133 min.

Região: 4

Lançamento: 31/08/2007

Nº de discos: 1
Cotações:
Filme
DVD

Comentários de
Jorge Saldanha

O FILME
Um alienígena (David Bowie) vem à Terra e adota o disfarce de um homem de negócios chamado Thomas Jerome Newton. Seu objetivo é levar água para o seu planeta, onde sua esposa e filhos estão morrendo lentamente. Ele utiliza a tecnologia avançada que traz consigo para ganhar bilhões de dólares, que serão necessários para construir a espaçonave que irá levá-lo de volta para casa junto com a água. Mas o gentil Newton não está preparado para a ganância e a crueldade de seus novos colegas de negócios e rivais, e logo descobre que a missão será muito mais difícil do que ele havia imaginado.

A década de 1970 foi pródiga em filmes de ficção científica, e em 1976, um ano antes de Guerra nas Estrelas levar o gênero para o caminho da aventura arrasa-quarteirão, o diretor Nicholas Roeg dirigiu este cerebral O Homem que Caiu na Terra. Pela trama, o filme parece ser um descendente direto de O Dia em que a Terra Parou e um antecessor de E. T. – O Extraterrestre – contudo, ele possui diversas características que o distanciam dos filmes citados. O que mais se destaca é a escalação de David Bowie, então no auge de sua fama como rock star, para o papel principal. Com seu visual esquisito e sotaque britânico, ele dá ao personagem Newton a estranheza que o filme de Roeg exigia. Já o estilo minimalista de filmagem do diretor afasta a produção do cinema convencional de Hollywood. Praticamente não há tecnologia espacial visível, além das cenas de arquivo da NASA. O planeta de Newton não passa de um deserto comum e os aliens vestem roupas de plástico com tubinhos para lhes levar a água. Detalhes importantes são ignorados no roteiro (Porque uma civilização com capacidade de viajar mais rápido que a luz não consegue extrair água da atmosfera? Porque Newton precisa que os cientistas da Terra inventem um veículo para levá-lo de volta ao seu planeta, quando bastaria que ele lhes desse os esquemas da nave que certamente o trouxe à Terra?), que está mais interessado em discutir temas como a alienação, a necessidade de estabelecer laços humanos e o domínio das corporações, além de mostrar as particularidades dos personagens e seus inter-relacionamentos. Thomas Jerome Newton é mostrado mais como um excêntrico tipo Howard Hughes do que como um extraterrestre, mesmo quando examinado como uma cobaia de laboratório - os cientistas são incapazes de detectar os implantes que o fazem parecer-se com um humano. O filme é tipicamente setentista na forma como aborda o sexo: dentro da então florescente liberdade sexual, Roeg não economiza em cenas de nudez, inclusive frontal. Se você nunca viu o pênis de David Bowie, esta é a sua chance. As platéias de hoje, acostumadas com o desenrolar linear das tramas, poderá ficar confusa com a edição utilizada, que combina o estranho senso de percepção de Newton com as visões de seu planeta. Entre outras esquisitices, há um acena em que Newton passa de limusine num local e uma espécie de janela do tempo se abre, permitindo que ele veja os habitantes dali no século anterior, e vice-versa. Sem falar que os personagens envelhecem, indicando a passagem de muitos anos, mas Newton, os carros e as roupas não mudam. Enfim, O Homem que Caiu na Terra é um filme que, com seu estilo de filme de arte setentista, não envelheceu bem, e hoje deve atrair apenas a apreciadores de ficção científica e, principalmente, fãs de David Bowie, que nele fez sua auspiciosa estréia como ator.

O DVD
O filme está apresentado em seu formato original widescreen anamórfico na proporção 2.35:1. Por se tratar de mais um lançamento da parceria Universal / Studio Canal, foi utilizada uma transferência PAL convertida para NTSC, o que acarretou a redução da metragem original do filme, de 138 min. para 135 min. Isto ocorre não porque tenha havido cortes, mas sim porque a transferência PAL possui uma aceleração de 4% em relação à NTSC. Além disso, este tipo de conversão, quando mal feita, pode provocar problemas como perda de nitidez e surgimento de ghosting. Estes defeitos não estão muito aparentes aqui, e apesar de o filme ter mais de 30 anos, a imagem está bem definida e as cores, firmes. Talvez se comparada com o lançamento da Anchor Bay possam ser notadas maiores diferenças de qualidade, mas vista isoladamente a imagem do DVD nacional é satisfatória. Quando do lançamento nos cinemas de O Homem que Caiu na Terra, ainda não havia o áudio Dolby Stereo, porém algumas cópias possuíam quatro canais. Infelizmente o áudio original deste disco, bem como a dublagem em português, é tão somente Dolby Digital 2.0 (Dolby Surround análogo). As várias canções do filme soam bem, porém sentimos falta de áudio multicanal. As caixas surround raramente são usadas – uma das exceções é na cena do lançamento do foguete, quando alguns diálogos são ouvidos no canal traseiro. Os menus são animados, e as legendas em português são acionadas automaticamente quando é selecionado o áudio original em inglês. Se você quiser mudar as legendas para espanhol ou inglês (ou eliminá-las), terá de fazê-lo via controle remoto.

OS EXTRAS
Tendo perdido um disco em relação ao DVD original da Anchor Bay, o lançamento nacional pelo menos preservou alguns extras interessantes, com legendas em português.

  • Observando o Alienígena (24min.) – Produzido para o DVD da Anchor Bay, este documentário com vídeo wide anamórfico traz entrevistas com o diretor Roeg, a atriz Candy Clark, o diretor de fotografia Anthony Richmond, o produtor executivo Si Livtvinoff e outros. Entre várias informações, descobrimos que Roeg queria dirigir um filme sci fi com total liberdade de imaginação, e o projeto seria A Laranja Mecânica. Mas não houve acerto e o filme acabou sendo O Homem que Caiu na Terra. Litvinoff destaca que este filme de Roeg acabou sendo uma espécie de precursor de longas como Amnésia e Cidade dos Sonhos, que também manipulam o tempo;

  • Sonhando com o Lar: Entrevista com o Roteirista Paul Mayersberg (15min.) – Entrevista gravada em Paris em 2005, para integrar o relançamento pela Studio Canal. Nela o roteirista discute, entre outros aspectos, o livro que inspirou o filme, e como ele e Roeg buscaram equivalentes cinemáticos para seus temas e imagens; 

  • Trailers do filme (8min.) – Sem legendas, este vídeo reúne alguns trailers, que lá pela metade já se tornam repetitivos;

  • Completam os extras: Galeria de Fotos e Biografia e Filmografia de David Bowie e Nicolas Roeg (textos em português.

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