NIP/TUCK - A PRIMEIRA TEMPORADA COMPLETA
Direção: Vários
Elenco:
Dylan Walsh, Julian McMahon, John Hensley, Valerie Cruz, Roma Maffia, Joely Richardson, Linda Klein, Kelsey Batelaan, Kelly Carlson, Jessalyn Gilsig
Distribuidora: Warner
Duração: 638 min.

Região: 4

Lançamento: 19/08/2005

Nº de discos: 5
Cotações:
Filme:
DVD:

Comentários de
Jorge Saldanha

A SÉRIE
Sean McNamara (Dylan Walsh) e Christian Troy (Julian McMahon) são requisitados cirurgiões plásticos de Miami. Paralelamente às histórias dos pacientes que buscam sua clínica para realizarem cirurgias estéticas ou de correção, acompanhamos os dramas pessoais dos dois médicos. Tudo se complica quando, graças ao comportamento antiético de Christian, os cirurgiões envolvem-se com um traficante que traz drogas para Miami dentro de próteses de silicone. E de repente não apenas suas vidas, mas também as da esposa e dos filhos de Sean, estão em risco.

Nip/Tuck é uma criação de Ryan Murphy, exibida desde 2003 nos EUA pelo canal FX (por lá já está entrando na terceira temporada) e aqui no Brasil pela Fox. Ano passado, quando vi a chamada para a estréia do programa, não levei muita fé - pelo que sabia, era uma espécie de soap opera (novela americana) com ênfase nas cenas de cirurgias plásticas. Ou seja, não era exatamente o tipo de série de TV à qual gostaria de acompanhar. Pois bem, me enganei redondamente e me viciei no programa. Nip/Tuck é algo completamente diferente de tudo o que se viu na TV do Tio Sam, e a série me conquistou já no episódio piloto. Certo, ela tem mesmo elementos de novela e, para os mais desavisados, o que mais marca são as “cirurgias da semana” mostradas em cenas bem explícitas. Mas tudo isso é apenas a ponta do iceberg, já que a série é muito mais complexa e cativante do que possa parecer à primeira vista. Ou seja, pegando carona em sua temática, dá para dizer que de fato, neste caso, as aparências enganam. A proposta do programa pode ser sintetizada pelo título de sua hipnótica canção-tema, “A Perfect Lie” (Uma Mentira Perfeita), que pode referir-se tanto à busca pela aparente perfeição estética (no caso dos procedimentos cirúrgicos), como às próprias vidas dos protagonistas. Murphy e sua equipe de roteiristas souberam criar, além de histórias muito criativas, personagens cativantes, bem desenvolvidos e multifacetados. Sean é um cirurgião com cara de nerd, casado, certinho e conservador; já o bonitão e solteirão Christian, com suas roupas de grife, carros último tipo e vício por sexo, é praticamente seu oposto. É um cara egoísta, e sua falta de ética muitas vezes coloca os médicos em apuros. A profunda amizade destes homens tão diferentes, que além de profissionais realizados são, principalmente, sujeitos cheios de conflitos, é a base sobre a qual a série se sustenta. Em vários momentos vemos essa amizade ser posta à prova, tanto por motivos profissionais como pessoais. Sean está em crise de meia idade e tem problemas com sua esposa Julia (Joely Richardson) e seu filho, enquanto Christian, que não titubeia em transar com todas as clientes jovens e bonitas, inveja seu amigo por ter uma família perfeita (apenas na aparência, no início da primeira temporada, inclusive, o casal está prestes a se separar). Na verdade Christian é apaixonado por Julia, que por sua vez, ainda é atraída por Christian, e sente-se anulada por ter abandonado a faculdade de Medicina para casar com Sean. Já o filho de Sean, Matt, considera Christian o pai que deveria ter tido. De um modo geral o elenco defende os personagens (principais e secundários) de modo excepcional, mas sem dúvida Walsh (de Congo) e principalmente McMahon (visto recentemente como o vilão de Quarteto Fantástico e um dos nomes que foram cogitados para ser o novo James Bond), roubam a cena. Como já referi antes, os personagens são multifacetados, e eventualmente tomam atitudes absolutamente inesperadas. Nestas ocasiões, por mais absurdas que sejam, a estupenda atuação dos dois atores, auxiliada pelos ótimos textos dos roteiristas, fornece toda a credibilidade (e, eventualmente, dramaticidade) necessária para que o espectador aceite suas ações. Sean por exemplo, apesar de conservador, rompe com seus preconceitos e aceita operar, gratuitamente, um transexual que quer mudar de sexo. Já Troy, que usa as mulheres apenas como objetos de prazer e é capaz de atitudes profissionais inescrupulosas, revela ser um cara extremamente humano ao criar e amar como filho uma criança que não é sua. Enfim, junte a tudo isso um humor ácido, lindas mulheres, cenas ousadas de sexo (pelo menos para os padrões televisivos) e algumas situações chocantes, e verá que Nip/Tuck é muito mais do que uma soap opera. Se ainda não conhece a série, confira este box de DVDs.

O DVD
Nip/Tuck chega em DVD ao Brasil em um box com cinco discos, que reúnem os 13 episódios da primeira temporada. Uma luva de cartolina envolve os suportes plásticos dos discos, “encadernados” como folhas de um livro - a chamada embalagem digistack. Estranhamente, toda a parte gráfica identifica a série por seu título original (algo que poderia ser traduzido como “Puxa/ Estica”), porém na dublagem e nas legendas em português ele é traduzido como “Estética”. Os episódios são apresentados em widescreen anamórfico 1.78:1, e em praticamente todas as cenas notamos granulação – detalhe que não é perceptível quando a série é exibida com menor resolução na TV (talvez isto decorra do fato dos episódios serem filmados quase que apenas com luz natural). Em compensação não há artefatos de compressão ou defeitos de película visíveis. As cores são ricas, vivas, e tanto a nitidez como a definição estão muito boas. O áudio, em inglês e português, é Dolby 2.0. Como de hábito, achei a dublagem em português abafada e com menor espacialidade. Já o áudio original em inglês, apesar de não ser multicanal, é de boa qualidade. Os diálogos são claros e os efeitos sonoros são notados, principalmente, nos dois canais frontais – o canal surround é acionado principalmente na reprodução da trilha musical. Apesar de achar que o áudio Dolby Digital 5.1 sempre é preferível ao 2.0, o som de Nip/Tuck está adequado aos propósitos do programa.

OS EXTRAS
A primeira temporada de Nip/Tuck apresenta, como extras, alguns featurettes interessantes (todos legendados em português), não mais do que isso. Nenhum episódio contém comentários de áudio (recurso ultimamente quase que obrigatório), porém em cada disco temos cenas eliminadas que podem ser acessadas selecionando-se o pequeno bisturi que está abaixo do título dos episódios correspondentes. O restante dos extras está no quinto disco, juntamente com o último episódio da temporada:

Sala de Edição: Escobar Gallardo – São as cenas eliminadas do episódio final da temporada. Aliás, chega a surpreender a quantidade de cenas interessantes que foram cortadas na edição final, certamente apenas em virtude da obrigatoriedade de os episódios serem encurtados;
Dando Uma Nova Face ao Drama – Com pouco mais de 23 minutos, este é o making-of da primeira temporada, focado na criação do programa, seus personagens, a polêmica das cenas das cirurgias e o visual dos episódios, incluindo entrevistas com Ryan Murphy, elenco e equipe;
Expectativas Realistas: A Prática da Cirurgia Plástica – Por quase oito minutos, cirurgiões plásticos reais discutem sua profissão e opinam sobre a série;
São Verdadeiros ou Falsos? - Os Milagrosos Efeitos de Maquiagem de Nip/Tuck – Como sou meio sádico, este extra com pouco mais de seis minutos foi o que mais gostei. Ele trata dos efeitos visuais de maquiagem criados pelo veterano Tom Burman e sua equipe, para tornar realistas as cenas de operações plásticas que vemos na tela;
A Perfect Lie” - Vídeo MusicalClipe de quase dois minutos com a versão remix da música-tema. Fique à vontade para aumentar o volume;
Partes Eliminadas – Título sugestivo para 4:38 minutos com divertidos erros de gravação.

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