NOSFERATU (1979)
Direção: Werner Herzog
Distribuidora: Anchor Bay
Região: 1

Ano: 2002
Nº de discos: 1

Cotações:
- Filme:
- Versão em alemão: imagem:
 som: ; extras:
- Versão em inglês: 
imagem:
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Comentários de
Luiz Felipe do Vale Tavares

O FILME
De acordo com Werner Herzog, F. W. Murnau foi o maior diretor alemão de todos os tempos, assim como Nosferatu (de 1922) o melhor filme alemão já produzido. Para homenageá-lo, nada melhor do que realizar uma refilmagem desse clássico; e foi isso que Herzog fez em 1979. A história é sobre um agente imobiliário, Jonathan Harker, que é enviado para a Transilvânia com a função de vender um loteamento em Wismar, na Alemanha, para o misterioso Conde Drácula. Ao chegar, Jonathan é feito prisioneiro do Conde e este parte para Wismar à procura de sangue, de preferência o sangue de Lucy, esposa de Jonathan, interpretada por Isabelle Adjani. Drácula chega a Wismar, trazendo milhares de ratos e, conseqüentemente, a peste negra. O pânico cresce na cidade devido ao elevado número de mortos causados pela peste, enquanto Drácula fica na espreita para obter o sangue de Lucy. Diferentemente de outras versões de Drácula, aqui a heroína do filme é a própria Lucy, determinada a destruir o vampiro, enquanto todos os homens permanecem amedrontados pela peste e céticos em relação à existência do vampiro. Herzog possui um método próprio de direção em seus filmes e não queria apenas copiar o Nosferatu original de Murnau. A intenção era trabalhar em cima da mesma história, porém com modificações suficientes para distinguir um ou do outro. O resultado foi outro clássico do cinema alemão. As diferenças começam pela abordagem da história. O Nosferatu original era basicamente um filme de terror sobre vampiros, adaptado livremente do livro “Drácula”, de Bram Stoker, onde Murnau utilizou toda a técnica do Expressionismo Alemão para criar imagens antológicas. Para evitar problemas com os direitos autorais, Murnau alterou o nome de todos os personagens; assim, Drácula se tornou Orlock, Mina se tornou Ellen e Jonathan Harker se tornou Hutter. O vampiro Orlock, no original magistralmente interpretado por Max Schreck, é um cadáver ambulante, com aparência de rato e morcego, uma criatura que vive para assombrar e espalhar a morte por onde passa. Já na refilmagem, Herzog optou por conservar os nomes da obra original de Stoker e seu vampiro, o Conde Drácula, interpretado aqui de forma excelente por Klaus Kinski, é um ser atormentado pela vida eterna e pela sede de sangue, isolado do mundo, uma criatura repulsiva mas que desperta um pouco de compaixão. Nas palavras do próprio vampiro, poder envelhecer é uma benção e não há nada pior do que sobreviver por séculos experimentando a mesma futilidade dias após dia. O Nosferatu de Herzog não é exatamente um filme de terror e nem de suspense; é um filme de arte com elementos de horror, mas onde predomina a beleza das imagens e a excepcional fotografia. É um filme belíssimo, porém lento. Certamente não é indicado para todos os gostos, mas irá agradar bastante os fãs do cinema europeu. Há um dado muito interessante a respeito desse filme. A Fox americana estava interessada na compra dos direitos de distribuição, mas queria um filme falado em inglês, não em alemão com legendas. Herzog estava decidido a rodar o filme em alemão e tomou uma decisão incomum para evitar problemas com dublagens: resolveu filmar cada cena duas vezes, uma com os atores falando em alemão e outra com os mesmos atores falando inglês. Como a maior parte do elenco falava as duas línguas, não havia problemas em se utilizar desse método de filmagem; porém, Isabelle Adjani, que apenas falava francês, teve que ser dublada nas duas versões. O resultado são dois filmes diferentes, pois a atuação dos atores em cada versão varia muito. Há quem diga que a edição falada em alemão é a melhor, por ser mais séria, enquanto que a edição em inglês tem um certo teor cômico nas atuações. Eu não diria que há esse teor cômico, mas alguns dos diálogos são proferidos de forma exagerada e com entonação mais acentuada na versão em inglês. Também sou partidário da versão em alemão, por ser mais natural nas interpretações e colaborar melhor na ambientação do filme; convenhamos, um filme que se passa na Alemanha, com aqueles cenários e casas típicas do país, fica um tanto fora de contexto se todos falam em inglês. 


O DVD:

Imagem: Lançado nos EUA pela Anchor Bay, Nosferatu é apresentado em um DVD duplo. O primeiro disco apresenta a versão falada em inglês, e o segundo a edição falada em alemão, com legendas em inglês. Ambas as edições são apresentadas em widescreen anamórfico, na proporção de 1.85:1. A imagem está muito boa, mas nada de muito excepcional, como é de se esperar de um filme europeu de baixo orçamento rodado no final dos anos 70. A nitidez é boa pela maior parte do filme e as cores são precisas e corretamente saturadas. Há excesso de granulação nas cenas mais escuras.
Som:
A edição falada em alemão possui opção de áudio em Dolby Stereo e Dolby Digital 5.1. Entretanto, as duas trilhas mais se parecem como um áudio em mono expandido, mas nada que comprometa a qualidade, dada as limitações do material. A edição falada em inglês é apresentada em mono apenas. A qualidade é basicamente a mesma da edição em alemão.
Extras: Temos uma excelente trilha de comentários do diretor Herzog, com ótimas histórias sobre os bastidores da produção; um interessante, porém curto, making-of de 13 minutos, mostrando Herzog filmando e o elenco se preparando para rodar as cenas; trailers originais de cinema; biografia e filmografia de Herzog e Kinski. Todos os extras estão contidos no disco 2, onde é apresentada a versão falada em alemão.

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