RISE - A RESURREIÇÃO
Direção: Sebastian Gutierrez
Elenco:
Lucy Liu, Michael Chiklis, Robert Forster, Carla Gugino, Cameron Richardson, Allan Rich, Mako Iwamatsu
Distribuidora: Universal
Duração: 122 min.

Região: 1, 4

Lançamento: 26/03/2008

Nº de discos: 1
Cotações:
Filme
DVD

Comentários de
Jorge Saldanha

SINOPSE
Sadie é uma repórter investigativa que descobre um culto secreto que está atraindo jovens de Los Angeles. Seduzidos pela promessa de grandes festas eles começam a aparecer mortos, e quando Sadie tenta chegar ao fundo da história, também se torna uma vítima. Ela acorda no necrotério, nem viva nem morta, tentando lutar contra a sede de sangue que a consome. Sadie decide ir atrás das pessoas que a tornaram uma vampira. Em sua jornada de vingança ela se une ao detetive Rawlins, que teve sua filha assassinada pelo clã.

COMENTÁRIOS
O vampiro talvez seja a mais tradicional das criaturas sobrenaturais do folclore e da literatura já levadas às telas. É natural, portanto, que o mito tenha sofrido um enorme desgaste ao longo destes mais de 100 anos de cinema. Na tentativa de manter vivo o interesse nos monstros sugadores de sangue, principalmente após o final do ciclo do célebre estúdio inglês Hammer, os cineastas foram colocando-os em meios que fogem ao habitual terror gótico. Assim, cada vez mais vimos vampiros em comédias, sátiras e filmes de ação, onde mais do que para inspirar terror no espectador, o monstro era utilizado para divertir. Nos anos 1980 tivemos principalmente dois filmes que destacaram e modernizaram o vampiro – A Hora do Espanto e Os Garotos Perdidos, e a partir do final do século 20, em produções como Blade – O Caçador de Vampiros e Underworld – Anjos da Noite, os dentuços tiveram destaque como heróis/vilões de ação. Enfim, existem incontáveis filmes e séries de TV sobre o tema, muitos buscando uma maneira de reinventar o mito do vampiro.

E isto nos traz a este Rise – A Ressurreição (2006), escrito e dirigido por Sebastian Gutierrez, roteirista de Na Companhia do Medo e Serpentes a Bordo – referências sem dúvida não muito animadoras. O filme da Ghost House Pictures, produtora de Sam Raimi responsável por títulos como O Grito e 30 Dias de Noite, tenta usar a figura tradicional, sanguinária, do vampiro, mas num ambiente mais urbano e moderno (uma tendência iniciada já nos anos 1970) e sem algumas de suas características mais famosas, como seus caninos salientes. Para se alimentar de sangue, eles cortam a jugular de suas vítimas com uma pequena adaga o que, convenhamos, tira muito do charme da criatura da noite. Além disso, os vampiros de Rise não se transformam em morcegos e não possuem força sobre-humana. Mas apesar das tentativas em inovar, o filme ficou quase dois anos engavetado pelo estúdio e, fora dos EUA, foi lançado diretamente em DVD. Assistindo-o, é fácil de notar o porquê: ele parece uma colcha de retalhos formada por trechos de muitos outros filmes do gênero, e sua narrativa não-linear o torna um pouco confuso. Para piorar a trama é lenta, os sustos e a ação são escassos e o vilão Bishop (James D’Arcy) não transmite nenhum senso de ameaça ou sedução.

Portanto, e isto não deixa de ser curioso, Rise é um filme de vampiros cujos maiores atrativos estão em outros aspectos, especialmente em seu elenco. A sino-americana Lucy Liu (As Panteras, Kill Bill Vol. 1) se entrega de forma convincente ao personagem, especialmente nas seqüências após sua transformação, onde luta para aceitar sua nova condição e chega até mesmo a tentar suicídio. Também protagoniza cenas apimentadas com algumas colegas de elenco, e mostra (discretamente) sua nudez – para muitos isso por si vale no mínimo uma locação. Carla Gugino (Sin City) também embeleza o filme, e é uma pena que sua vampira Eve apareça tão pouco na história. Outro valor sub-aproveitado é o ótimo Michael Chiklis (The Shield, Quarteto Fantástico), que ganha maior exposição apenas na reta final da história. O elenco também traz curiosidades como o veterano ator japonês Mako (de incontáveis aparições na TV e no cinema) em seu último filme, e as pontas de Robert Forster (Jackie Brown) e do roqueiro Marilyn Manson, irreconhecível como o atendente de bar.


O DVD
Talvez o aspecto que mereça mais destaque neste DVD é que o filme, ao contrário dos 90 minutos indicados na capa, possui 122 minutos. Esta duração indica que temos aqui a montagem Unrated lançada em DVD nos EUA, e não a versão que passou nos cinemas de lá. O formato de tela está na proporção original widescreen anamórfico 1.85:1, e a transferência possui uma qualidade muita boa, apesar de ter achado algumas cenas noturnas escuras demais. As cores são vivas e firmes, e não há problemas aparentes de compressão. Tanto o áudio original em inglês como a dublagem em português são Dolby Digital 5.1, com fidelidade e espacialidade ótimas. As legendas, brancas, estão disponíveis em português e inglês.

OS EXTRAS
O DVD que a Universal lançou para venda direta é idêntico em todos os aspectos ao que já havia saído para locação em dezembro de 2007, portanto não traz extra algum. Está certo que Rise – A Ressurreição não é nenhuma obra-prima, mas bem que merecia alguma espécie de material suplementar. Só para constar, o DVD Unrated lançado nos EUA traz como extras os featurettes com dois minutos de duração cada “Blood”, “Sex and Murder”, “Location, Location…” e “Stunts”, além do trailer de cinema e prévias de outros lançamentos em DVD.

MENUS
Os menus são simples, sendo o principal animado com cenas do filme.

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