TERROR EM SILENT HILL
Direção: Christophe Gans
Elenco:
Radha Mitchell, Sean Bean, Laurie Holden, Deborah Kara Unger, Kim Coates, Tanya Allen, Alice Krige, Jodelle Ferland, Colleen Williams, Ron Gabriel
Distribuidora: Sony
Duração: 125 min.
 

Região: 4

Lançamento: 16/05/2006

Nº de discos: 1
Cotações:
Filme
DVD

Comentários de
Jorge Saldanha

O FILME
Rose (Radha Mitchell) é uma mãe desesperada que, após sua filha adotiva Sharon (Jodelle Ferland) ter sofrido um ataque quase fatal de sonambulismo, a leva para a cidade fantasma de Silent Hill na tentativa de resolver o mistério que faz com que a menina tenha terríveis pesadelos, nos quais sempre menciona a cidade. No caminho elas são abordadas pela policial rodoviária Cybil (Laurie Holden), que as persegue achando tratar-se de um rapto. Em alta velocidade na estrada que leva a Silent Hill e tentando evitar o atropelamento de uma garota que surgiu no meio da estrada, Rose perde o controle do carro e desmaia. Quando acorda, Sharon desapareceu. Chegando na cidade, sempre coberta por uma constante neblina de cinzas, Rose reencontra Cybil. Não demora para descobrirem que, juntamente com outras pessoas que ali vivem, ambas estão isoladas numa espécie de limbo que freqüentemente se transforma numa dimensão infernal, habitada por perigosas criaturas deformadas. Nessas ocasiões, o único local seguro é a igreja da cidade. Enquanto seu marido Chris (Sean Bean) tenta encontrá-la, Rose começa a desvendar a verdade sobre sua filha adotiva e o apocalíptico incêndio que amaldiçoou Silent Hill há 30 anos.

"Silent Hill" foi um memorável jogo de horror e ação lançado há quase 10 anos para o console Playstation, na esteira do sucesso de "Resident Evil". Em comparação a este, era um game mais sombrio, trazendo criaturas bem mais grotescas e com ênfase no terror psicológico. Sua trama, complexa, era outro diferencial, e seu êxito acabou gerando uma rentável franquia para a produtora Konami. A exemplo de outros games de sucesso, como o próprio "Resident Evil", "Silent Hill" finalmente acabou recebendo uma versão cinematográfica, roteirizada por Roger Avary ( Pulp Fiction) e dirigida pelo competente Christophe Gans (O Pacto dos Lobos). O resultado final é uma prova da admiração e respeito de ambos pelo original – gamers assumidos, consideram "Silent Hill" uma obra-prima dos videogames, e não mediram esforços para que, apesar de algumas modificações (no jogo o personagem principal é um homem) e adaptações, necessárias para a transposição para as telas, o filme conservasse a essência da fonte. E sob esse aspecto foram vitoriosos, já que Terror em Silent Hill é a mais fiel adaptação de um game já feita para o cinema, que agradou a maioria dos fãs – o que não aconteceu, por exemplo, com os filmes da série Resident Evil, que se distanciaram demasiadamente da trama dos games. Mesmo para quem nunca jogou o game, Terror em Silent Hill é um filme de horror dos bons, de produção caprichada e que traz muito clima, sustos e sangue. A direção de arte, a iluminação, o som, os efeitos visuais, todos excelentes, colaboram para criar uma atmosfera genuinamente aterrorizante. Para quem se arrepiou muitas noites jogando em seu Playstation, o filme impressiona pela fidelidade com que as criaturas de pesadelo foram levadas à tela. Fantástica, também, a recriação da cidade fantasma de Silent Hill: várias locações do game estão lá, idênticas. Outro exemplo do esforço de capturar a essência do jogo está em sua trilha sonora. Apesar de o filme contar com uma climática trilha musical composta por Jeff Danna, foram utilizadas várias músicas do jogo, e a combinação final ficou perfeita. Claro que o filme tem seus problemas: mesmo para quem conhece o game a trama é bem complicada, e suas mais de duas horas de duração são excessivas. E no final há uma perceptível perda de foco, quando o clima de horror psicológico é substituído por uma sangrenta carnificina que parece ter saído de Hellraiser. Mas apesar disso, Terror em Silent Hill é um filme bem sucedido por trazer boas interpretações, atmosfera e visual únicos e impressionantes, trama instigante, sustos e respeito à fonte.

O DVD
Aposto que Terror em Silent Hill receberá, num futuro próximo, uma edição mais caprichada. Mas já este DVD, apesar de simples, possui uma ótima qualidade técnica. A transferência de vídeo, no formato original widescreen anamórfico 2.35:1 (feita em alta definição) é ótima - apesar de em alguns momentos notarmos algum edge enhancement em torno de objetos escuros filmados à frente de fundos claros. Mas o contraste, cores (apesar dos filtros usados para criar o visual de pesadelo exigido na maior parte do tempo) e níveis de preto são excelentes. O aúdio Dolby Digital 5.1, em inglês, português e espanhol, é agressivo nos momentos certos e valoriza os efeitos sonoros e a trilha musical, que juntamente com o visual único são elementos importantes para a construção do clima de horror do filme.

OS EXTRAS
O DVD traz como grande extra (além de alguns trailers de outros lançamentos da Sony), o making of de 59 minutos originalmente intitulado "Path of Darkness: Making 'Silent Hill", que é dividido em seis partes que podem ser vistas individualmente ou em seqüência: Origens, Elenco, Cenário, Estrelas e Dublês, Criaturas Libertadas e Coreografia das Criaturas. Cada segmento se relaciona a um aspecto da produção, e ao longo deles temos depoimentos do elenco, do diretor e outras pessoas envolvidas na realização, como o responsável pelas criaturas Patrick Tatopoulos. Aliás, é dado bastante destaque à criação dos monstros. Pena que em quase uma hora nada é mencionado sobre a música do filme, que utiliza parte da trilha original do jogo composta por Akira Yamaoka. Seria interessante ouvir Jeff Danna comentar sobre as músicas que compôs, em comparação às que vieram do videogame (excelentes, por sinal).

MENUS
Os menus estáticos (exceto o principal, que é animado) estão bem de acordo com o clima de pesadelo do filme.

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