CAPITÃO SKY E O MUNDO DE AMANHÃ
Direção: Kerry Conran
Elenco:
Jude Law, Gwyneth Paltrow, Angelina Jolie, Giovanni Ribisi
Distribuidora: Paramount
Duração: 106 min.

Região: 4

Lançamento: 15/06/2005

Nº de discos: 1
Cotações:
Filme:
DVD:

Comentários de
Jorge Saldanha

O FILME
Em um 1939 de visual estilizado, diferentes partes do mundo são atacadas por gigantescos robôs, que roubam máquinas e matérias-primas. A jornalista Polly Perkins (Gwyneth Paltrow), encarregada de escrever um artigo sobre estes eventos, descobre que eles estão relacionados com o sumiço de vários renomados cientistas. Polly, com a ajuda de seu ex-namorado, o Capitão Joseph “Sky” Sullivan (Jude Law), exímio piloto de caça e líder de um exército de mercenários, sai pelo mundo no encalço de Totenkopf, a figura misteriosa que está por trás dos ataques.

Capitão Sky e o Mundo de Amanhã é daqueles projetos de sonho de um cinéfilo, no caso o novato Kerry Conran. O cara, obviamente fanático por antigos filmes de aventura e seriados, desenvolveu um conceito para homenagear as produções do gênero, cujo primeiro resultado foi um curta-metragem de seis minutos realizado em 1998. Em preto e branco e, à exceção de atores reais, todo realizado em computação gráfica, o curta agradou o produtor Jon Avnet, que resolveu produzir um longa-metragem nos mesmo moldes. O projeto consumiu quase três anos e setenta milhões de dólares, gastos principalmente na pré e pós-produção, esta envolvendo uma equipe de técnicos em efeitos visuais especialmente criada por Conran para o filme – o que não dispensou a colaboração de empresas do ramo, como a afamada ILM de George Lucas. O resultado apresenta contrastes notáveis. Vemos na tela a tecnologia de ponta sendo usada para criar um visual futurista mas propositadamente retrô. Assim como o curta-metragem, à exceção dos atores (que interpretaram o tempo todo na frente de um fundo azul), praticamente tudo o que vemos é feito em CGI: paisagens, cenários, automóveis, robôs, etc. Como toque final, o filme, originalmente todo rodado em preto e branco, foi colorizado usando o mesmo processo aplicado nas produções antigas. Ao final, a impressão que temos é a de ver na tela uma pintura, em especial nas seqüências passadas em Shangri-Lá. Merece ser mencionado o fato de que Conran utilizou o rosto do lendário e já falecido ator Sir Laurence Olivier, retirado de filmes antigos, para criar o vilão Totenkopf. Permeado de citações a clássicos filmes e seriados dos anos 30 e 40, como Flash Gordon, Rocket Man e King Kong, o filme garante bons momentos de ação (principalmente nos frenéticos combates aéreos e submarinos) e apresenta Jude Law, Gwyneth Paltrow e Giovanni Ribisi em boas atuações. No entanto os dois primeiros não possuem uma boa química, essencial para reforçar uma ligação amorosa típica dos filmes do gênero. Angelina Jolie, apesar de aparecer pouco como a durona Franky, comandante de um porta-aviões voador, marca presença graças ao seu visual incomum e obviamente fetichista – de tapa-olho e vestida em um uniforme justo de couro. A trilha sonora, adequadamente heróica, ficou a cargo de Ed Shearmur, um compositor promissor que vêm se destacando nos últimos anos. A crítica não foi muito complacente com Capitão Sky, taxado de ser mais um filme com muita forma e pouco conteúdo. O filme de Conran tem um roteiro simplório, e seus personagens são minimamente desenvolvidos, mas boa parte disso é decorrência do próprio conceito do projeto. Afinal, ele procura refletir o que eram as antigas produções do gênero, e por isso mesmo é o tipo de realização que será melhor apreciada por quem as conheça e as aprecie.

O DVD
O filme de Conran, lançado na Região 1 pela Paramount e aqui pela Warner, não mereceu um DVD duplo – provavelmente por não ter se saído bem nas bilheterias. Mesmo assim o DVD simples é caprichado. Os menus (o principal é animado) reproduzem o mesmo estilo visual do filme, apresentado em formato widescreen anamórfico 1.85:1. A imagem é propositalmente um pouco embaçada, para simular a experiência de estarmos assistindo a um filme bem antigo – sensação reforçada com a colorização utilizada, que dá à imagem um tom predominantemente sépia. A transferência é praticamente impecável, sem qualquer artefato visível, proporcionando uma bela versão de Capitão Sky no formato digital. Ambas as faixas de áudio disponíveis, em inglês e português, são Dolby Digital 5.1, com diálogos claros no canal central, muitos efeitos surround e graves potentes que exigirão um bom subwoofer. Quanto às legendas, elas estão em três idiomas: português, inglês e espanhol. É interessante notar que, ao contrário das embalagens Amaray transparentes que a Warner vem utilizando, Capitão Sky e o Mundo de Amanhã possui uma embalagem preta.

OS EXTRAS
Para um DVD simples, Capitão Sky traz extras interessantes e em boa quantidade, todos legendados em português. Vejamos:

Comentários de Áudio
– Temos duas faixas de comentários, uma com o produtor Jon Avnet e outra com o diretor/roteirista Conran e técnicos da equipe VFX. Em ambas temos muitas informações sobre a origem do projeto, a escalação dos atores, os desafios enfrentados na produção, criação dos efeitos, etc.;
Admirável Mundo Novo - Capítulos 1 & 2 – O melhor extra é este interessante Making of com aproximadamente uma hora de duração, dividido em dois capítulos. Neles temos depoimentos de Conran, Avnet, do elenco e da equipe, e cenas de bastidores. É um acurado documentário sobre a produção de um filme incomum;
A Arte do Mundo de Amanhã – Neste featurette de 10 minutos, Kevin Conran (irmão de Kerry), desenhista de produção e de figurinos, utiliza storyboards e desenhos para comentar o visual de Nova York, dos cenários, máquinas e personagens;
O Curta Original – É o curta-metragem original de 1998, com seis minutos, concebido como o primeiro capítulo que introduz a história. Feito por Conran em seu computador Mcintosh, à exceção de ser em preto e branco e de utilizar outros atores, ele é quase idêntico ao início do longa-metragem;
Cenas Adicionais – São duas cenas que não foram aproveitadas na montagem final. “A Sala de Torturas de Totenkopf” chegou a ser finalizada, enquanto que em “A Esteira Transportadora” os atores, na frente do fundo azul, interagem com robôs criados em uma animação rudimentar (nesta cena aparece um modelo de robô que não apareceu no restante do filme);
Erros de Gravação – Quatro minutos de gafes do elenco e algumas brincadeiras criadas pela equipe de computação gráfica;
Easter Egg – Encerrando os extras, há uma brincadeira escondida mas bem fácil de achar, envolvendo a equipe de animadores e os robôs com braços de tentáculos. Se você olhar bem a foto do menu dos extras que ilustra esta resenha, irá descobri-lo.

Na contra-capa do DVD está indicada a existência de um trailer, que não encontramos. Pelo jeito eles se referiram ao trailer de O Aviador, que é reproduzido quando inserimos o disco no player


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