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O FILME
Em
um 1939 de visual estilizado, diferentes partes do mundo são atacadas
por gigantescos robôs, que roubam máquinas e matérias-primas. A
jornalista Polly Perkins (Gwyneth Paltrow), encarregada de escrever um
artigo sobre estes eventos, descobre que eles estão relacionados com o
sumiço de vários renomados cientistas. Polly, com a ajuda de seu
ex-namorado, o Capitão Joseph “Sky” Sullivan (Jude Law), exímio piloto
de caça e líder de um exército de mercenários, sai pelo mundo no encalço
de Totenkopf, a figura misteriosa que está por trás dos ataques.
Capitão Sky e o Mundo de Amanhã é daqueles projetos de sonho
de um cinéfilo, no caso o novato Kerry Conran. O cara, obviamente
fanático por antigos filmes de aventura e seriados, desenvolveu um
conceito para homenagear as produções do gênero, cujo primeiro resultado
foi um curta-metragem de seis minutos realizado em 1998. Em preto e
branco e, à exceção de atores reais, todo realizado em computação
gráfica, o curta agradou o produtor Jon Avnet, que resolveu produzir um
longa-metragem nos mesmo moldes. O projeto consumiu quase três anos e
setenta milhões de dólares, gastos principalmente na pré e pós-produção,
esta envolvendo uma equipe de técnicos em efeitos visuais especialmente
criada por Conran para o filme – o que não dispensou a colaboração de
empresas do ramo, como a afamada ILM de George Lucas. O resultado
apresenta contrastes notáveis. Vemos na tela a tecnologia de ponta sendo
usada para criar um visual futurista mas propositadamente retrô. Assim
como o curta-metragem, à exceção dos atores (que interpretaram o tempo
todo na frente de um fundo azul), praticamente tudo o que vemos é feito
em CGI: paisagens, cenários, automóveis, robôs, etc. Como toque final, o
filme, originalmente todo rodado em preto e branco, foi colorizado
usando o mesmo processo aplicado nas produções antigas. Ao final, a
impressão que temos é a de ver na tela uma pintura, em especial nas
seqüências passadas em Shangri-Lá. Merece ser mencionado o fato de que
Conran utilizou o rosto do lendário e já falecido ator Sir
Laurence Olivier, retirado de filmes antigos, para criar o vilão
Totenkopf. Permeado de citações a clássicos filmes e seriados dos anos
30 e 40, como Flash Gordon, Rocket Man e
King Kong, o filme garante bons momentos de ação
(principalmente nos frenéticos combates aéreos e submarinos) e apresenta
Jude Law, Gwyneth Paltrow e Giovanni Ribisi em boas atuações. No entanto
os dois primeiros não possuem uma boa química, essencial para reforçar
uma ligação amorosa típica dos filmes do gênero. Angelina Jolie, apesar
de aparecer pouco como a durona Franky, comandante de um porta-aviões
voador, marca presença graças ao seu visual incomum e obviamente
fetichista – de tapa-olho e vestida em um uniforme justo de couro. A
trilha sonora, adequadamente heróica, ficou a cargo de Ed Shearmur, um
compositor promissor que vêm se destacando nos últimos anos. A crítica
não foi muito complacente com Capitão Sky, taxado de ser
mais um filme com muita forma e pouco conteúdo. O filme de Conran tem um
roteiro simplório, e seus personagens são minimamente desenvolvidos, mas
boa parte disso é decorrência do próprio conceito do projeto. Afinal,
ele procura refletir o que eram as antigas produções do gênero, e por
isso mesmo é o tipo de realização que será melhor apreciada por quem as
conheça e as aprecie.
O DVD
O filme de Conran,
lançado na Região 1 pela Paramount e aqui pela Warner, não mereceu um
DVD duplo – provavelmente por não ter se saído bem nas bilheterias.
Mesmo assim o DVD simples é caprichado. Os menus (o principal é animado)
reproduzem o mesmo estilo visual do filme, apresentado em formato
widescreen anamórfico 1.85:1. A imagem é propositalmente um
pouco embaçada, para simular a experiência de estarmos assistindo a um
filme bem antigo – sensação reforçada com a colorização utilizada, que
dá à imagem um tom predominantemente sépia. A transferência é
praticamente impecável, sem qualquer artefato visível, proporcionando
uma bela versão de Capitão Sky no formato digital. Ambas as
faixas de áudio disponíveis, em inglês e português, são Dolby Digital
5.1, com diálogos claros no canal central, muitos efeitos
surround e graves potentes que exigirão um bom subwoofer. Quanto às
legendas, elas estão em três idiomas: português, inglês e espanhol. É
interessante notar que, ao contrário das embalagens Amaray transparentes
que a Warner vem utilizando, Capitão Sky e o Mundo de Amanhã
possui uma embalagem preta.
OS EXTRAS
Para um
DVD simples, Capitão Sky traz extras interessantes e em boa
quantidade, todos legendados em português. Vejamos:
Comentários de Áudio
– Temos duas faixas de comentários, uma com o produtor Jon Avnet e outra
com o diretor/roteirista Conran e técnicos da equipe VFX. Em ambas temos
muitas informações sobre a origem do projeto, a escalação dos atores, os
desafios enfrentados na produção, criação dos efeitos, etc.;
Admirável Mundo Novo - Capítulos 1 & 2 – O melhor extra é
este interessante Making of com aproximadamente uma hora de
duração, dividido em dois capítulos. Neles temos depoimentos de Conran,
Avnet, do elenco e da equipe, e cenas de bastidores. É um acurado
documentário sobre a produção de um filme incomum;
A Arte do Mundo de Amanhã – Neste featurette
de 10 minutos, Kevin Conran (irmão de Kerry), desenhista de produção e
de figurinos, utiliza storyboards e desenhos para comentar
o visual de Nova York, dos cenários, máquinas e personagens;
O Curta Original – É o curta-metragem original de 1998, com
seis minutos, concebido como o primeiro capítulo que introduz a
história. Feito por Conran em seu computador Mcintosh, à
exceção de ser em preto e branco e de utilizar outros atores, ele é
quase idêntico ao início do longa-metragem;
Cenas Adicionais – São duas cenas que não foram
aproveitadas na montagem final. “A Sala de Torturas de Totenkopf” chegou
a ser finalizada, enquanto que em “A Esteira Transportadora” os atores,
na frente do fundo azul, interagem com robôs criados em uma animação
rudimentar (nesta cena aparece um modelo de robô que não apareceu no
restante do filme);
Erros de Gravação – Quatro minutos de gafes do elenco e
algumas brincadeiras criadas pela equipe de computação gráfica;
Easter Egg – Encerrando os extras, há uma brincadeira
escondida mas bem fácil de achar, envolvendo a equipe de animadores e os
robôs com braços de tentáculos. Se você olhar bem a foto do menu dos
extras que ilustra esta resenha, irá descobri-lo.
Na contra-capa do DVD está indicada a existência de um trailer, que não
encontramos. Pelo jeito eles se referiram ao trailer de O
Aviador, que é reproduzido quando inserimos o disco no
player.
MENUS
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