JORNADA NAS ESTRELAS ii: A IRA DE KHAN (VERSÃO DO DIRETOR)
Direção: Nicholas Meyer
Elenco:
William Shatner, Leonard Nimoy, DeForest Kelley, Ricardo Montalban, James Doohan, Nichelle Nichols, George Takei, Walter Koenig, Kirstie Alley
Distribuidora: Paramount
Duração: 116 min.

Região: 4

Lançamento: 2002

Nº de discos: 2
Cotações:
Filme:
DVD:

Comentários de
Jorge Saldanha

O FILME
"Você conhece o velho ditado klingon que diz... a vingança é um prato que se serve frio?". Não, não estamos falando de Kill Bill: Vol. 1, do Quentin Tarantino, mas sim do filme que introduziu este "antigo ditado klingon" (na verdade de origem russa, segundo o Sr. Chekov) na cultura pop mundial. Muitos alegam que os filmes de Jornada nas Estrelas, como cinema em si, não são grande coisa. Isso até pode ser verdade em tese, mas não pode ser negado o fato de que, deficiências à parte (a maior delas: os filmes são melhor apreciados pelos fãs, que acompanham as séries de TV), alguns de seus títulos possuem méritos suficientes para influenciar outros gêneros cinematográficos, fornecendo momentos realmente inesquecíveis. É o caso deste Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan, que retoma um dos melhores episódios da Série Original, "Semente do Espaço". Nele, a Enterprise encontra uma nave à deriva no espaço, tripulada por humanos geneticamente aprimorados, todos em animação suspensa. Descobre-se mais tarde que eles, liderados por Khan Noonien Singh (Ricardo Montalban), foram os responsáveis pela quase destruição da Terra durante as Guerras Eugênicas da última década do século XX, e que fugiram do planeta para evitar a condenação por seus crimes. Após terem sido revividos e resgatados pelo Capitão Kirk e sua tripulação, eles tentam tomar a Enterprise para utilizá-la em seus planos de conquista. Mas Kirk estraga os seus planos, abandonando Khan e seus companheiros no planeta Ceti Alpha V, presumindo que lá eles sobreviveriam sem ameaçar mais ninguém. Porém, seis meses após Khan e seu povo terem sido deixados lá, um planeta vizinho explode e altera a órbita de Ceti Alpha V, transformando-o em um inóspito deserto. Quinze anos depois Khan e alguns ainda sobrevivem, e agora tudo o que ele quer é vingar-se do homem que ele julga ser o responsável por tudo – o Almirante James T. Kirk. Quando a nave estelar Reliant chega para examinar o planeta, sem suspeitar que ele é Ceti Alpha V, Khan captura o Comandante Chekov e o Capitão Terrell e assume o controle da nave. Descobre que a Reliant está envolvida nos testes de um aparelho experimental conhecido como Gênesis, que possui um enorme poder tanto para criar a vida como para destruí-la. Simultaneamente, Kirk leva a Enterprise, sob o comando do Capitão Spock, em um vôo de treinamento, tripulada somente por um punhado de inexperientes cadetes da Frota Estelar - entre eles a tenente vulcana Saavik (Kirstie Alley). Khan, agora com um inimaginável poder em suas mãos e com a Enterprise em desvantagem tática, parte para a vingança.

Este segundo filme de Jornada nas Estrelas possui de cara uma grande vantagem sobre os demais: um vilão convincente. De fato, é o melhor vilão que já apareceu na franquia, tanto no cinema como na TV. Comparar Shinzon, de Nêmesis, com Khan, chega a ser covardia (aliás, comparar os dois filmes é que é covardia). Geneticamente alterado para possuir inteligência e força excepcionais, ele é praticamente invencível. Ricardo Montalban, após uma carreira medíocre no cinema e por ter ficado mais conhecido como o Sr. Roarke de A Ilha da Fantasia, tem aqui o seu maior papel. E William Shatner, para não ficar atrás, fornece a sua melhor e mais tocante interpretação de Kirk, estando à altura de Khan a cada reviravolta da trama, a cada round do embate. A direção de Nicholas Meyer, indiscutivelmente o responsável pelos melhores momentos da série no cinema, seja atrás das câmeras ou como roteirista, é perfeita. Certamente esta não é Jornada nas Estrelas: A Nova Geração, a ação é mantida com grande estilo e o filme possui uma atmosfera sombria, de perigo latente. A linha de comando nas naves da Federação, baseada na clássica tradição naval, fica perfeitamente estabelecida, a Enterprise realmente parece ser uma nave militar e os combates espaciais também seguem o estilo naval. Os roteiristas não-creditados Meyer e Harve Bennett adicionaram muitas referências à literatura clássica nos diálogos, o que enriquece a trama. E a partitura de James Horner, que posteriormente comporia as trilhas de Titanic, Coração Valente e Apollo 13, é absolutamente eletrizante.

O DVD
Este DVD duplo apresenta a versão do diretor, uns quatro minutos mais longa do que a original. As cenas adicionais já haviam sido exibidas na TV dos EUA, e na sua maior parte, são pequenas extensões de seqüências - um momento ou dois com Scotty, quando Kirk faz a primeira vistoria a bordo da Enterprise, uma conversa um pouco mais longa entre Kirk, Magro e Spock sobre Gênesis, outro momento com Scotty e Magro na enfermaria após o primeiro ataque de Khan, e outros momentos menores. As cenas restauradas não adicionam grande impacto dramático ao filme, talvez à exceção daquela na qual Scotty chora a morte de seu sobrinho. Mas, indiscutivelmente, qualquer fã gostará de vê-las. Em relação à master de vídeo widescreen anamórfico produzida para a edição anterior em DVD, esta aparentemente teve correções nos tons da cor. Como resultado, a imagem agora ostenta cores levemente mais vivas. Como antes, o vídeo não é um padrão de qualidade, tendo em vista a idade do filme. Há momentos em que há alguma granulação visível, em outros se percebe o uso de filtros para aumentar a nitidez. Em compensação, como já mencionado, as cores são vibrantes e os níveis do preto são excelentes. Outro ponto positivo é a quase inexistência de pontos e riscos na imagem. Esta é a melhor cópia já lançada para ser assistida em casa, e continuará sendo até o lançamento de uma versão em Alta Definição (HD). A faixa de áudio Dolby Digital 5.1 parece ser equivalente à do DVD anterior, em termos de qualidade. De um modo geral é muito boa, apesar de ser inferior ao áudio dos DVDs de Jornada nas Estrelas mais recentes. A mixagem é rica em graves, mas não há tantos efeitos surround como em uma faixa de áudio moderna. Por outro lado o diálogo é bem nítido, e nos momentos de maior ação finalmente as caixas de som traseiras são exigidas, deixando o espectador/ouvinte satisfeito. E melhor ainda, a música de Horner soa cristalina e com força nos 5.1 canais.

OS EXTRAS
A Paramount produziu um bom conjunto de material bônus para este lançamento. O disco 1 contém um ótimo comentário em áudio do diretor Nicholas Meyer, onde ele fala sobre como envolveu-se com o projeto, da sua visão particular do universo de Jornada e deste filme em especial, e sobre vários momentos divertidos passados junto com os atores. Percebe-se que muito do que faz este filme tão bom, inclusive para as platéias em geral, vem diretamente dos esforços de Meyer em tentar compreender corretamente o universo de Jornada nas Estrelas. Ele fala bem e é muito interessante ouvir o seu inteligente ponto de vista sobre o filme. Em adição ao áudio com Meyer, há também ótimos comentários em texto do autor (e consultor de Jornada) Michael Okuda. Okuda passa montes de pequenos fatos, trivia e detalhes técnicos que trekkies ávidos certamente irão adorar. O disco 2 é composto principalmente de featurettes, nos moldes dos que a Paramount vem produzindo para colocar em todos os seus DVDs de Jornada. Eles possuem muitas entrevistas com numerosos membros do elenco e equipe. Todos os featurettes estão em formato 16x9, mas infelizmente o visual deixa a desejar. A combinação de iluminação ruim, cenários de fundo feios e um excessivo zoom no rosto das pessoas, às vezes assusta. De qualquer sorte, o fato de serem depoimentos de pessoas interessantes, que têm muito o que dizer, faz com que todos os featurettes superem os problemas técnicos. Além de entrevistas com os atores principais e o diretor, temos também o produtor Harve Bennett, o desenhista de produção Joe Jennings (que também trabalhou na série original), vários técnicos em efeitos visuais e muito mais, vale a pena conferir tudo. O Diário do Capitão é uma visão detalhada da produção, desde o seu humilde início, passando pelo acerto com os atores (convencer Nimoy a retornar foi muito difícil), até chegar às filmagens e além. Criando Khan apresenta entrevistas com Jennings, o figurinista Robert Fletcher, o diretor de arte Lee Cole e outros que atuaram no design do filme e na logística por trás de tudo. E Efeitos Visuais inclui entrevistas com o supervisor de efeitos Ken Ralston e membros da equipe da ILM, além de montes de fotos de bastidores e videoclipes. Também há  entrevistas com membros do elenco (inclusive Shatner, Nimoy, o falecido DeForest Kelley e Ricardo Montalban), feitas à época do lançamento original nos cinemas. Há o documentário O Universo de Jornada nas Estrelas, onde dois autores de livros da franchise, Julia Ecklar e Greg Cox, são entrevistados. E completando os extras temos uma galeria de storyboards do filme e o trailer de cinema. Os storyboards foram bem formatados para TVs 16x9, deste modo os desenhos são grandes e marcantes, representando treze cenas do filme. Os dois discos possuem belos menus animados, que retratam a estação espacial Regula Um e o planeta Gênesis.

CONCLUSÃO
A Ira de Khan é o melhor filme de Jornada nas Estrelas, seguido de perto por A Terra Desconhecida, também de Meyer, e a Paramount produziu uma edição especial em DVD à altura, que todos irão aprovar e apreciar. É um item obrigatório para qualquer fã da franquia e para aqueles que apreciam versões especiais repletas de extras. Uma edição realmente caprichada e altamente recomendável.

IMAGENS

 


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