TORCHWOOD - THE COMPLETE FIRST SEASON
Direção: Vários
Elenco: John Barrowman, Eve Myles, Burn Gorman, Naoko Mori, Gareth David-Lloyd

Distribuidora: BBC
Duração: 637 min.

Região: 1

Lançamento: 22/01/2008

Nº de discos: 7
Cotações:
Filme
DVD

Comentários de
Jorge Saldanha

A SÉRIE
Uma organização para-governamental, Torchwood, investiga contatos alienígenas e se apropria da tecnologia de visitantes de outros mundos para defender a Terra. O bunker de Torchwood 3 (o Hub) situa-se abaixo de Cardiff, no País de Gales, próximo a uma fenda no tempo e no espaço por onde eventualmente chegam criaturas de outros mundos e épocas. A equipe, liderada pelo misterioso e sedutor Capitão Jack Harkness (John Barrowman), vê-se frente a um impasse quando a jovem policial de Cardiff Gwen Cooper (Eve Myles) descobre o paradeiro de sua base secreta.

Torchwood é uma spin off mais adulta e violenta da célebre série sci fi inglesa Doctor Who e foi criada por Russel T. Davies, não por acaso o cérebro por trás do sucesso da atual versão das aventuras do Senhor do Tempo, que ruma para sua quarta temporada. Foi nela que tomamos conhecimento da organização cujo nome é um anagrama de “Doctor Who” (Torchwood / Doctorwho) e, principalmente, foi lá que foi introduzido o carismático personagem Capitão Jack – um agente temporal renegado do século 51 que se junta às aventuras do Doutor e que no episódio final da primeira temporada, “The Parting of the Ways”, morre no ano de 200.100 mas é ressuscitado por Rose Tyler (Billie Piper), quando possuída pelos poderes do Time Vortex. Só voltamos a encontrar Jack no primeiro episódio de Torchwood, na atualidade, quando ele já está no comando da equipe de Cardiff. Mas como Jack chegou ao presente? Como ele se tornou imortal? Estas e outras perguntas são levantadas na primeira temporada de Torchwood, e se você quiser saber a resposta de algumas é bom também assistir Doctor Who. Mas mesmo que não o faça, pode acompanhar Torchwood sem maiores problemas, já que a proposta da spin-off é um tanto diferente (apesar de ambas as séries eventualmente intercambiarem personagens). Fã declarado de Buffy, a Caça Vampiros, Russel T. Davies, além de umas óbvias pitadas de Arquivo X, busca claramente inspiração na série de Joss Whedon – no lugar de Sunnydale e sua Boca do Inferno, temos Cardiff e sua Fenda. E como Buffy foi a primeira série de ficção e fantasia a apresentar um relacionamento homossexual (lésbico, para ser preciso), em Torchwood a coisa vai mais longe - liderados pelo “omnisexual” Jack, que dá em cima de mulheres, homens e alienígenas, os personagens fazem muito sexo sem se importar com o gênero do parceiro. Aliás os gays deveriam fazer uma estátua para Davies (homossexual assumido), já que ele conseguiu a façanha de, numa série familiar como Doctor Who, mostrar dois caras se beijando (o Doutor e Jack) e depois, em Torchwood, fazer o público progressivamente aceitar numa boa mulheres se agarrando e barbados in love. Mas a série também mostra sexo heterossexual e muita violência explícita, já que é exibida na Inglaterra num horário em que as crianças fãs de Doctor Who já estão (em tese) dormindo. O episódio inicial de Torchwood, “Everything Changes”, é similar ao primeiro episódio da nova versão de Doctor Who, “Rose”, já que história e personagens são revelados através dos olhos de uma personagem feminina – no caso, Gwen Cooper, a policial que descobre os segredos de Torchwood 3 e que passará a ser membro da equipe liderada por Jack: o médico Owen Harper (Burn Gorman), a especialista em tecnologia Toshiko Sato (Naoko Mori) e o faz-tudo Ianto Jones (Gareth David-Lloyd). Esta primeira temporada apresenta episódios muito bons como “Small Worlds”, “Countrycide” (este uma espécie de O Massacre da Serra Elétrica no interior da Inglaterra), “Greeks Bearing Gifts”, “Captain Jack Harkness” e “End of Days” (o final da temporada). Também tem os ruins “Cyberwoman” (muito trash – imagine uma mulher cyborg dando socos num pterodáctilo, entre outras coisas) e “Random Shoes”; os restantes variam do bom ao regular. Torchwood, em sua primeira temporada, estava claramente buscando a dosagem certa de sua receita, e entre erros e acertos achou seu público, tanto que a segunda temporada já está em exibição e tudo indica que a série será renovada para uma terceira. Só espero que a ênfase no sexo diminua um pouco, já que ela muitas vezes tira o foco das tramas, e que Jack deixe de ser tão sério e sombrio e volte a ser mais parecido com o pilantra bem humorado que conhecemos em Doctor Who.

O DVD
Este box da primeira temporada de Torchwood, lançado na Região 1, possui uma produção similar aos de Doctor Who. Mas tem sete DVDs – o que parece um exagero já que a primeira temporada da série possui apenas 13 episódios. Isso se deve à farta quantidade de extras presentes, de fazer inveja à maioria dos lançamentos similares. A embalagem não é tão caprichada quanto às da série de origem – ela é Digistak, envolta numa luva de cartolina bem apertada, que dificulta sua retirada. Não há encarte com informações, apenas a lista de episódios em uma das faces da embalagem. Cada disco inicia com o trailer de um lançamento da BBC em DVD, que pode ser pulado via controle remoto. O menu principal, antecedido pela seqüência com o logotipo e a música de abertura da série, é animado, e nele vemos alguns “monitores” que mostram detalhes do interior do Hub de Torchwood. Antes da entrada de cada sub-menu (estático) vemos novamente a seqüência do logotipo, o que depois de um certo tempo começa a aborrecer. Os episódios, em formato widescreen anamórfico no aspecto 1.78:1, estão distribuídos nos primeiros seis discos, com ótima qualidade de imagem. Esta, apesar das muitas cenas escuras que dão o tom da série, é consistente na maior parte do tempo, com grande nitidez. Assim como em Doctor Who, os episódios são gravados em vídeo de alta definição e depois convertidos para filme de 35 mm, e apesar de em tese não haver perda de qualidade no processo, não sei se a aparência meio embaçada e o ghosting que às vezes se percebe não é conseqüência dele. Ou então é reflexo da conversão das masters originais PAL, usadas nos DVDs europeus, para o NTSC norte-americano. O áudio em inglês (o único disponível) é Dolby Digital 5.1 com uma ambientação surround acima da média para uma série de TV, com diálogos claros no canal central e graves sólidos. As trilhas musicais de Murray Gold, que vão das batidas eletrônicas a elementos mais melódicos e orquestrais, sempre é um destaque. Notei uma variação de volume na introdução de alguns episódios (ela soa mais baixa que o resto do episódio), mas não é nada que comprometa. As legendas são brancas, e disponíveis apenas em inglês.

OS EXTRAS
Como referido acima, o box da primeira temporada de Torchwood é repleto de extras, todos em wide anamórfico, áudio em inglês 2.0 e opção de legendas em inglês. Cada um dos sete discos possui algum tipo de material suplementar, sendo que o sétimo é dedicado apenas a eles.

  • Comentários em Áudio – Cada um dos 13 episódios da temporada possui uma faixa de comentários com a participação de integrantes do elenco, diretores, produtores, compositor e outros membros da equipe (a participação varia). Entre muitas informações sobre a produção e as inevitáveis piadas dos atores, a figura dominante é a do astro John Barrowman, sempre bem humorado e divertido;

  • Bastidores e Cenas Eliminadas – Cada disco traz featurettes focados em algum episódio, personagem ou aspecto característico da série, além de cenas eliminadas nos discos 1, 4 e 6, um divertido vídeo-diário de John Barrowman (The Captain’s Log) no disco 5 e erros de gravação no disco 6:

   Disco 1

Welcome to Torchwood (14 min.)
Torchwood on the Scene (15 min.)
Torchwood Out Of This World: “Weevil” (5 min.), “Sex Gas” (5 min.)
Cenas Eliminadas: Episódios 1-5 (11 min.)

    Disco 2

Out of This World: “Ghost Machine” (5 min.), “Cyberwoman” (4 min.), “Fairies” (5 min.)

    Disco 3

Torchwood: Sex, Violence, Blood and Gore (15 min.)

Torchwood The Team And Their Troubles: “Ianto and Evan” (5 min.), “Toshiko and Mary” (5 min.)

    Disco 4

Torchwood On The Road (9 min.)

Torchwood The Team And Their Troubles: “Owen and Suzie” (5 min.), “Gwen and Eugene” (6 min.)

Cenas Eliminadas: Episódios 6-9 (6 min.)

    Disco 5

Torchwood: Moments in the Making: – “Wing and a Prayer” (5 min.), “Fight Night.” (5 min.)

The Captain's Log (10 min.)

    Disco 6

Torchwood: Moments in the Making: “Officer and a Gentleman” (5 min.), “Bombing the Base” (5 min.)

Torchwood: On Time (10 min.)

Cenas Eliminadas: Episódios 10-13 (14 min.)

Erros de Gravação (5 min.)

  • Torchwood: Declassified (80 min.) – Merece referência especial o disco 7 do box, contendo 14 especiais (ou making ofs) originalmente divulgados na web, equivalentes aos Confidential Cutdown de Doctor Who. Se você quiser se aprofundar na realização do programa, encontrará o que procura aqui: efeitos visuais, roteiros, desenho de produção, e por aí vai. A duração da maioria dos segmentos fica entre 9 e 10 minutos, alguns chegando até a 15.

IMAGENS

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