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ALEXANDRE (Alexander,
EUA, Inglaterra, Alemanha, Holanda, 2004)
Gênero: Drama
Duração: 173 min.
Elenco: Anthony Hopkins, David Bedella, Jessie Kamm, Angelina Jolie,
Val Kilmer, Fiona O'Shaughnessy, Connor Paolo, Patrick Carroll
Compositor:
Vangelis
Roteiristas: Oliver Stone, Christopher Kyle, Laeta Kalogridis
Diretor: Oliver Stone
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Era mesmo grande...
Apesar do que diz a crítica, Oliver
Stone, com seus excessos, fez um grande épico que está à altura do controvertido
personagem histórico que retrata
Fiquei bastante
surpreso quando fui ver ALEXANDRE e vi que o cinema estava lotado em plena
segunda-feira. E já adianto que gostei bastante do filme. Oliver Stone, com os
seus tradicionais exageros, está com a corda toda. Ou quase toda, já que o
estúdio não permitiu que ele botasse mais pimenta na já apimentada questão da
homossexualidade (ou bissexualidade) de Alexandre.
Acho que é o melhor épico que já vi no cinema. Stone, mesmo utilizando-se de
todos os elementos que cercam o gênero, fez um filme original, diferente de
todos os épicos. Há várias seqüências memoráveis. Na primeira batalha, contra os
persas de Dario, aquela cena da câmera subindo e vendo a perspectiva de uma
águia e indo de encontro aos guerreiros persas, me fez vibrar. Aliás,
percebe-se que Stone tem pressa em ir direto a essa primeira batalha. Tanto que
dá um salto no tempo, não nos mostrando, de início, a morte de Filipe, pai de
Alexandre. Já a terceira batalha, então, com direito a uma citação à angustiante
expectativa do ataque dos vietcongues em PLATOON (1986), é o ápice do filme.
Nela, vemos uma batalha sangrenta que se torna
ainda mais assustadora por causa dos elefantes indianos. Destaque para a cena
das folhas vermelhas, que acentuam o calor e a tragédia da batalha.
A cena imediatamente anterior a essa última batalha, quando Alexandre tenta
convencer seus homens a ir mais adiante, é também um belo exemplo dos deliciosos
excessos de Stone. Fica parecendo uma ópera, com a figura perturbada do rei
guerreiro em toques grotescos. E ainda mais com a espetacular música de
Vangelis.
O elenco está muito bem. Collin Farrel, no papel título, nunca esteve melhor.
Mas o grande destaque é mesmo Val Kilmer como Filipe, o rei caolho pai de
Alexandre, que aparece pela primeira vez no filme bêbado, tentando estuprar
Angelina Jolie, que faz a mãe de Alexandre. Muito interessante a conversa que
ela tem com o seu filho na cama, cercada de cobras - ela adorava cobras. Já
Jared Leto, como o amor da vida de Alexandre, não está tão bem. Só faz abraçar o
amado e declarar o seu amor. A impressão que se tem é que o amor deles está mais
para espiritual do que físico, mas isso não se justifica muito, tendo em vista o
tesão de Alexandre por homens, especialmente os de aspecto andrógino. Rosario
Dawson, como a primeira esposa de Alexandre, ajuda a esquentar o caldo com a
única cena de sexo do filme.
Stone deixa muita coisa no ar: Por que razão Alexandre queria conquistar o
mundo? Ele estaria desesperado em não voltar para casa, com medo de alguma
coisa? A relação com a mãe teria algo de incestuoso? Seria para provar para o
pai (já morto) que ele não era um fraco, mas uma criatura divina, como a cobra
de sua mãe costumava dizer? O destino trágico e inevitável de Alexandre, aliado
às suas inúmeras conquistas, seria uma comprovação de que ele tinha mesmo
relação com os deuses do Olimpo, numa tentativa de se criar mais uma mitologia,
a exemplo do que acontecera com Aquiles?
No entanto, todas essas perguntas, todas essas dúvidas tornam o filme ainda mais
rico. Afinal, ninguém sabe direito como tudo aconteceu. O que os historiadores
fazem são mais conjecturas em cima de alguns fatos. E o filme termina deixando
no ar a certeza de que Alexandre era mesmo Grande.
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