A LIGA EXTRAORDINÁRIA (The League of Extraordinary Gentlemen, EUA, Alemanha, Inglaterra, 2003)
Gênero: Aventura
Duração: 110 min.
Estúdio: Fox
Elenco: Sean Connery, Naseeruddin Shah, Peta Wilson, Tony Curran, Stuart Townsend, Shane West, Jason Flemyng, Richard Roxburgh
Compositor: Trevor Jones
Roteiristas: Alan Moore, Kevin O'Neill, James Robinson
Diretor: Stephen Norrington

Liga Extraordinária, filme ordinário

Mesmo assim, a versão para o cinema da graphic novel de Alan Moore não merece o fraco desempenho que teve nas bilheterias

Em 2001, o roteirista Alan Moore e o desenhista Kevin O´Neill lançaram uma das graphic novels mais originais de todos os tempos, The League of Extraordinary Gentlemen. Nela, personagens famosos da literatura fantástica e de aventura integravam uma espécie de Liga da Justiça britânica no final do século XIX. À época de sua publicação, o cinema já vivia o boom dos filmes baseados em HQs, e a Fox não perdeu tempo em transportar a "Liga Extraordinária" para a tela grande. O diretor escolhido foi Stephen Norrington, que em 1998 conduzira a bem-sucedida versão cinematográfica de BLADE.

O filme se passa em 1899, quando uma espécie de super-vilão mascarado, Fantom, rouba bancos e rapta cientistas para formar o exército mais avançado da época, e jogar o mundo em uma guerra mundial. Para fazer frente à ameaça, um alto funcionário do governo britânico, M (Richard Roxburgh) convoca um grupo de pessoas extraordinárias: o explorador Allan Quatermain (Sean Connery), o comandante do submarino Náutilus, Capitão Nemo (Naseeruddin Shah), a vampira Mina Harker (Peta Wilson), o Homem Invisível (Tony Curran), o imortal Dorian Gray (Stuart Townsend), o aventureiro Tom Sawyer (Shane West) e o Dr. Henry Jekyll/Mr. Hyde (Jason Flemyng). Cabe a este grupo de super-heróis vitorianos, a bordo do poderoso Náutilus, perseguir o vilão  em várias partes do mundo e impedir seus planos de dominação global.

O filme passou por vários problemas durante sua produção, o mais grave sendo a briga do astro principal e um dos produtores do filme, Connery, com o diretor Norrington. A publicidade negativa prévia talvez justifique em parte o injusto fracasso do filme nas bilheterias norte-americanas: tendo custado U$ 78 milhões e sido lançado em 13 de julho de 2003, A LIGA EXTRAORDINÁRIA, até a metade de setembro, não havia faturado U$ 70 milhões. Adicionalmente, apesar da excelência de sua idéia inicial, o filme tem seus defeitos. Há falhas de efeitos visuais, que alternam ótimas tomadas de miniaturas com imagens em CGI artificiais, e os personagens são apresentados rápida e superficialmente ao público, na presunção de que este já os conhecia suficientemente dos quadrinhos ou dos livros. Ledo engano, já que as jovens platéias de hoje dificilmente leram "As Minas do Rei Salomão" e sabem que Allan Quatermain foi uma espécie de precursor de Indiana Jones, ou que o cientista Dr. Jekyll de "O Médico e o Monstro", que se transformava no brutamontes Mr. Hyde, foi a maior inspiração para o HULK. Por esta razão, acharam o filme "velho", ultrapassado.

No entanto, para os mais crescidinhos, o filme pode até agradar. Apesar dos personagens terem sofrido alterações marcantes em suas características (Nemo virou um hindu lutador de artes marciais, e Mina, uma vampira que anda à luz do dia!), é interessante vermos as criações imortais de H. Rider Haggard, Júlio Verne, Robert Louis Stevenson, Oscar Wilde, H. G. Wells, Mark Twain e Bram Stoker lutando lado a lado contra o mal. Também, é bom termos Sean Connery de volta à ação, e num filme repleto de citações a clássicos da literatura (além dos personagens principais, o 1º oficial do Náutilus, Ishmael, é o narrador do "Moby Dick" de Herman Melville; o nome e a caracterização do vilão, Fantom, são óbvias referências a "O Fantasma da Ópera" de Gaston Leroux) e do cinema (Connery, o ex-007, é recrutado por M, o mesmo codinome do chefe de James Bond). Adicionalmente, o filme apresenta cenas eletrizantes, como a do ataque a Veneza, e uma magnífica concepção de arte, em especial a do submarino Náutilus.

Mesmo que, ao seu final, A LIGA EXTRAORDINÁRIA caia no lugar comum e na tentação do uso fácil de exagerados efeitos CGI, é de se lamentar que talvez não haja uma continuação (com tudo para ser melhor) das aventuras destes personagens clássicos. Porque temos aqui um filme baseado em quadrinhos de caráter peculiar, e isto por uma simples razão - ele homenageia a origem de tudo: os livros.

Cotação:
Jorge Saldanha
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