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APOCALYPTO
(Apocalypto, EUA, 2006)
Gênero:
Aventura
Duração:
139 min.
Elenco:
Rudy Youngblood, Dalia Hernandez, Jonathan Brewer, Morris Birdyellowhead,
Carlos Emilios Baez, Ramirez Amílcar, Israel Contreras, Israel Rios, Maria
Isabel Diaz, Iazua Larios, Raoul Trujillo
Compositor:
James Horner
Roteiristas:
Mel Gibson, Farhad Safinia
Diretor:
Mel Gibson |
Violento e desafiador
Mel
Gibson faz filme de perseguição com um elenco desconhecido, todo falado num
dialeto maia - e o resultado é ótimo
Para um cineasta de apenas
quatro filmes no currículo, é impressionante como Mel Gibson já revela um forte
traço autoral e uma força dramática arrebatadora. Seu gosto pela violência é uma
forte marca e é algo que já começou a se revelar em seu segundo filme, CORAÇÃO
VALENTE (1995), vencedor do Oscar de melhor filme e direção. Mas foi com
A PAIXÃO DE CRISTO
(2004), o melhor filme bíblico que eu já vi na vida, que ele mostrou a que veio.
Foi através da história das últimas horas de Jesus na Terra que ele demonstrou
coragem para encarar projetos complicados, usando seu próprio dinheiro para
financiar os seus filmes. Nos últimos anos a palavra "polêmica" e o nome "Mel
Gibson" estiveram juntos por várias vezes. Seja pela acusação de anti-semitismo,
seja pelas declarações anti-homossexuais, seja por dirigir embriagado, Mel
Gibson foi alvo da mídia diversas vezes nos últimos anos.
Seu novo trabalho, APOCALYPTO (2006), é o tipo de filme que, como o próprio Mel
disse, só um louco faria. É um filme desafiador. O diretor se embrenhou na mata
com um elenco de desconhecidos com aspecto de índio, para fazer um filme de
perseguição falado num dialeto maia. Gibson conseguiu colocar mais um filme
falado numa língua estranha nos cinemas americanos, e mais uma vez foi bem
sucedido nas bilheterias.
Na trama de APOCALYPTO, Pata de Jaguar é um caçador cuja tribo sofre um
genocídio promovido por guerreiros maias, que seqüestram os sobreviventes para
serem oferecidos em sacrifício ao deus do sol Kulkulkan. A temática do
sacrifício, tão cara à religião católica, é novamente o centro das atenções em
mais um filme do diretor. Talvez a principal diferença nesse novo filme seja o
fato de que o suposto sacrificado não aceita seu destino como um cordeiro pronto
para o abate. Pata de Jaguar, o protagonista, escapa fedendo de ser mais um a
ter o seu coração arrancado e sua cabeça decepada e jogada à multidão sedenta de
sangue. Para aquele povo, cada pessoa sacrificada representaria mais uma chance
de que os deuses os abençoassem, mas também era uma forma sádica de se divertir.
APOCALYPTO seria uma estranha mistura de A MONTANHA SAGRADA, de Alejandro
Jodorowski, com RAMBO: PROGRAMADO PARA MATAR, de Ted Kotcheff. Do filme de
Jodorowski, temos o desfile de bizarrices, apresentado principalmente quando
Pata de Jaguar adentra a cidade maia. De RAMBO, temos a luta pela sobrevivência
de um homem que cresceu na floresta, e que pode usar os seus conhecimentos de
campo para lutar contra seus inimigos. Uma de suas maiores motivações para
permanecer vivo é encontrar a sua esposa grávida e seu filho pequeno, que estão
presos dentro de um buraco, esperando por ele.
A valorização da família e da paternidade é outro tema forte do filme, e já é
mostrado com força logo no primeiro diálogo do filme, depois da cena de caça a
uma anta. Nesse diálogo, conhecemos o caso de um dos homens que não consegue
engravidar a mulher e, por causa disso, acaba ganhando uma dupla pegadinha de
seu pai e seus irmãos. Essas pegadinhas também são bastante familiares para quem
se lembra do Mel Gibson ator sacaneando o Danny Glover nos filmes da série
MÁQUINA MORTÍFERA. Mel Gibson pode gostar desse tipo de brincadeira, mas quando
o assunto é cinema, ele parece levar tudo muito a sério. Inclusive, se Gibson
preferir abandonar a carreira de ator para continuar a dirigir grandes filmes
como esse, eu dou o maior apoio.
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