AVATAR (Avatar, EUA, 2009)
Gênero: Ficção científica
Duração: 150 min.
Elenco: Sam Worthington, Zoe Saldana, Laz Alonso, Sigourney Weaver, Michael Biehn, Joel Moore, Wes Studi
Compositor: James Horner
Roteirista:
James Cameron
Diretor:
James Cameron

O Rei de Pandora

Em seu retorno à ficção científica, James Cameron produz mais um marco tecnológico que cativa as plateias apesar de sua narrativa convencional

No ano de 2154 o ex-fuzileiro paraplégico Jake Sully (Sam Worthington) viaja para a selvagem lua de Pandora, onde uma equipe terrestre estuda o ecossistema local e, principalmente, busca por um valiosíssimo minério que só existe por lá. Usando um Avatar - o corpo geneticamente criado de um nativo Na'vi para o qual sua mente é transferida - Jake integra-se a uma aldeia daquele povo de gigantes azuis para aprender seus costumes e, mais do que isso: fornecer as informações que a equipe precisa para retirar os Na'vis do local, que abriga uma rica jazida mineral. Mas Jake apaixona-se pela guerreira Neytiri (Zoe Saldana), aprende a admirar o modo de vida totalmente integrado à natureza do seu povo e acaba liderando a resistência aos terrestres exploradores.

Como se vê do resumo acima de AVATAR (2009), o primeiro filme que James Cameron dirige desde o retumbante TITANIC (1997), não temos nada de novo no front. Já vimos muitas vezes variações desta trama - o branco que passa a viver entre indígenas e que acaba tomando o partido deles no confronto com seus irmãos "civilizados". Inclua nela referências à intervenção norte-americana no Iraque, aos próprios filmes anteriores do diretor (em especial ao tema recorrente da ganância e estupidez humanas como causa potencial ou efetiva de grandes tragédias) e o emprego de uma tecnologia cinematográfica que rompe novas barreiras, e temos um filme com muitos momentos visualmente sublimes e impressionantes (principalmente se assistidos em 3-D ou IMAX), outros que beiram a breguice... e heróis que parecem uma cruza de Smurf com Thundercat.

Essa mistura, nas mãos de um mero diretor de blockbusters, poderia provocar indigestão no espectador; mas a mente criativa por trás de tudo isto é Cameron, um especialista em produzir narrativas de qualidade - ainda que convencionais - e que, cada uma a seu modo, revelam ser revolucionárias. Filme concebido há mais de uma década e realizado apenas quando a tecnologia necessária finalmente tornou-se disponível, AVATAR leva a captura de movimentos a um patamar inédito: podemos REALMENTE  ver a interpretação de atores como Worthington, Saldana e Sigourney Weaver nos gestos e, principalmente, nas expressões faciais de seus alteregos azuis criados em computador. Também nos computadores foi criado um ecossistema completo, com fauna e flora literalmente de outro mundo, trazido à vida com um nível de detalhes e sofisticação estética de cair o queixo.

Mesmo com toda a impressionante parafernália técnica, muitos torcerão o nariz para a história ecológica altamente previsível (porém creio que necessária, num momento em que os dirigentes mundiais não tem consenso em questões ambientais), os diálogos clichês, alguns furos de roteiro e o romance açucarado do casal de protagonistas. Mas a verdade é que Cameron, um dos raros cineastas contemporâneos de Hollywood que possui uma clara marca autoral – e isso tem seus prós e contras-, a cada filme prova ser um mestre em combinar a adrenalina e o esmero técnico do seu entretenimento com qualidade e emoção. E assim fazendo mostra que hoje, no mundo do Cinema, ele ainda é o Rei do Mundo – ou pelo menos da lua Pandora.

Cotação:
Jorge Saldanha
FILME EM DESTAQUE