A VILA (The Village, EUA, 2004)
Gênero: Suspense
Duração
: 108 min.
Elenco: Bryce Dallas Howard, Joaquin Phoenix, Adrien Brody, William Hurt, Sigourney Weaver, Brendan Gleeson, Cherry Jones, Celia Weston
Compositor: James Newton Howard
Roteirista: M. Night Shyamalan
Diretor: M. Night Shyamalan

Por sua conta e risco

Novo suspense de M. Night Shyamalan, apesar da imensa campanha de marketing, não passa de um filme decepcionante, com roteiro ridículo e personagens fracos

Os diálogos são a chave de tudo. Alguns deles podem chegar ao ponto de poupar a existência de textos imensos sobre filmes ruins. Portanto, não se assustem com o que vocês vão ler a seguir. Eu, chegando em casa após a sessão de A Vila, novo filme do M. "Noite Shayamalão" (sessão horrível por sinal, sábado à tarde, cinema lotado de pessoas mais preocupados em bater papo que ver o que se passa na tela, mas enfim, bola pra frente...), sou surpreendido pela seguinte pergunta, endereçada a mim pela senhora minha mãe:

- E aí, qual a reviravolta do filme?

A campanha publicitária em cima disso foi tanta, caro leitor, que a minha mãe, não uma apreciadora viciada na Sétima Arte, sabia de quem era o filme e sabia que haveria uma reviravolta. Pois bem, comentário à parte, os leitores precisam saber que este que vos escreve contou a ela exatamente o que se passa no filme, em um espaço de mais ou menos trinta segundos. O suficiente para ouvir um fabuloso:

- Putz, não dá mais pra conversar com você mesmo. Não fala NADA SÉRIO!

Passado o espírito que tomou conta da primeira parte deste texto, posso dizer que SIM, a reviravolta é ABSURDA, RIDÍCULA, DEPRIMENTE. Vocês vão pensar que estão em uma comédia. É bastante complicado comentar um filme desses sem entregar nada. Acredito que se trate de uma homenagem ao Mestre Yoda de STAR WARS, motivo pelo qual não posso revelar sem spoilers (que estarão em letras brancas para preservar os incautos).

Disseram por aí que o grande problema dele é o excesso de furos - discordo, se há algum é quase imperceptível. Na verdade, acho que tudo é vago, parece que há uma hora inteira preparada para depois ser jogada ao alto, e nada além disso, nada que se sustente... Os personagens são fracos, até involuntariamente engraçados, absolutamente incapazes de sustentar um suspense. Não que seja necessário ter personagens fortes em um filme que em tese é sobre criaturas assustadoras, mas... Paremos por aqui, hora dos spoilers!

INÍCIO DOS SPOILERS (se quiser lê-los, por sua conta e risco, siga em frente e selecione o texto)

Quando nós passamos a saber que as criaturas são mera invenção (é meu amigo curioso, quer saber mais? Pior ainda, do lado de fora do bosque está a civilização moderna! Hilário, não?), o filme deixa de ter o fator "medo" para se apoiar, e necessita dos personagens. E onde eles estão? Dois retardados mentais, um que treme quando fala com as pessoas, outro realmente retardado, uma garota cega-que-vê-bondade-nas-pessoas, e um cidadão aparentemente bilionário que fugiu da civilização por causa da violência. É neles que temos que basear o filme, e aí fica bem complicado. Sem contar que não há nem o desenvolvimento de situações. Após a primeira longuíssima parte, interminável, de apresentação da vila, vemos aquilo ser atirado para o alto e... nada. Nada mesmo. Vira um Garfield da vida. Aliás, vou adotar essa expressão de "Filme Nada", embora ainda haja o que se dizer sobre esse aqui, só preciso lembrar o quê... Ah, o Mestre Yoda. Dois pontos estabelecem uma grandessíssima relação entre A Vila e o anão verde: 1. O modo de falar ao contrário, genial isso; e 2. A fantasia das criaturas lembra o Mestre Yoda em versão grande, vestido de vermelho. Aliás, alguma escola de samba do Rio deve pensar imediatamente em comprar aquilo, será muito útil no enredo sobre as criaturas que criaram o mundo em Belém do Pará, ou algo do tipo.

FIM DOS SPOILERS

Para completar a viagem, acho que devia aparecer uma criatura no final e dizer para o Joaquim Phoenix "Luke, eu sou seu pai". 

Cotação:
Carlos Massari
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