 |
ARQUIVO X: EU QUERO
ACREDITAR (The X Files: I Want to Believe, EUA, 2008)
Gênero: Suspense, Ficção Científica
Duração: 99 min.
Elenco: David Duchovny, Gillian Anderson, Amanda Peet, Billy
Connolly, Callum Keith Rennie, Mitch Pileggi, Adam Godley, Xzibit
Compositor: Mark
Snow
Roteiristas: Frank Spotnitz, Chris Carter,
Diretor: Chris Carter |
Eu acreditei
Segundo - e
provavelmente último - filme da cultuada criação de Chris Carter possui uma
subtrama que foge do lugar comum da série, um ponto positivo que, no entanto,
desagradou aos fãs
Não cheguei a ser um fã, desses que não perdeu
nenhum episódio de ARQUIVO X (1993-2002), mas foi uma série que marcou tanto a
década de 1990 que era quase impossível ficar alheio às aventuras de Mulder e
Scully. E devo ter visto pelo menos uns trinta episódios de toda a série, tendo
acompanhado por completo apenas a última temporada, quando já estava com TV por
assinatura à minha disposição. Antes, havia apenas as chances de ver os
episódios esporadicamente, através das exibições na Rede Record, bem como nas
locadoras, já que alguns poucos episódios das primeiras temporadas chegaram a
ser disponibilizados em VHS. Mas o pouco que vi dessa série que durou nove
temporadas e um longa-metragem para cinema - que serviu de elo de ligação entre
duas dessas temporadas - foi suficiente para eu criar um vínculo afetivo com os
personagens.
Vale lembrar que ARQUIVO X - O FILME (1998), dirigido por Rob Bowman, um dos
principais diretores de episódios da série, surgiu no auge de popularidade do
programa e num momento em que a internet começava a se popularizar também. Dez
anos depois desse filme e seis depois de encerrada a série, Chris Carter traz de
volta o casal Fox Mulder e Dana Scully em mais uma missão para resolver, ainda
que os dois já estejam aposentados de suas antigas funções. Scully, em vez de
ficar no ostracismo, resolve seguir a sua carreira médica. Inclusive, as cenas
dela tentando salvar a vida de um garoto que tem uma doença gravíssima chegam a
ser tocantes, e a julgar pela maneira fria como o filme vem aparentemente sendo
recebido, muita gente deve ter achado até um pouco piegas esse aspecto mais
sentimental da trama. Para mim, essa subtrama está entre os pontos altos do
filme. Quanto a Mulder, ele continua interessado em fenômenos paranormais, E.T.s
e coisas do tipo, e vive escondido num lugar conhecido por poucas pessoas.
O FBI, sem conseguir resolver um caso complicado que envolve uma agente
desaparecida e um ex-padre de passado negro que tem o dom de ter visões, resolve
ir em busca de Mulder através de sua ex-parceira de trabalho, para que ele os
ajude. Com certo ceticismo, mas ao mesmo tempo desesperados, os agentes federais
utilizam esse médium para tentar encontrar a vítima que, segundo ele, ainda
estaria viva. A segunda seqüência do filme mostra o FBI e o médium encontrando
um braço decepado debaixo do gelo. E assim começa ARQUIVO X: EU QUERO ACREDITAR
(2008), dirigido pelo próprio criador da série, Chris Carter, que procura não
encaixar o longa na grande trama de extra-terrestres, como acontece no primeiro
filme, mas numa trama fechada, que pode ser compreendida por aqueles que nunca
viram um episódio da série. Mas, obviamente, assim como acontece com
SEX AND THE CITY - O FILME,
trata-se de um trabalho que é muito melhor apreciado e valorizado por aqueles
que já entraram em contato com a série e que criaram uma relação de afeto com os
personagens. Tanto Mulder e Scully são fascinantes. Opostos complementares, um
acredita até em chupa-cabra, a outra é adepta de São Tomé. É o típico caso de
que os opostos se atraem. E é muito bom ver um pouco da intimidade dos dois,
embora o filme seja bastante discreto nesse aspecto, preferindo focar mais a
atenção nos problemas que os dois precisam solucionar. Scully, então, é
duplamente pressionada, já que também está trabalhando com afinco para uma cura
para o garoto, que ela ama como se fosse o próprio filho.
O que pode incomodar ou decepcionar um pouco no longa, o que eu acho de certa
forma até compreensível, é a trama que está por trás de todo o mistério. E
talvez esse seja mesmo o maior ponto fraco do filme. Mas até chegarmos à
revelação final, ARQUIVO X: EU QUERO ACREDITAR ainda tem muito a oferecer ao
espectador em cenas de intriga, ação e suspense. No recheio, há uma relação de
antipatia imediata entre Scully e o padre, cujo passado negro é justamente o de
ter abusado de crianças, que surge ao mesmo tempo em que também há uma relação
sutil mas de certa proximidade entre Mulder e a agente interpretada por Amanda
Peet, principalmente por causa da ausência de Scully nas investigações, já que
ela prefere cuidar de algo que considera mais importante. Enquanto isso, Mulder
fica totalmente empolgado em poder novamente sentir aquela adrenalina dos velhos
tempos, de poder mergulhar no escuro do mistério. Mulder, seguindo os seus já
conhecidos métodos intuitivos, acredita - ou quer acreditar - que o padre possui
mesmo dons mediúnicos. Assim, além de de cenas que chegam a surpreender os fãs
da série, o filme ainda reserva a eles um pequeno presente, na figura de um
personagem querido que aparece no último ato.
Quanto aos atores que interpretam Mulder e Scully - diferente da maior parte do
elenco de FRIENDS, para citar outra série de sucesso dos anos 90 que deve virar
filme também -, pode-se dizer que David Duchovny e Gillian Anderson até que
tiveram (ou estão tendo) uma carreira relativamente bem sucedida, seja no
cinema, seja na televisão, ainda que Gillian, grande atriz que é, bem que
poderia dar mais o ar de sua graça. Na realidade, ela não parou de trabalhar. É
que ela tem se dedicado mais a produções britânicas que não têm chegado aqui.
Gillian tem uma beleza radiante, talvez hoje com os seus quarenta anos até mais
do que no comecinho de ARQUIVO X, com aquele visual que ainda carregava muito da
moda oitentista. E Duchovny está de volta à televisão, na bem sucedida série
CALIFORNICATION e em eventuais produções hollywoodianas, como o recente drama
COISAS QUE PERDEMOS PELO CAMINHO, de Susanne Bier.
|