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BABEL
(Babel, EUA, 2006)
Gênero:
Drama
Duração:
142 min.
Elenco:
Cate Blanchett, Brad Pitt, Gael García Bernal, Jamie McBride, Kôji Yakusho,
Lynsey Beauchamp, Nathan Gamble, Adriana Barraza, Elle Fanning, Rinko
Kikuchi, Aaron D. Spears
Compositor:
Gustavo Santaolalla
Roteiristas:
Guillermo Arriaga, Alejandro González Iñárritu
Diretor:
Alejandro González Iñárritu |
Não-linearidade e
indiferença
Sem a força
criativa dos filmes anteriores do diretor
Alejandro
González Iñárritu, drama estrelado por Brad Pitt e Cate Blanchet decepciona
Alguns filmes despertam
sentimentos tão contraditórios em quem os assiste que o resultado são opiniões
diametralmente opostas. No caso de BABEL (2006) tenho lido tanto críticas que
colocam o filme na mais baixa categoria quanto críticas que elogiam a sua força
dramática, sua catarse. Isso acaba nos forçando a tomar partido em uma das
frentes: na turma que odeia Alejandro González Iñárritu - e principalmente
BABEL, considerado por muitos o novo
CRASH -, ou na que admira o
trabalho do cineasta? Como eu me enquadrava no grupo dos que gostaram tanto de
AMORES BRUTOS (2000) quanto de
21 GRAMAS (2003), achava que a possibilidade de eu não gostar de BABEL seria
muito pequena. Confesso que acabei me decepcionando um pouco com o filme e não
sentindo nem metade da angústia que os filmes anteriores me provocaram. Sobrou a
indiferença. E pela primeira vez nos filmes do diretor, eu me incomodei com a
burrice dos personagens. Principalmente do pouco explorado personagem de Gael
Garcia Bernal. Por outro lado, pode-se dizer que a burrice - ou a inocência,
para ser menos agressivo - não deixa de ser uma característica humana e
independe de classe social ou mesmo de capacidade intelectual.
Em BABEL, o efeito dominó se inicia a partir do tiro de um rifle. Dois meninos
marroquinos testam inocentemente a arma que o pai comprou para eles matarem os
chacais que comiam as cabras. Um dos meninos, duvidando do alcance da arma,
resolve testar num ônibus de turistas que passa pela estrada abaixo da
ribanceira onde eles estão. Resultado: uma turista americana (Cate Blanchett) é
baleada e seu marido (Brad Pitt) fica desesperado, tentando com dificuldade
conseguir ajuda médica naquele lugar. Apesar de não ter uma força dramática tão
envolvente quanto deveria, a estória que se passa em Marrocos é a mais bem
resolvida de todas. Ao menos, se levarmos em consideração o filme como um todo,
e não por partes separadas. Visto em separado, talvez o segmento no Japão seja o
melhor. Mas é o que mais parece estar forçadamente costurado ao enredo. Não é
porque um japonês deu de presente uma arma para um marroquino que ele é culpado
pelo acontecido. Se for assim, porque não ir atrás também dos fabricantes das
armas? Visto em separado, o segmento no Japão é o que mais traz interessantes
experimentações de som - a protagonista é uma menina surda – e onde a câmera se
aquieta mais um pouco, deixando espaço para respirar, para aprofundar um pouco o
drama da garota carente e valorizar a geografia de Tóquio.
Falando em geografia, não deixa de ser interessante o fato de Iñarritu ter
abordado um tema tão incômodo para os americanos, que é o da travessia dos
mexicanos no deserto para entrarem ilegalmente nos Estados Unidos. Inclusive, na
última segunda-feira, quando o diretor subiu ao palco para receber das mãos de
Arnold Schwarzenegger o Globo de Ouro de Melhor Filme - Drama, ele fez uma
brincadeira dizendo que estava com a documentação em dia. Pena que Iñarritu
filmou o seu próprio povo de maneira estereotipada, preferindo não mostrar nada
das belezas naturais do México. Terá sido para tornar mais evidente a distância
que existe entre o México (e o Marrocos) e os países do primeiro mundo -
representados pelos Estados Unidos e pelo Japão?
No que se refere à narrativa, e comparando com os seus dois trabalhos anteriores
- também em parceria com Guillermo Arriaga - percebe-se facilmente que BABEL tem
uma estrutura bem mais simples. Ainda há um pouco da não-linearidade, mas de
maneira bem menos radical. BABEL é o mais convencional dos filmes da dupla
Iñarritu-Arriaga. Aliás, de quem será a culpa pela opção pela montagem
não-linear, do diretor ou do roteirista? Lendo uma entrevista de Iñarritu, ele
conta que quando era criança, seu pai costumava contar para ele umas histórias
de maneira bem pouco usual. Ele parava a história no meio, em seguida ia para o
final, depois voltava para o começo... Iñarritu diz também que tinha uma tia que
gostava de contar histórias de forma linear e que ele achava isso muito chato. O
diretor culpa o pai e o déficit de atenção que ele tem como as causas de ele
pensar de forma "diversa". Talvez Iñarritu seja um dos mais importantes
representantes desses tempos em que vivemos, onde a dificuldade de concentração
é comum devido à avalanche de informações fragmentadas e de fácil acesso.
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