BATISMO DE SANGUE (Brasil, 2007)
Gênero: Drama
Duração: 110 min.
Elenco: Caio Blat, Daniel de Oliveira, Cássio Gabus Mendes, Ângelo Antônio, Léo Quintão, Odilon Esteves, Marcélia Cartaxo, Marku Ribas, Murilo Grossi, Renato Parara
Compositor: Marco Antônio Guimarães
Roteiristas: Dani Patarra, Helvécio Ratton
Diretor: Helvécio Ratton

Para não esquecer

Novo filme do diretor Helvécio Ratton lembra com competência um dos períodos mais negros da História brasileira

O cinema nacional já possui dezenas de títulos que abordam os anos da ditadura militar. Sem dúvida, foi um dos momentos mais marcantes da nossa História e que merece ser sempre lembrado para evitar que um dia ele aconteça novamente. BATISMO DE SANGUE (2006), de Helvécio Ratton, é mais um filme a contribuir com essa temática. O próprio diretor viveu exilado no Chile naquela época, e talvez por isso esse filme seja o que mais se aproxima de sua experiência de vida.

BATISMO DE SANGUE é baseado no livro homônimo do Frei Betto e narra o envolvimento da Igreja, em especial os frades dominicanos, em grupos militantes de esquerda. Daniel de Oliveira interpreta o Frei Betto e Caio Blat é o Frei Tito, o personagem do filme que mais sofreu com as torturas, já que até as lembranças do que ele passou continuaram o assombrando até o fim de sua vida. Cássio Gabus Mendes é o temido Delegado Fleury, o homem que faz de tudo para matar peixe grande como o líder guerrilheiro Carlos Marighella, assassinado em 1969 pelos homens de Fleury. O filme não economiza nas cenas de tortura, que chegam a incomodar o público mais sensível. Agora, pelo que o filme mostrou, parece que o Frei Betto conseguiu escapar das torturas que os outros passaram.

Gostei dos tons sombrios que o filme adota para abordar a perda progressiva da sanidade de Frei Tito - de longe o personagem mais interessante do filme -, bem como da narrativa quase didática, mas muito bem conduzida, por Ratton. Entre os momentos mais interessantes destaca-se a cena da missa na prisão, onde a hóstia e o vinho são substituídos por Q-Suco de uva e bolacha Maria. Emocionante também a seqüência da saída de Frei Tito da prisão, enquanto os outros presos cantam o Hino da Independência. Uma cena que poderia sintetizar o filme. BATISMO DE SANGUE seria, então, uma ode à liberdade, mas a ênfase na tortura e nas graves conseqüências que o golpe militar teve na vida de muitos brasileiros faz com que saiamos do cinema mais cabisbaixos do que exultantes.

Cotação:
Ailton Monteiro
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