 |
BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS
(The
Dark Knight,
EUA, 2008)
Gênero: Aventura
Duração: 142 min.
Elenco: Christian Bale, Michael Caine, Heath Ledger, Gary Oldman,
Aaron Eckhart, Maggie Gyllenhall, Morgan Freeman, Eric Roberts, Cillian
Murphy, Anthony Michael Hall, Michael Jai White
Compositor: Hans
Zimmer, James Newton
Howard
Roteiristas:
Jonathan Nolan, Christopher Nolan, David S. Goyer
Diretor: Christopher Nolan |
Porque tão sério?
Porque
Christopher Nolan superou Batman Begins - e não se trata aqui apenas de
dizer que esta é a melhor adaptação de heróis de quadrinhos já feita: trata-se
de um excelente filme, em qualquer gênero
Sendo fã de carteirinha de Batman, em 2005
fiquei empolgado com BATMAN BEGINS, e não fazia a mínima idéia de que o
diretor/roteirista Christopher Nolan estava apenas preparando o terreno para
este estupendo BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS, de longe a melhor adaptação de
um herói dos quadrinhos já feita e, por méritos próprios, um excelente filme
independentemente de gênero.
Acertadamente Nolan, no filme anterior, optou por ignorar totalmente a
cinessérie parida em 1989 por Tim Burton e assassinada em 1997 por Joel
Schumacher, e recontou a história do Homem-Morcego desde o seu início, adotando
um tom mais sério e realista e buscando elementos em algumas das melhores
graphic novels do herói da DC Comics. Nesta seqüência o roteiro de Nolan, em parceria com
seu irmão Jonathan e baseado em uma história de David S. Goyer, possui uma clara
influência de "A Piada Mortal", escrita por Alan Moore, porém, como no filme
anterior, traz elementos de outros quadrinhos de Batman - como o título,
extraído da aclamada obra de Frank Miller.
A Unidade de Crimes Hediondos da polícia de Gotham City, chefiada pelo tenente
Jim Gordon (Gary Oldman) e tendo Batman (Christian Bale) e o promotor Harvey
Dent (Aaron Eckhart) como aliados, trava uma difícil guerra contra o crime
organizado que domina a cidade. A situação torna-se simplesmente infernal quando
um novo criminoso, o Coringa (o falecido Heath Ledger) surge para provocar o
caos tanto no lado da lei como no lado do crime. O Coringa é exatamente isso -
um sujeito ensandecido e sádico, em sua própria definição um agente do caos, que pretende mostrar que
mesmo as entranhas do lado "do bem" de Gotham estão apodrecidas.
Os pontos positivos de BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS são muitos, a começar
pelo desempenho (desculpem a palavra) sobrenatural de Heath Ledger como o
Coringa. Falecido logo após as filmagens, Ledger parece ter nascido para
encarnar a versão definitiva do mais tradicional inimigo de Batman, e sua
atuação cai como uma luva no perfil que o roteiro deu ao personagem. Suas piadas
nunca foram tão sádicas e mortais como aqui, e a presença do ator na tela nos
passa a perfeita sensação de estarmos vendo, à nossa frente, a pura essência do
mal. Isso dá ao filme uma força fantástica, já que ele é centrado, basicamente,
na influência dos atos do Coringa nos personagens centrais. Entre os quais,
aliás, se inclui Maggie Gyllenhall, que substituiu Katie Holmes no papel da paixão de Bruce Wayne, Rachel Dawes.
Se no filme de 1989 podemos dizer que o Coringa de Jack Nicholson roubou a cena
do Batman fracote de Michael Keaton, aqui o Homem-Morcego de Christian Bale é um
oponente à altura. Com ou sem a máscara, nota-se que Bale está mais
confiante e à vontade no papel. A cena dele com Ledger, quando Batman interroga
o Coringa, na polícia, tem a eficácia de um soco no estômago. Outra grande
presença é de Aaron Eckhart como Harvey Dent, que como qualquer fã do Morcego
sabe, de um exemplo de virtude transforma-se em outro vilão enlouquecido, o
Duas-Caras. Mas também aqui o roteiro aprofunda o personagem, fazendo dele não
apenas um vilão sádico que, após o acidente que destrói metade do seu rosto,
volta-se contra seus ex-aliados.
Contando com um elenco de coadjuvantes de luxo (os sempre excelentes Michael
Caine, Morgan Freeman e, especialmente, Gary Oldman), que inclui vários rostos
conhecidos do cinema e da TV, o filme possui quase duas horas e meia de duração,
é intrincado, violento - é um Batman para adultos, apesar de não vermos o sangue
espirrar, a violência, tanto física como psicológica, nos agride -, e possui
bem mais do que a antológica interpretação de Ledger (cuja morte, aliás, deixou
um problema para o terceiro filme). E a
árida
trilha sonora, mais uma vez de
Hans Zimmer e James Newton Howard,
ajuda a tornar o ensaio sobre o heroísmo proposto por Nolan ainda mais sombrio.
A direção é fantasticamente precisa, e se algumas situações são
estendidas além do que deveriam, isto não chega a tornar BATMAN - O
CAVALEIRO DAS TREVAS algo diferente do que é - uma excepcional, densa e psicológica aventura policial,
que se encerra com um desde já clássico monólogo de Gordon ouvido enquanto Batman, ferido
e foragido da Justiça,
desaparece nas sombras. Não sei se em 2009 Ledger ganhará o Oscar póstumo de que tanto
andam falando, mas tenho certeza de que se a ousadia de Nolan ganhar o prêmio de melhor
filme, não se estará fazendo nenhuma injustiça.
|