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Para
os fãs dos filmes de
horror ou de ficção científica, o nome do jovem e talentoso Marco Beltrami é
bem familiar, já que ele compôs as partituras originais de filmes como "Pânico", "Mutação",
"Resident Evil", "Blade II" e "O Exterminador do Futuro
3". Em julho de 2003, durante uma pausa nos trabalhos de seu score
para "Hellboy", Beltrami
nos concedeu esta entrevista exclusiva.
Jorge Saldanha - Sr. Beltrami, é uma grande satisfação para mim
conduzir esta entrevista para os nossos leitores. A primeira vez que eu vi seu
nome na tela de cinema foi em "Pânico", porém seu primeiro score
que de fato chamou minha atenção foi "Mutação", gostei bastante
daquela voz de garoto no 'Main Title'. Você trabalhou em muitos filmes do
gênero e certamente todos renderam trabalhos de alta qualidade. Estou certo de
que os scoretrackers querem conhecer um pouco mais sobre sua carreira e
trabalho. Marco Beltrami é principalmente conhecido como um compositor de
filmes de FC e horror. O que você acha disso?
Marco Beltrami - No momento não vejo
problema; a maior parte dos filmes que fiz e que se saíram bem nas
bilheterias foram destes gêneros e eu ainda sou jovem, então tenho tempo para
mudar essa impressão. Acho que posso contribuir bastante também para outros
tipos de filmes.
JS - Qual é a sua formação musical?
MB - Concluí o mestrado de composição
musical na Faculdade de Música de Yale.
JS - Como você começou? Na TV ou no cinema?
MB - Foi em uma série de TV chamada "Lands End",
seguida por um par e telefilmes da semana e, finalmente, "Pânico".
JS - Você nasceu na Itália?
MB - Não. Nasci em Long Island, NY, em 1966.
Meu pai é de origem italiana, minha mãe é de origem grega.
JS
- Então "Pânico", de Wes Craven, foi o seu primeiro trabalho de
destaque?
MB - Foi sim.
JS - Fale-nos um pouco sobre esse trabalho.
MB - Eu
soube, através do amigo de um dos assistentes de Craven, que estavam à procura
de um compositor. Eu gravei uma fita, a qual ele ouviu e gostou. Tive uma
reunião na tarde de uma sexta-feira, quando ele exibiu para mim a cena de
abertura (de 13 minutos, a cena da morte da Drew Barrymore). Craven me pediu
para gravar uma demonstração das minhas idéias, para levar-lhe até a manhã
de segunda-feira. E deu certo!
JS - Que tipo de influência Craven teve nos scores da série "Pânico"?
MB - Ele me ajudou no que assustar, onde
deveria extravasar (como por exemplo antes de uma grande surpresa).
JS - Dos três filmes da série, qual o seu favorito em termos musicais?
MB - Provavelmente o primeiro.
JS - A propósito, de que modo aquela música de "A Última Ameaça"
tornou-se o tema de um dos personagens principais?
MB - Ela foi usada na trilha temporária.
JS - Em sua música você tem alguma influência de compositores de
cinema clássicos ou modernos?
MB - Sim. Tudo que ouço é uma fonte de
influência em potencial
JS - Em termos de composição, você prefere pequenos grupos de
instrumentos ou grandes orquestras?
MB - Os dois.
JS - Como você descreveria sua música, estilisticamente?
MB - Eu não faço isso. Outros
parecem fazer isso muito bem.
JS - Que tipo de relacionamento você teve com os diretores para os
quais trabalhou?
MB - Até agora, muito bom!
JS - Nos filmes em que trabalhou, algum diretor já fez alguma mudança
significativa em sua música?
MB - Ainda não...
JS
- Parece-me que você e Guillermo Del Toro mantém uma saudável e contínua colaboração,
em filmes como "Mutação", "Blade II" e o ainda inédito "Hellboy".
Ele parece ser um cara divertido.
MB - Sim, ele tem
um senso de humor afiado.
JS - Como vocês se conheceram?
MB - Eu o conheci em Toronto
nas filmagens de "Mutação", e me vi correspondendo ao seu estilo
único de filmar.
JS - No DVD de "Blade II" podemos ver algumas cenas das
sessões de gravação da trilha, com você e o diretor. Del Toro compareceu em
todas as sessões?
MB - Sim, ele sempre estava lá.
JS - Que tipo de colaboração ele deu à partitura?
MB - Ele me encorajou a tratar o
personagem Blade como se fosse um samurai, e ajudou a adaptar certos motivos
para diferentes áreas do filme.
JS - Seu próximo trabalho para Del Toro será "Hellboy". O que
você já pode nos dizer sobre o filme e sua música?
MB - Por enquanto me parece ótimo. Será
um grande score orquestral com forte ênfase nos temas.
JS
- Sou fã da série de games "Resident Evil" e gostei do filme,
mas de fato eu prefiro a música dos jogos. O score é muito alto e
barulhento, em sua maior parte ele não tem a ambiência e o clima da trilha dos
jogos. De que modo você encarou este trabalho?
MB - Bem, foi uma parceria minha com Marilyn Manson
e ele deveria ser agressivo, eletrônico e cheio de adrenalina. Eu acho que
ficou muito bom.
JS - Aliás, sobre a sua parceria com Manson em "Resident Evil",
ele compôs o tema principal e o que mais?
MB - Foi exatamente meio a meio.
JS - E Manson é
mesmo aquele cara bizarro?
MB - O que você
acha?
JS
- Seu último projeto concluído é "Terminator 3: Rise of the Machines",
em exibição nos cinemas e com um bom CD do score lançado pela Varèse Sarabande.
O compositor original da série, Brad
Fiedel, chegou a ser cogitado pelo diretor
Jonathan Mostow?
MB - Não, acho que não. Jonathan ouviu
minha música na trilha temporária, gostou dela e batalhou para que eu
compusesse para o seu filme.
JS - Nos filmes anteriores da série, a música era fria e interpretada
quase toda em sintetizadores, uma combinação perfeita com o Exterminador e um
mundo do futuro dominado pelas máquinas. Para este episódio, além dos
sintetizadores você empregou uma grande orquestra para interpretar a trilha.
Porque?
MB - Creio que T3 possui sentimento e
abrangência diferentes de T1 e T2, e deste modo a música necessitava ser
diferente também.
JS
- No CD de "Terminator 3" estão faltando aproximadamente 40 minutos
de música. É uma pena, você não acha?
MB -
Foi difícil de escolher, mas infelizmente boa parte da música tinha de ser
cortada. O CD tem uns 45 min. de duração por razões sindicais/de custo
então, sim, ficou bastante coisa de fora.
JS - O CD de "O Exterminador do Futuro 3" inclui um novo
arranjo orquestral do tema original de Brad Fiedel. Este tema foi integrado na
música incidental?
MB - Não, ele é usado apenas no final,
quando o filme escurece.
JS - "Terminator 3" é o seu primeiro filme com um grande
orçamento. Você acha que este trabalho trará mudanças na sua carreira?
MB - Isso nós veremos.
JS - Entre todos os scores que você compôs para a TV e o cinema,
qual é o seu favorito?
MB - Pergunta difícil. Não saberia dizer.
JS - Sr. Beltrami, muito obrigado e... boa sorte!
MB - Obrigado a você pelo interesse.
Estou me esforçando muito para manter a música de cinema uma arte empolgante e
inovadora.
Agradecimentos especiais a Chad Joseph da Costa
Communications, por tornar esta entrevista possível.
Visite o website de Marco Beltrami em http://www.marcobeltrami.com/.
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