A LENDA DE BEOWULF (Beowulf, EUA, 2007)
Gênero: Aventura
Duração: 113 min.
Elenco: Ray Winstone,
John Malkovitch, Anthony Hopkins, Robin Wright Penn, Crispin Glover, Brendan Gleeson
Compositor: Alan Silvestri
Roteiristas:
Neil Gaiman, Roger Avary
Diretor: Robert Zemeckis

Guerreiro sintético

Nova animação digital do diretor Robert Zemeckis aperfeiçoa a técnica da captura de desempenho e melhora o visual dos atores, mas não consegue ser mais do que uma aventura mediana

Dizem que ver A LENDA DE BEOWULF (2007) em salas equipadas com projeção em 3-D é uma experiência totalmente diferente. Como na cidade onde eu moro ainda não existe sala com esse tipo de equipamento, não tive esse privilégio. Desse modo, da maneira que vi, a segunda incursão de Robert Zemeckis na técnica de animação conhecida como performance capture - a primeira havia sido O EXPRESSO POLAR (2004) - me pareceu uma aventura apenas mediana.

Obviamente, houve progresso em relação ao trabalho anterior do diretor nos aspectos técnicos, mas o que mais me interessou no filme foi o enredo, passado na Dinamarca medieval e que lida com guerreiros bárbaros lutando contra monstros marinhos e dragões. Não que eu seja fã desse tipo de aventura medieval e fantástica, mas por ser "Beowulf" a mais antiga obra de ficção em língua inglesa, e como não havia visto nenhuma adaptação para o cinema do tal poema épico, me pareceu uma oportunidade interessante, embora eu não saiba o quanto foi modificado em relação ao texto original. Sem falar que eu acho interessante ver esse período da história em que as sociedades ocidentais começaram a se desfazer de seus deuses e de suas crenças "pagãs" para aderir ao crescente Cristianismo.

Na trama, Beowulf (Ray Winstone, um barrigudo na vida real) é um forte guerreiro que chega a um reino para eliminar Grendel, um monstro que aterroriza e mata o povo local. A primeira seqüência do filme é memorável. Anthony Hopkins, o rei, é recebido com alegria para uma grande festa, com direito a banquete e orgia. O barulho da festa atormenta o monstro, parecido com o Gollum de O SENHOR DOS ANÉIS, só que bem mais feio (se é que isso é possível) e de estatura gigantesca. Muito boa a tomada que vai do local da festa até a floresta onde habita a tal criatura. Ele arromba a porta do lugar e mata várias pessoas. E só vai embora quando é confrontado pelo rei, com quem tem uma aparente relação de respeito. Mais tarde saberemos o porquê disso. Depois dessa chacina chega Beowulf, que numa atitude de coragem - e também de vaidade e exibicionismo - tira toda a sua roupa para lutar contra o monstro, peladão. Engraçado os recursos que o filme utiliza para esconder os órgãos genitais do bravo guerreiro.

Com roteiro de Neil Gaiman (ele está cada vez mais se enturmando com o pessoal de Hollywood) e Roger Avary, o filme tem seqüências bem sangrentas. Diria que se não tivesse sido realizado como uma animação, provavelmente receberia uma censura 18 anos por aqui e um NC-17 nos Estados Unidos. Há ainda a nudez da personagem de Angelina Jolie, a verdadeira vilã da estória, uma espécie de bruxa, mãe de Grendel, cujo corpo perfeito e voz suave encanta a quem se aproxima, apesar daquele enorme rabo de capeta. Engraçado ver Jolie com um corpo tão perfeito logo num momento em que ela aparece na mídia (revistas de fofoca, principalmente) com aspecto quase cadavérico, de tão magra e cheia de pelancas que está. Há boatos que dizem que ela está com uma doença grave, outros dizem que é anorexia. Se continuar desse jeito, Brad Pitt vai acabar pulando para fora do barco.

Cotação:
Ailton Monteiro
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