BOBBY (Bobby, EUA, 2006)
Gênero: Drama
Duração: 120 min.
Elenco: Harry Belafonte, Joy Bryant, Nick Cannon, Emilio Estevez, Laurence Fishburne, Brian Geraghty, Heather Graham, Anthony Hopkins, Helen Hunt, Joshua Jackson, David Krumholtz
Compositor: Mark Isham
Roteiristas: Emilio Esteves
Diretor: Emilio Esteves

Grande hotel, grande homem... Grande filme!

Emilio Esteves surpreende ao roteirizar e escrever este brilhante filme sobre os dias que antecederam ao assassinato do Senador Robert Kennedy

Emilio Estevez nunca foi um grande ator, nem mesmo uma estrela de primeira grandeza. E, apesar de possuir uma certa experiência como diretor, jamais havia feito, até então, um trabalho significativo. Por isso, é surpreendente ser ele o responsável - como diretor e também como roteirista - deste brilhante BOBBY, relato (com um, ou melhor dizendo, os dois pés no cinema verdade) sobre os dois dias que antecederam ao assassinato do Senador Robert Kennedy em 1968. Irmão de John Kennedy, humanista, contrário à guerra do Vietnam e defensor das minorias, Robert Kennedy era o favorito à eleição presidencial daquele ano - até ser assassinado a tiros na cozinha do Ambassador Hotel, a 06 de junho de 1968.

Hotel favorito da grande maioria das celebridades que chegavam à California, o Ambassador tornou-se subitamente um local marcado pelo crime ocorrido em seu interior, e nunca mais recuperou o mesmo prestígio. Com um tom nostálgico nesse sentido (para o que contribui, e muito, o personagem de Anthony Hopkins), BOBBY recria de forma brilhante o cotidiano da classe média alta daquela época, desenvolvendo com uma precisão que nos remete a Robert Altman, vários microcosmos de pessoas que estavam, pelos mais variados motivos, presentes ao Ambassador na data em que Kennedy iria dar aquele que viria a ser seu último discurso, mas que não se encontravam no local necessariamente para vê-lo - embora, obviamente, fosse impossível permanecer indiferente à proximidade de sua chegada.

Cenários e figurinos são brilhantes na recriação da época, e o roteiro impecável de Estevez constrói com notável precisão os mais variados prismas - das minorias oprimidas e de pouca voz ao rapaz que planeja escapar do Vietnam, da dondoca preocupada com o par de sapatos à cabeleireira que se acredita estar sendo traída - que, unidos e intercalados, acabam por compor o registro histórico de uma época, de um momento, e, acima de tudo, registrar a importância de seu biografado para a época em que vivera. Um filme simplesmente imperdível.

Cotação:
Carlos Dunham
FILME EM DESTAQUE