BORAT - O SEGUNDO MELHOR REPÓRTER DO GLORIOSO PAÍS CAZAQUISTÃO VIAJA À AMÉRICA (Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan, EUA, 2006)
Gênero: Comédia
Duração: 84 min.
Elenco
: Sacha Baron Cohen, Ken Davitian, Luenell, Pamela Anderson, Bob Barr, Bobby Rowe, Alan Keyes, Mariam Behar, Spirea Ciorobea, Michael Psenicksa, Jim Sell, Larry Walker, Linda Stein
Compositor: Erran Baron Cohen

Roteiristas
: Peter Baynham, Sacha Baron Cohen, Anthony Hines, Dan Mazer
Diretor
: Larry Charles

Nasce um gênio?

Sacha Baron Cohen se apresenta ao público internacional com um personagem hilário numa comédia que consegue unir escatologia e conteúdo

Em vários momentos de BORAT (2006) eu fiquei admirado com a audácia com que o personagem título, interpretado por Sacha Baron Cohen, realiza algumas de suas piadas e pegadinhas. Tem coisas lá que lembram muito JACKASS - especialmente as cenas em que Borat pergunta onde deve colocar suas fezes, ou na cena em que ele pega o amigo se masturbando vendo fotos de Pamela Anderson numa revista -, mas há uma qualidade toda particular nesse filme.

BORAT vai além de um mero filme com pegadinhas e momentos escatológicos. O seu conteúdo político acabou causando ainda mais polêmica. Inclusive, quem vê o filme sem saber que Sacha Baron Cohen é judeu, pode até imaginar que ele é mesmo anti-semita. Ele pega pesado com sua própria raça, brincando com um assunto bastante delicado. Recentemente tive a oportunidade de ler "O Complô - A História Secreta dos Sábios de Sião", de Will Eisner, e vi que o ódio que alguns povos nutrem pelos judeus vem de longa data. Tanto que o tal Protocolo foi inventado por um russo. Como o Cazaquistão é vizinho da Rússia, talvez ainda hoje haja uma forte "implicância" com o povo judeu por aqueles lados do globo.

Em BORAT, Sacha Baron Cohen é um cazaquistanês que é escolhido para viajar para os Estados Unidos e fazer uma reportagem sobre os costumes e os hábitos do povo americano. Ao chegar lá, assiste no quarto de hotel um episódio de BAYWATCH e fica apaixonado pela Pamela Anderson, querendo a todo custo chegar à Califórnia. Assim, o filme vai trazendo uma série de situações engraçadas e constrangedoras envolvendo Borat e as pessoas que ele vai encontrando pelo caminho. O formato do filme é o de um falso documentário (mockumentary) e na maioria das cenas, as pessoas com quem ele contracenava não sabiam que tipo de projeto se tratava. Inclusive, algumas dessas pessoas tentaram processar os produtores do filme sob a alegação de não saberem que o filme seria exibido nos Estados Unidos.

Do começo ao fim, Borat vai destruindo com a própria ignorância vários valores americanos, seja no terreno da religião (ele vai parar numa igreja evangélica), seja da política (destaque para a letra do hino do Cazaquistão cantada em cima do Hino Nacional dos EUA). Aqui no Brasil, para ajudar na adaptação dos diálogos do filme para o português, a turma do Pânico da RedeTV foi convidada. Eles ajudaram principalmente nas partes que trazem as várias expressões utilizadas por Borat, como "Get entry into her vazhïn", "Sexy time" e "Make a smell".

Estão falando numa continuação para BORAT, o que eu acho ótimo. Enquanto isso, dando uma olhada nos próximos trabalhos de Sacha Baron Cohen que estão no IMDB, vi que foram anunciadas as comédias CURLY OXIDE AND VIC THRILL (com Tina Fey) e DINNNER FOR SCHMUCKS. Será que o ator consegue ser também engraçado na pele de outros personagens? Se isso acontecer, podemos estar testemunhando o surgimento de um novo gênio da comédia. Ah, o filme foi dirigido por Larry Charles, o barbudo que se tornou conhecido graças aos ótimos roteiros que escreveu para a série SEINFELD.

Cotação:
Ailton Monteiro
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