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BRASÍLIA 18% (Brasil,
2006)
Gênero: Drama
Duração: 102 min.
Elenco: Otávio Augusto, Othon Bastos, Karine Carvalho, Ada
Chaseliov, Romeu Evaristo, Déo Garcez, Bruna Lombardi, Malu Mader
Compositor: Paulo Jobim
Roteirista: Nelson Pereira dos Santos
Diretor: Nelson Pereira dos Santos
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A volta do imortal
Prestes a assumir uma cadeira na
Academia Brasileira de Letras, Nelson Pereira dos Santos retorna às telas com um
criativo thriller
É um alívio poder ver um filme nacional com
sabor de década de 80, parecido com aqueles distribuídos pela extinta Embrafilme.
Ultimamente eu ando um pouco enjoado de filmes com cara de novela da Globo. E
por mais que BRASÍLIA 18% (2006) tenha os seus problemas, o filme de Nelson
Pereira dos Santos é uma delícia de se ver. Muita gente anda reclamando de uma
certa ingenuidade do diretor em relação à política brasileira. Dizem que ele foi
pouco sutil também. Pode até ser, mas que bom que Nelson não fez um thriller
político e chato. Que bom que ele fez um filme ambíguo, alucinatório, generoso
(no quesito nudez feminina) e divertido.
Uma das diversões do filme está nos nomes que o diretor deu para os seus
personagens, a maioria de escritores brasileiros (será que tem algo a ver com o
fato de Nelson Pereira dos Santos ter sido escolhido como membro da Academia
Brasileira de Letras?). Assim, o personagem de Carlos Alberto Riccelli chama-se
Olavo Bilac; o homem acusado de ter matado a assessora parlamentar é Augusto dos
Anjos. Outros nomes conhecidos, como os de Machado de Assis, Gregório de Matos,
Rui Barbosa e Jean-Paul Sartre, também são citados. Castro Alves, o poeta
favorito de Nelson, foi poupado dessa brincadeira. Outra coisa: posso estar
viajando, mas tenho a impressão que o nome dado à personagem de Malu Mader
(Georgina Romero) foi uma homenagem ao cineasta George Romero.
Na trama, Riccelli é um médico legista chamado de Los Angeles para elaborar o
laudo de um corpo encontrado. Suspeita-se que o corpo seja de Eugênia Câmara (Karine
Carvalho), uma jovem assessora parlamentar desaparecida e que, dizem, estaria
prestes a denunciar fraudes envolvendo políticos poderosos. A intenção dos
políticos é "comprar" o médico para que ele assine logo o laudo implicando a
culpa no cineasta namorado da moça, que a teria matado depois de ter visto um
vídeo em que ela fazia sexo com dez homens num inferninho. Nesse sentido, o
filme até se assemelha a TWIN PEAKS, a série de David Lynch. Enquanto isso,
Olavo Bilac tem alucinações com sua falecida esposa (Bruna Lombardi) e com a tal
moça. Um detalhe interessante é que Karine Carvalho, sempre que aparece para
ele, aparece como veio ao mundo.
Quando o filme se aproxima do final, em vez de obtermos as respostas para as
nossas perguntas, ficamos ainda mais sem chão, especialmente na cena final
dentro do avião. Não que ela seja de natureza fantástica, mas do ponto de vista
da ironia. Independente do que Nelson Pereira dos Santos tenha intencionado
dizer com esse filme, sua narrativa é prazerosa o suficiente para me deixar
feliz ao sair do cinema. Também fiquei feliz de ter tido a chance de ver no
cinema um filme inédito de um lendário e importante cineasta, um homem que
mereceria ser mais respeitado. Torço para que alguma distribuidora lance em DVD
sua filmografia de mais de vinte títulos.
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