Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, EUA, 2004)
Gênero: Comédia
Duração: 108 min.
Elenco: Jim Carrey, Kate Winslet, Gerry Robert Byrne, Elijah Wood, Thomas Jay Ryan, Mark Ruffalo, Jane Adams, David Cross
Compositor: Jon Brion
Roteiristas
: Charlie Kaufman, Michel Gondry, Pierre Bismuth
Diretor: Michel Gondry

Incursão mental

O diretor Michel Gondry consegue transformar mais um roteiro maluco de Charlie Kaufman num bom filme

Antes do filme começar, uma exibição de Linha Direta no cinema. E de segunda mão, pois trata-se de uma bizarra propaganda anti-pirataria, que compara roubo de carros a baixar produções na Internet. Nunca tinha visto isso antes mas é hilário demais, recomendo.

Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças
é mais um roteiro maluco de Charlie Kaufman, incursão mental das melhores, tipo Quero ser John Malkovich, filme do qual não sou dos maiores fãs. Mas aqui tudo é mais leve, o romance inicial de um sujeito do tipo "Não consigo trocar dois olhares com uma mulher", com uma garota extremamente maluca, que muda a cor do cabelo semanalmente. Premissa singela, o amor supera tudo.

Supera mesmo, e a premissa é interessantíssima: após o relacionamento, que como vocês devem ter imaginado tornou-se um desastre, a personagem de Kate Winslet procura um médico/cientista que criou um processo pra apagar a mente dos apaixonados frustrados. O sujeito vivido pelo Jim Carrey descobre e vai atrás do cara, querendo que o mesmo ocorra com ele.

Todos os personagens são muito bem construídos, guardando segredos até os últimos segundos. Frase clichê essa, mas está no péssimo nível do texto. Enfim, o mais legal de tudo é a propaganda anti-pira... err, esqueçam isso. O mais legal de tudo é a maneira anti-convencional de se desenvolver um romance, dentro de memórias inexistentes, se vocês me entendem. Se não, quando assistirem o filme, entenderão.

A cena do bebê Carrey é antológica, parece até haver pequenas metáforas dentro do processo de remoção de lembranças, very cool. Michel Gondry, diretor do qual conheço pouquíssima coisa (para falar a verdade, e isso é caso de internação urgente, eu não lembro se vi Human Nature), surpreende, mas faz o básico para transformar um roteiro de Charlie Kaufman num bom filme. O contrário, sinceramente, deve ser impossível. E o maluco necessitado de internação aqui ainda acha Confissões de uma Mente Perigosa seu melhor filme.

Cotação:
Carlos Massari
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