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CAIXA DOIS
(Brasil, 2007)
Gênero
: Comédia
Duração
: 83 min.
Elenco
: Fúlvio Stefanini, Giovana Antonelli,
Zezé Polessa, Daniel Dantas, Cássio Gabus Mendes, Thiago Fragoso, Marina
de Sabrit, Robson Nunces, Zedú Neves, Márcio Mussarela
Roteiristas
: Juca de Oliveira, Márcio Alemão
Diretor
: Bruno Barreto |
Não sei de nada
Versão
cinematográfica da peça de Juca de Oliveira, dirigida por Bruno Barreto, parece
bastante atual diante dos escândalos recentes envolvendo o governo do PT
Legal poder ver no cinema
dois bons filmes nacionais no intervalo de uma semana. Na semana passada, foi a
vez de Ó PAÍ, Ó, de Monique Gardenberg. Nesse último final de semana, entrou em
cartaz CAIXA DOIS (2007), de Bruno Barreto. Em comum, o fato de os dois filmes
derivarem de bem-sucedidas peças teatrais. Já ouvi gente dizer que o problema do
cinema brasileiro é a falta de bons roteiros. Não concordo com isso, mas ao que
parece os produtores estão acreditando nessa teoria, já que o teatro tem servido
de inspiração para alguns desses novos filmes. Sem falar que o custo de se
transpor uma peça teatral para o cinema é bem menor. Mas vale lembrar também que
o resultado dessa "parceria" nem sempre é favorável, já que no ano passado
tivemos o desprazer de ver o abominável
IRMA VAP - O RETORNO, de
Carla Camurati.
CAIXA DOIS é baseado numa peça de Juca de Oliveira que ficou seis anos em cartaz
e levou mais de um milhão de espectadores ao teatro. Bruno Barreto modificou
alguns pontos para a sua adaptação para o cinema. Como não assisti à peça, não
sei se a essência original foi mantida - acredito que sim -, mas soube de
algumas mudanças. Por exemplo, a secretária do banqueiro, na peça, era amante
dele. No filme, o banqueiro fica só na vontade - e é difícil não ficar, diante
da beleza de Giovanna Antonelli. Na peça, Fúlvio Stefanini é o bancário; no
filme, ele é o banqueiro. E ele está muito bem no filme. A cena em que Daniel
Dantas, o bancário demitido, vai até o seu escritório com uma arma de brinquedo,
é de dar boas gargalhadas. Aliás, são vários os momentos bem engraçados, mas no
meio de tanto riso há uma cena especialmente tocante, que é quando Daniel Dantas
diz que se sente o homem mais rico do mundo. Parte dessa cena aparece no tosco
trailer, mas dentro do contexto do filme tem uma força muito maior.
Em CAIXA DOIS, Cássio Gabus Mendes é um diretor de um banco formado em Harvard
que acabou se tornando o "pau mandado" do banqueiro Luiz Fernando (Stefanini).
Os dois precisam efetuar uma transação ilegal, um depósito de um cheque de 50
milhões. Mas como esse cheque não pode passar pelas suas contas bancárias, eles
precisam de um laranja, de alguém que possa emprestar a conta para o depósito. O
laranja acaba sendo a secretária de Luiz Fernando (Antonelli), que muito
sabiamente negocia com o patrão para receber uma boa quantia por esse "pequeno"
favor. Acontece que o cheque é depositado na conta da pessoa errada, a esposa
(Zezé Polessa) de um recém demitido gerente do banco (Dantas). Agora o difícil
vai ser convencer essa mulher, já revoltada com a demissão do marido, a devolver
o dinheiro sujo para eles.
Apesar de ser uma peça de mais de seis anos, CAIXA DOIS, em sua encarnação
cinematográfica, parece bastante atual diante dos escândalos recentes envolvendo
o governo do PT. Há, inclusive, uma brincadeira em torno do "eu não sei de nada,
eu não vi nada", frase hoje atribuída com freqüência ao Lula, e que é dita pelo
banqueiro corrupto. Apesar do banqueiro ser o corrupto-mor do filme, todo mundo
quer ganhar a sua pontinha. Exceto o personagem de Daniel Dantas, que é
apresentado como um bobão, um sujeito ingênuo que acredita na instituição
privada em que trabalha(va), esforçando-se para dar o melhor de si, sem saber
que um dia ele receberá um baita "pé na bunda" e engrossará o grande número de
desempregados do país. Então, para que serviu tanta dedicação? Com esse modelo
econômico atual, não há muito espaço para homens honestos e trabalhadores. E os
empresários e banqueiros ainda conseguem se safar dizendo que a culpa das
demissões é do Bill Gates, da Microsoft.
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