"Eu sou o Rei do Mundo!". Tida como arrogante, a frase exprime a pessoa que a proferiu: James Cameron. O cara é simplesmente um dos gênios do cinema. E seus filmes vêm para comprovar isso. Afinal quem nunca assistiu e vibrou com os Exterminadores ou se impressionou com a grandeza de Titanic? Canadense, radicado nos EUA, Cameron é um especialista no quesito efeitos especiais e a técnica impecável é a marca registrada de seus filmes. Quando jovem pensava em escrever histórias em quadrinhos, mas ao ver 2001 – Uma Odisséia no Espaço de Kubrick, os seus planos mudaram. Conciliava um emprego de caminhoneiro enquanto escrevia romances. Passa a trabalhar nos bastidores do cinema, até conseguir sua estréia na direção com Piranha II. Com os bastidores conturbados, o filme passou por inúmeros problemas. Cam não era o diretor inicial e apenas supervisionava os efeitos especiais, mas quando o tal abandonou a produção ele acabou assumindo a cadeira. A produção foi detonada pela crítica e Cameron afirma que o filme foi editado e montado pelos executivos do estúdio. Mas era uma questão de tempo.

O ano era 1985. Em sua estréia na direção com um roteiro original (que fora vendido por um dólar) Cam e Gale Anne Hurd (produtora e uma das esposas de Cameron) lançam aquele que seria o início de uma carreira brilhante. A história que envolvia a perseguição de dois seres do futuro, apesar do baixo orçamento, revolucionou o gênero Sci-Fi. Classificado como um noir de ficção-científica, O Exterminador do Futuro (Terminator, EUA 84) consagra todos os envolvidos: Michael Biehn, que trabalharia com Cam por vários anos; Stan Winston, parceiro na Digital Domain (empresa de efeitos especiais); Linda Hamilton, futura ex-esposa do diretor; e, principalmente, Arnold Schwarzenegger no papel de sua vida. A frase I’ll be back vira um dos grandes bordões do cinema.

 
 

Já reconhecido pela crítica e público, eis que o diretor tem a grande chance da sua vida. A Fox o contrata para a continuação de Alien, filme de Ridley Scott que já havia se tornado um clássico da Sci-Fi. A responsabilidade era grande. Aliens, O Resgate (Aliens, EUA 86), filme que divide com o primeiro a honra de ser um dos melhores da série, como era de se esperar foi um sucesso. O diretor capricha em tudo. Consegue tirar ótimas atuações do elenco (Sigourney Weaver foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz), e a parte técnica é um primor. As criaturas criadas por Stan Winston e os cenários sombrios e grandiosos são um show à parte. Destaque para a música de James Horner, em sua primeira  e conturbada parceria com Cameron. Aliens foi indicado a sete Oscars, vencendo os de Som e Efeitos Visuais.

 

 

Em 1989, o diretor já tinha autonomia para escolher o projeto que quisesse. E O Segredo do Abismo (The Abyss, 1989) é lançado. Considerado como o projeto mais pessoal de Cameron, o filme foi recebido com frieza mas, para variar, foi um avanço no campo dos efeitos visuais (pelo qual ganhou o Oscar). Cameron começa a dar sinais de sua autonomia cinematográfica e sua fama de perfeccionista tem início, quando manda construir um tanque onde os atores eram submergidos diariamente para as filmagens. Mais uma vez o diretor cria problemas com o estúdio. O cineasta queria mais grana para concluir o final planejado, mas com o orçamento já estourado os executivos torceram o nariz e o filme saiu na versão disponível até alguns anos. Tempos atrás a versão do diretor foi lançada em DVD e concluímos que Cam tem razão quando insiste em algo. O Segredo... se torna mais claro e o seu final, menos ambíguo. Devido à qualidade do DVD (e espero que Saldanha o comente!) percebe-se que O Segredo do Abismo é o projeto favorito do diretor. Curiosidades: o fluído respirável usado no filme realmente existe, e foi testado entre ratos. O tanque construído para as gravações existe até hoje, sendo área restrita do estúdio Fox.

 

 

Ele realmente voltou! Sete anos depois do original, O Exterminador do Futuro 2 (Terminator 2: Judgement Day, 1991) surge como mais um marco no cinema de ação e efeitos especiais. Indicado em seis categorias no Oscar, o filme levou 4 (Melhores Efeitos Especiais, Efeitos Sonoros, Som e Melhor Maquiagem.). Aqui Schwarzenegger retorna ao passado para proteger John Connor, líder da resistência humana no futuro, contra as máquinas. Em T2 Linda Hamilton (ótima forma física por sinal!) repete o papel de Sarah Connor e a vilania ficou a cargo de Robert Patrick como o letal T1000, que precisa exterminar John (Edward Furlong). Aclamado por uns e não muito bem aceito por outros, T2 é mais um grande acerto na carreira de Cameron.

 

 

Em 1994 a dobradinha Cam-Schwarza se repetiria em True Lies (True Lies, 1994). O filme, uma clara sátira aos filmes de espiões de black-tie, deixa de lado a seriedade de T2 para embarcar na pura comédia. A história fala sobre um agente secreto que esconde sua profissão de todo mundo, nem a sua esposa desconfia. Depois de muitas reviravoltas, marido e esposa acabam se envolvendo num plano terrorista de destruição aos EUA. Mais inovações visuais, e desta vez o Oscar ficou só na indicação. Cameron aqui mantém a sua habilidade na direção principalmente nas cenas de ação, e a explosão da ponte é mais um grande momento do cinemão. Último grande sucesso de bilheteria e até então, ultima parceria de Cameron com o governator. Talvez não houvesse espaço para o brutamontes no projeto que daria a Cameron o reconhecimento e a fama mundial. O transatlântico chegava...

 

 

Titanic (idem, 1997) é o fenômeno que jamais veremos novamente. Maior bilheteria mundial e até então o filme mais caro já produzido, sua história sobre o transatlântico que naufraga em sua viagem inaugural fascinou multidões. A produção foi conturbada. Atrasos nas filmagens, brigas com o elenco, estouro no orçamento, o perfeccionismo constante de Cameron chegava no seu ápice, e todos davam como certo o fim de sua carreira como diretor. Pois foi o contrário. Com 15 indicações e 11 Oscars vencidos, dentre eles o de diretor, Cameron se consagra como um dos gênios da Sétima Arte. Infelizmente hoje se tem o hábito de se falar mal de Titanic, mas quem o faz está remando contra a maré. O filme é realmente fantástico e manipula nossas emoções (e aqui não estou me referindo ao final) de tal forma que é impossível não se impressionar.

 

 

Após a consagração James Cameron entrou num silêncio total. Dirigiu Ghost of the Abyss, onde continua sua exploração do mito do Titanic através de um documentário em três dimensões. Muitas são as especulações sobre seu novo filme (True Lies 2 , The Dive) mas nada confirmado. Cameron diz que será uma superprodução (para variar...), mas em menor escala que Titanic. E mais nada. Os fãs se revoltam com o silêncio. O que Cameron está aprontando? Quais serão as novas regras impostas pelo "Rei do Mundo"?

Alex Oliveira

SITES RECOMENDADOS

www.amazingcameron.com
http://membres.lycos.fr/mogwai/
www.ambidextrouspics.com/html/james_cameron.html
www.titanicmovie.com

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