CANTA MARIA (Brasil, 2006)
Gênero
: Drama
Duração: 95 min.
Elenco: Vanessa Giácomo, Marco Ricca, Edward Boggiss, José Wilker, Rodrigo Penna, Aloísio de Abreu, Tião D'Ávila, Neusa Maria Faro, Francisco Carvalho, Eliete Cigarini, Ravi Lacerda
Compositor
: Dimi Kireeff
Roteiristas
: Francisco Ramalho Jr., Márcio Sattin
Diretor
: Francisco Ramalho Jr.

Love story no cangaço

Drama de Francisco Ramalho Jr., lançado discretamente nos cinemas, perde força no ato final mas ainda assim merece ser conferido

No mesmo dia que estreou o excepcional O CÉU DE SUELY, outro filme nacional entrou em cartaz com menor visibilidade, ainda que dentro do circuitão. O problema é que não há nenhuma estratégia de marketing para divulgação do filme, eu sequer sabia de sua existência até um dia anterior à estréia. Não vi trailers do filme, até mesmo o título foi mudado meio que às pressas. Era para se chamar "Os Desvalidos", título do romance de Francisco J.C. Dantas, e foi mudado para CANTA MARIA, título de uma das canções de Daniela Mercury, presente na trilha sonora. Acredito que o título definitivo é bem pouco atraente e deve até afastar o público, que pode associar o filme a algum musical religioso, quando na verdade trata de uma história de amor ambientada na época do cangaço.

CANTA MARIA é o retorno de Francisco Ramalho Jr. ao posto de diretor, depois de um hiato de quase 20 anos. Não conheço os seus filmes, exceto FILHOS E AMANTES (1981), que tenho vontade de rever por causa das presenças deslumbrantes de Lúcia Veríssimo e Denise Dumont. CANTA MARIA é um filme que se passa no conturbado nordeste brasileiro da década de 1930, quando a região estava em guerra. De um lado os cangaceiros chefiados por Lampião, de outro os volantes, tropa da polícia especializada em atacar o cangaço. É um cenário que por si só já é muito rico e interessante. Também havia naquela época uma crença muito forte no Padre Cícero, a quem muitos atribuíam milagres.

Nesse cenário, acompanhamos a história de Maria (Vanessa Giácomo), uma bela jovem cuja família foi assassinada pelos volantes. Sua família apoiava e recebia com freqüência Lampião (José Wilker), e por isso foi alvo de uma chacina executada pelo próprio governo. Quem encontra Maria é Felipe (Marco Ricca), um domador de cavalos que mora junto com o seu sobrinho (Edward Boggiss). Há uma atração mútua entre Maria e Felipe, apesar de ela ser, como o próprio tio falou, "aprumada" demais para ele. Felipe é um homem bruto e de pouca instrução. Os dois se casam e boa parte do que acontece de desgraça em seguida é culpa da estupidez dos próprios personagens, especialmente dos homens.

O filme é narrado com muita simplicidade e linearidade, não há nenhuma tentativa de fazer algo diferente ou moderno. É um trabalho à moda antiga. A produção foi realizada na pequena cidade de Cabaceiras, no interior da Paraíba. O lugar teve suas estradas asfaltadas cobertas com areia, e seus postes de iluminação foram arrancados para dar vida à cidade fictícia de Vale de Rio das Paridas (êta nomezinho feio, sô). Entre os destaques do filme está a performance do versátil Marco Ricca, José Wilker no papel de Lampião e, principalmente, a beleza e o brilho da jovem Vanessa Giácomo, que foi descoberta na novela CABOCLA (2004). Ela está também no novo filme de Ricardo Elias, OS 12 TRABALHOS (2006). O problema do filme é uma falta de força no ato final, quando deveria haver uma catarse. Em vez disso, acabei saindo do cinema meio que vazio. Ainda assim, é um filme que merece ser conferido.

Cotação:
Ailton Monteiro
FILME EM DESTAQUE