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007 - CASSINO ROYALE
(Casino Royale, EUA, Inglaterra, 2006)
Gênero:
Aventura
Duração:
144 min.
Elenco:
Daniel Craig, Eva Green, Mads Mikkelsen, Judi Dench, Caterina Murino,
Jeffrey Wright, Giancarlo Giannini, Ivana Milicevic, Simon Abkarian,
Isaach De Bankolé, Claudio Santamaría
Compositor:
David Arnold
Roteiristas:
Neal Purvis, Robert Wade
Diretor:
Martin Campbell |
James Bauer
Filme que
marca o recomeço da série 007 é o mais violento de todos, trazendo um James Bond
feio, loiro, com pouca classe e mortal e impiedoso como o herói de 24 HORAS
Apesar de ser o melhor James
Bond em muitos anos e de ter se permitido algumas inovações, 007 - CASSINO
ROYALE (2006) ainda é uma criatura se remexendo dentro de uma camisa de força.
Diferente da série MISSÃO: IMPOSSÍVEL, que faz questão de convidar cineastas de
personalidade e força criativa, a cine-série de James Bond sempre se
caracterizou por chamar cineastas pouco inventivos, próximos da mediocridade,
para salvaguardar o estilo da série. Por isso os produtores não aceitaram quando
Quentin Tarantino se prontificou a dirigir CASSINO ROYALE. Disseram que
Tarantino teria um estilo muito próprio e faria algo que destoaria totalmente de
tudo que havia sido produzido para a série.
Assim, para a missão de "renovar" James Bond, chamaram Martin Campbell, cineasta
que havia dirigido o primeiro dos filmes estrelados por Pierce Brosnan - 007
CONTRA GOLDENEYE (1995). Quer dizer, no que se refere à direção, não há
inovações. O que diferencia 007 - CASSINO ROYALE dos outros filmes de James Bond
são algumas mudanças na caracterização do personagem e a presença bastante
significativa de Daniel Craig, fazendo o mais diferente dos agentes 007 até hoje
- loiro, feio, com pouca classe e mortal e impiedoso como Jack Bauer. Aliás, não
deixa de ser interessante notar como Jack Bauer hoje virou parâmetro de
comparação.
Outra novidade interessante - principalmente para quem, como eu, nunca assistiu
a 007 A SERVIÇO DE SUA MAJESTADE (1969) - é ver James Bond apaixonado de verdade
por uma mulher. Como o filme mostra o agente no começo de carreira, pode-se
entender que ele ficaria cínico com assuntos do coração depois do que aconteceu
com a sua amada, Vesper Lynd (Eva Green, que me pareceu pouco à vontade no
papel). Entre as seqüências de ação, a que eu mais gostei foi a da perseguição
em Madagascar. Bond arranja como adversário um sujeito capaz de saltar feito um
demônio. Já o prólogo em preto e branco me pareceu desnecessário e com pouco
impacto visual e dramático. Ao menos a luta no banheiro me fez lembrar de uma
das melhores seqüências de CORTINA RASGADA, de Alfred Hitchcock. Claro que Hitch
se saiu muito melhor, mas é melhor esquecer esse tipo de comparação.
Quanto ao tema cantado por Chris Cornell ("You Know My Name"), trata-se de outro
ponto positivo para o filme. Não sei porque razão, ao falar de Cornell
lembrei-me de Le Chifre, o banqueiro das organizações terroristas que chora
lágrimas de sangue. Le Chifre, interpretado por Mads Mikkelsen, é provavelmente
um dos mais memoráveis vilões da série. Apesar de a franquia não ser adepta da
violência gráfica, pode-se dizer que esse é o mais violento filme de James Bond
já feito. Claro, nada que impressione os espectadores de hoje, acostumados com
coisas mais hardcore como JOGOS
MORTAIS. Deu para perceber que eu não sou bem o que se pode chamar de fã de
James Bond. Os fãs devem ter sentido falta das bugigangas, que tiveram o seu
auge na era Roger Moore, mas que
também sempre
estiveram presentes nos
filmes protagonizados por Pierce Brosnan. Quanto às
Bond Girls, dessa vez há apenas
duas, sendo que numa delas Bond nem chegou a terminar o "serviço".
Ainda não falei sobre as seqüências no cassino. Ao contrário do que eu esperava,
as cenas de jogos de baralho estão longe de serem monótonas, até porque elas são
recheadas com cenas de ação. Numa delas, o coração de Bond chega até a parar. Se
bem que morrer e ressuscitar não é bem novidade para quem acompanha as aventuras
de Jack Bauer na série de TV 24 HORAS. Mas para não terminar deixando uma
impressão negativa do filme, lembro que o andamento e a montagem de 007 -
CASSINO ROYALE são das melhores na história da série. Praticamente não se sente
as quase duas horas e meia de duração. Ponto para o montador Stuart Baird e para
os roteiristas Neal Purvis e Robert Wade.
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