Cotação: ***** (Clássico), **** (Ótimo), *** (Bom), ** (Regular), * (Ruim)

Clique no link , para ouvir o trecho de uma faixa selecionada do CD comentado

JAWS ANNIVERSARY COLLECTOR´S EDITION
Música Composta e Conduzida por John Williams - (Decca Records, USA, 2000 - 289 467 045-2)/20 faixas/ Duração: 51:20 / Cotação: **** - Trata-se de um relançamento expandido da trilha sonora original de Tubarão em comemoração dos 25 anos deste filme, e que acompanhou o oportuno lançamento em DVD (também comentado neste site). Como sempre, é uma forma das gravadoras ganharem mais dinheiro com um grande trabalho de composição musical que, contudo, nos consola pela qualidade visual e sonora que apresenta. Como foi feito com outros trabalhos de John Williams (Caçadores da Arca Perdida, Contatos Imediatos do Terceiro Grau, E.T., O Extra-terrestre e Superman, O Filme), a Decca resolveu publicar as composições usadas no próprio filme neste relançamento, uma vez que o álbum original (LP/CD) apresentava regravações feitas por John Williams especialmente para o LP. Este é um trabalho do compositor que o tornou conhecido definitivamente, e que lhe deu o grande reconhecimento pelo seu trabalho como compositor de trilhas sonoras para o cinema, pois seu primeiro Oscar foi para a adaptação de um musical: Um Violinista no Telhado, que apesar de muito merecer o prêmio, não se tratava de uma composição sua. Veio, então, o seu segundo Oscar com Tubarão, e o reconhecimento por criar um tema tão simples, com apenas duas notas de base, que acabou entrando para o imaginário coletivo, não apenas cinematográfico, associado à aproximação gradativa de um ameaçador Tubarão Branco. Conta-se que, quando Williams mostrou pela primeira vez o tema a Steven Spielberg, tocando seu piano com apenas dois dedos, Spielberg sorriu achando que era brincadeira e depois, ao perceber que não era, afirmou categoricamente que aquela música não funcionaria. Ao que Williams respondeu que com a orquestra funcionaria, e preconizou que, além disso, aquela música ficaria, na mente das pessoas, associada ao tubarão, e quando ela crescesse teriam reforçada a sensação de que o tubarão estaria se aproximando. Melhor do que isto só se ele dissesse que iria ganhar seu segundo oscar com esta música! Para os que possuem o CD anterior, (o que não é difícil, uma vez que ainda se encontra em catálogo até hoje), é bom saber que este lançamento tem um total de 20 minutos de material musical novo entre temas inteiros nunca antes lançados (12 faixas completamente inéditas) e trechos não incluídos no CD anterior ou não usados no filme, que se inserem em temas já conhecidos. Cabe informar, ainda, que alguns temas também estão com seu tempo reduzido por ter sido executado assim no original usado no filme (como é o caso da faixa 7, “Montage” que corresponde à velha “Promenade” e que se vê 1 minuto reduzida na versão deste CD, pois segue o tempo que teve no filme). Este lançamento apresenta uma capa de luxo similar à de Contatos Imediatos do Terceiro Grau, lançado pela Arista em 98, e um livreto com 20 páginas e duas fotos inéditas de John Williams regendo a a música de Jaws. Os destaques entre o material novo, eu diria, que vão para as faixas nº 5 (“Shark Attack” um dos momentos musicais mais pesados do filme, provavelmente evitado anteriormente, por não ter sido considerado muito comercial há 25 anos atrás); nº 8 (“Father and Son”, tema que contém uma perfeita combinação de harpa, contra-baixo e piano com valores atonais, bem contemporâneos e funcionais para o filme); nº 17 (”Between Attacks” que apresenta um inédito e breve solo de flauta tocada na extensão mais baixa de sua partitura e, ainda, densificada pelo contínuo toque dos violinos ao fundo); e, finalmente,  nº 20 (“End Titles” que apesar de não ser inédita, considero o grande momento de gênio do filme, ao apresentar o mesmo tema ameaçador em uma forma mais suave, a fim de permitir aos espectadores um alívio final, embalado pela surpreendente melodia que não se percebia ter o tema principal, até então - técnica, aliás muito comum na psicologia musical de Williams, que já havia feito isto em todos os seus filmes-catástrofes, e posteriormente em The Fury, de Brian DePalma). Marcos Queiroz


Cotação: ***** - Juntamente com o lançamento de Tubarão em DVD, chega esta nova edição da trilha que ajudou a tornar John Williams o maior compositor de cinema dos anos 70, e um dos grandes de todos os tempos. No score destaca-se a efetiva combinação de duas idéias deliberadamente opostas: um tema que inicia lento e ameaçador para representar os ataques do grande tubarão branco, e música de aventura, quase que nos moldes de clássicas trilhas de capa-e-espada, emoldurando os esforços dos três personagens principais para capturar o animal. É interessante notar que o tubarão somente é visto por inteiro pela platéia no terço final do filme: em quase todas as ocasiões anteriores, sua presença é substituída em força, dimensão e ferocidade pelo efetivo “leitmotiv” de Williams. Enquanto os compositores de hoje inundam os filmes com música praticamente ininterrupta, em Tubarão Williams nos mostra quão efetiva pode ser uma trilha, paradoxalmente até mesmo pela sua ausência. Na seqüência da praia lotada de turistas, no feriado, todos os truques que Spielberg utiliza para anunciar o tubarão (movimentos de câmera, etc.) estão presentes, menos a música. Realmente a cena termina em um alarme falso, com duas crianças brincando com uma barbatana falsa. Mas algum tempo depois ouvimos o tema sinistro, e agora sabemos que a ameaça é real graças ao reaparecimento da música. O trabalho de Williams revela-se admirável neste e em outros momentos, onde são encontrados os princípios da verdadeira música de cinema, estabelecidos por antigos mestres como Max Steiner e Bernard Hermann (e até mesmo antes do cinema por Wagner, no “Anel de Nibelungos”). A trilha acabou levando o Oscar, e o LP da MCA ganhou um Grammy em 1975, tornando-se uma das soundtracks mais vendidas de todos os tempos. Tanto o LP original como a sua primeira edição em CD contém regravações da música utilizada no filme, procedimento que o compositor ainda hoje ocasionalmente utiliza. Assim, Williams expandiu e desenvolveu com elegância o material do filme, em faixas (suites) mais adequadas para a audição em separado das imagens. As diferenças entre a gravação original, agora disponível, e a regravação do antigo LP, são bem evidentes no novo CD, que inclui faixas inéditas, até mesmo algumas que não foram utilizadas. Apesar do novo álbum ser uma experiência mais fílmica, longa e narrativa que o LP, a exemplo dos relançamentos de Contatos Imediatos do Terceiro Grau e ET, não vemos razão para descartar o CD original de 1990, que também é ótimo. Porém, se você não o possui, este lançamento é altamente recomendado por ser a representação definitiva da música de Tubarão. Jorge Saldanha

THE PATRIOT
Música Composta e Conduzida por John Williams - Solista: Violino – Mark O’Connor (Centropolis Records & Hollywood Records, USA, 2000 - HR-62258-2)/17 faixas/ Duração: 57:34/ Cotação: **** - Esta trilha sonora é uma segunda tentativa do diretor Roland Emmerich, após ter rejeitado as primeiras músicas de David Arnold para o filme. O CD se inicia com o tema principal, apresentado em violão e solo de violino diferente (modulando muitas notas estreitamente unidas em uma melodiosa e familiar espécie de hino), depois este tema cresce com a orquestra, até surgir uma percussão ao estilo O Resgate do Soldado Ryan e JFK. Nasce, então, o segundo tema, que através da batida dos Tambores de Corda, representa os British Readcoats (Soldados Ingleses). Há um belíssimo passeio com as madeiras, que mais parecem pássaros a suavizarem o peso marcial "Williamniano", que representa a luta de Benjamim Martin (Mel Gibson) pela paz e pela liberdade.  As madeiras celebram a busca da harmonia familiar, enquanto a marcha britânica – a marcha de “The Patriot” –  é o tema patriótico principal expresso num segmento de baixas cordas, cornes, metais altos e tímpanos, que são o símbolo do patriotismo de todos nós (na versão musical de John Williams), até concluir com uma combinação genial e amorosa entre flauta, harpa e violino. As demais faixas enriquecem ou retomam o tema em outros instrumentos (como flauta, harpa e até mesmo um belíssimo cravo) ao estilo, ainda, de O Resgate do Soldado Ryan e um pouco de Nascido a 4 de Julho, Nixon e mesmo, bem de longe, Um Sonho Distante. É bem fácil entender estas referências, pois o filme tem um caráter tão patriótico quanto estes outros de Williams, que tem uma trilha levemente semelhante à de The Patriot. Mas, apesar destas semelhanças, neste trabalho Williams não fez o que costuma fazer para filmes patrióticos: solos de trompetes do trompetista da Boston Sinfony Orchestra – Tim Morrinson – que dialogam com toda a orquestra: preferiu um dueto magnífico entre violino e violão, dando mais ênfase à solidez do amor familiar, suavizando o bélico e marcial produto musical de quase todos os filmes de guerra. Não deixa, contudo, de incluir, vez por outra, sua marca registrada para filmes deste gênero: seu costumeiro toque fanfárrico de trompetes, como nas faixas “The Colonial Cause”, “Preparing for Battle” e “Martin vs. Tavington” (onde se ouve, também, um eco de trompete ao longe como um chamamento heróico através de um dos temas que já havia aparecido na faixa “Ann Recruits the Parishoners”, lembrando o que Williams fez para Nascido a 4 de Julho). Ouvindo-se todas as faixas de O Patriota como uma suite sinfônica, perceberemos a unidade e a magnitude desta obra musical, confirmando, mais uma vez, a genialidade de Williams, o único dos grandes compositores do cinema que não teve uma de suas partituras rejeitadas. MQ

MISSION: IMPOSSIBLE 2
Música composta por Hans Zimmer - Vocalizações: Lisa Gerrard. Solos de violão: Heitor Pereira (Hollywood Records, USA, 2000, 62277)/15 faixas/Duração: 45:14/Cotação: ***  - Depois da grande tarefa que foi compor o score de Gladiador, parece que Hans Zimmer resolveu se divertir com a música para Missão Impossível 2. Formou uma banda de 11 músicos essencialmente rock, convocou a sua parceira nos últimos trabalhos, Lisa Gerrard, e abriu o volume ao máximo. Com este trabalho, o autor retorna ao gênero ação, para o qual compôs boas trilhas como Drop Zone, The Rock e o seu trabalho anterior para John Woo, Broken Arrow. Em MI2, o score sofre com o contraste entre o estilo flamenco de algumas composições e as barulhentas faixas de ação. A música reflete o que é o próprio filme, uma overdose de peripécias impossíveis de Tom Cruise que, no CD, materializam-se nas guitarras elétricas e sintetizadores que dominam os arranjos, não poupando nem mesmo o clássico tema de Lalo Schifrin. Em seu lado mais criativo, o álbum apresenta os momentos de Lisa Gerrard (o mais interessante é  "Injection", uma ótima faixa com vocais que remetem a Gladiador) e as faixas de violão flamenco (solos do brasileiro Heitor Pereira, que também tocou em Gladiador), dedicadas à personagem de Thandie Newton ("Nyah and Ethan" pode ser considerado o tema de amor do filme). O problema é que quem apreciar estas faixas provavelmente detestará às dominadas pelas guitarras elétricas, e vice-versa. JS

PEYTON PLACE
Música Composta e Conduzida por Franz Waxman (RCA/BMG, Espanha, 1999 - 74321720522)/10 faixas/ Duração: 40:48 / Cotação: ***** - Um lançamento excepcional da trilha sonora original de Peyton Place (1957), famoso filme que se chamou no Brasil A Caldeira do Diabo. O filme virou série de TV nos anos 60 e retornou nos anos 70. A música do filme serviu de formato para toda a da série de TV. O CD apresenta alguns ruídos característicos de gravações a partir de LP, mas isto não atrapalha muito a qualidade da audição dos melódicos e harmônicos temas desta trilha sonora. O Compositor é o grande mestre Franz Waxman, ganhador do Oscar dois anos seguidos pelas trilhas sonoras dos filmes Sunset Boulevard (O Crepúsculo dos Deuses, 1950) e A Place in the Sun (Um Lugar ao Sol, 1951), ambas merecedoras pelas bem cuidadas e trabalhadas composições dignas de muitas regravações, versões e exibições em concertos de música para cinema. Apesar de o tema principal ("Main Title") de Peyton Place se repetir bastante, não poderia chamar esta trilha de monotemática e muito menos monótona. Waxman faz o tema aparecer no meio de outros devaneios musicais, sempre introduzindo alguma novidade temática a cada faixa. Os longos e maravilhosos 10 minutos e meio da primeira faixa já apresentam bem o conteúdo musical do resto do CD, mas na faixa 2 (“Entering Peyton Place; Going to School”) Waxman brinca de forma genial com a flauta e o contra-baixo em estacato, em uma variação do tema mais acelerada, com uma criatividade das mais destacáveis que já vi nas trilhas sonoras de cinema. A faixa 3 (“Rossi’s Visit”) apresenta um novo tema que por si só já daria outra trilha sonora de valor. Daí em diante a música passeia por estes dois temas e o compositor ainda se dá ao luxo de criar um terceiro tema para a cena aquática (“Swimming Scene”). Gravada em dezembro de 1957, esta trilha sonora marca um lugar importante na história do cinema, e deve ocupar um lugar ainda mais importante na coleção de todos os que apreciam a boa música do cinema. MQ

THE NINTH GATE
Música composta por Wojciech Kilar, regida por Stepan Konicek - Soprano: Sumi Jo (Silva America, USA, 1999 - SSD 1103)/16 faixas/Duração: 53:58/Cotação: **** -  Desde o seu exitoso trabalho em Drácula de Bram Stocker, Wojciech Kilar ficou devendo uma outra obra à altura. Talvez ele não tenha tido a oportunidade de compor para um outro filme do gênero, oportunidade que finalmente chegou com o último filme de Roman Polanski (de O Bebê de Rosemary), uma história "Faustiana" que envolve a busca por alguns exemplares de um livro satânico. Temos aqui um caso em que muitas das deficiências de um filme são minimizadas graças à sua moldura musical - no caso, a maior responsável pela percepção do Mal que sentimos durante a projeção. O CD abre com "Vocalise" (na verdade o tema que encerra o filme), composição melancólica que conta com o talento da soprano Sumi Jo, além de piano, belos violinos e cravo. Seguem-se os "Opening Titles", o real tema do filme, no qual o conjunto da orquestra interpreta uma espécie de valsa lenta que, com seus tons sombrios, remete-nos a alguns momentos de Bernard Herrmann em Obsession, e até John Williams, na magnífica abertura de A Fúria. Os momentos mais leves da trilha correm por conta do cadenciado tema dedicado ao personagem "Corso" (Johnny Depp),  interpretado por cravo, cordas, sopros graves e trumpete.  As coisas ficam um pouco mais arrepiantes na hipnótica "Liana", uma bela progressão de violinos, cordas e piano. Em "Plane to Spain", Kilar nos oferece um elegante bolero e uma variação do tema de Corso, antes de a trilha dirigir-se definitivamente para terrenos mais obscuros ("The Motorbike", "Stalking Corso", "Liana´s Death"), com passagens pelo lírico ("Blood on His Face") e ação ("Boo!/The Chase"). Para aqueles que apreciaram a música de Kilar em Drácula,  "Balkan´s Death", com o pleno uso da orquestra e o canto operático do coral, é especialmente  recomendado. Com a ótima trilha de O Último Portal, Wojciech Kilar demonstrou ser um dos poucos compositores hoje atuantes no meio que podemos chamar de clássicos. Sua técnica de harmonias e repetição de conjunto de notas remete à obra de grandes compositores da Era de Ouro de Hollywood, não por coincidência vindos da escola européia. JS

JANE EYRE
Música Composta e Conduzida por John Williams (Silva Screen, Inglaterra, 1999 - FILMCD 204)/11 faixas/ Duração: 57:34 / Cotação: ***** - Uma trilha sonora considerada rara e muito cara, que agora pode estar nas mão dos colecionadores da música de John Williams e dos apreciadores da boa música. O relançamento da Silva Records não trouxe muitas novidades, nem faixa adicional, nem música alternativa, apenas a nova capa e o livreto com 8 páginas com breves descrições de cada faixa e as notas do LP lançado em 1971, ano em que o filme foi realizado. Sempre considerei a trilha sonora que Williams fez para este telefilme o “lado oculto” mais belo do compositor. Tanto o filme como a música são pouco conhecidos do público, mas de tirar o chapéu. Das cinco versões feitas para o Best Seller americano homônimo de Charlotte Bronte, esta é uma das mais bem feitas, apesar de ter sido produzida para a TV. A música é, declaradamente, uma das preferidas do compositor, juntamente com Contatos Imediatos do Terceiro Grau. Escrita em um idioma musical pastoral inglês como tanto gosta Williams, talvez por isso ele tenha conseguido tirar de si, neste trabalho, o seu lado mais “lírico, dramático, brilhante e expressivo” (como dizem as primeiras palavras do comentário do livreto). Apesar de toda a trilha sonora ser, no mínimo agradável de se ouvir, destacaria sete das onze faixas para um breve comentário: As faixas 1 e 2, “Jane Eyre Theme” e “Overture (Main Title)” apresentam os temas principais em piano, flauta, violinos, harpa e até um cravo que aparece sutilmente no início para fazer o contraponto com o piano. Fica evidente, logo nestas duas faixas, a feliz decisão de não utilizar metais. Na faixa 4, “To Thornfield” Williams mostra sua face mais conhecida, no estilo que o consagrou: altivo e poderoso, influência marcial do tempo em que serviu ao exército como condutor de banda marcial. Porém, em “To Thornfield” a ausência de metais mantém a suavidade necessária à unidade musical da trilha sonora. Em “String Quartet” (faixa 5) ele surpreende até mesmo os fãs mais conhecedores de sua obra, compondo uma música barroca digna de Bach. Na faixa 7, Williams volta a surpreender apresentando o tema de amor do filme em violão, flauta e breves incursões de uma afinada viola do meio para o fim da faixa. Se tudo já era muito suave, no tema romântico seria necessário algo ainda mais suave. E é o que consegue com a escolha desses timbres para o já melodioso e inspirado tema de Jane Eyre. As duas últimas faixas, “Restoration” e “Reunion” desfecham divinamente esta obra prima da TV, com um tema que aparece pela primeira vez, como se fossem reservados para o “Grand Finale”. Na faixa 10 (“Restoration”) estacato de violinos, e o aparecimento de um oboé para dar um certo contraste, introduzem o tema novo e o clarinete desenvolve-o, tendo o oboé como harmonia, até chegar a toda a orquestra de cordas, que engrandece o tema, preparando-o para o final reservado à última faixa. Na faixa de encerramento (“Reunion”) John Williams volta ao tema da faixa anterior através de uma flauta tocada com o coração e a arte do grande compositor da atualidade. Acompanhando a flauta desde o início está cravo e depois a harpa que mantém a suavidade mesmo crescendo com toda a orquestra e retornando ao já quase esquecido tema principal que encerra com chave de ouro esta bela e erudita obra musical. Vale a pena ter logo este CD na coleção, antes que se torne raro novamente. MQ

THE OMEGA MAN
Música de Ron Grainer (FSMCD Vol. 3, nº 2, USA, 2000)/18 faixas/Duração: 65:38/Cotação: *** - Lançado em 1971, The Omega Man (A Última Esperança da Terra) é um cultuado filme de sci-fi estrelado por Charlton Heston, a exemplo de O Planeta dos Macacos e No Mundo de 2020. Heston interpreta Robert Neville, um cientista militar que desenvolveu uma vacina a tempo de salvá-lo de uma devastadora guerra biológica. Assim, até onde saiba, torna-se o último homem sobre a Terra. Porém, logo descobre que não está sozinho em uma aparentemente deserta Los Angeles: um grupo de mutantes liderados por Matthias (Anthony Zerbe) surge para destruir Neville, o último representante da civilização que destruiu a humanidade e transformou-os em zumbis. O visual “apocalíptico-anos 70” do filme é enriquecido pela boa trilha de Ron Grainer, uma mistura elementos barrocos, pop, jazz, avant garde e orquestração tradicional de filmes. O score é caracterizado por fortes interpretações orquestrais, efeitos de percussão originais e a utilização de dois órgãos elétricos Yamaha. Até hoje inédita em qualquer formato, a trilha de The Omega Man foi lançada em CD de tiragem limitada (3000 cópias) pela revista americana Film Score Monthly, que na mesma série "Silver Age Clasics", também editou as trilhas de Viagem Fantástica e De Volta ao Planeta dos Macacos. A música está em ótimo som estéreo, e inclui faixas não utilizadas no filme. No encarte há comentários do ator Charlton Heston, do produtor Walter Seltzer e do famoso percussionista Emil Richards, que criou o efeito conhecido como "water chimes" (algo como sinos na água), a partir de então muito utilizado em trilhas da época. Este e os outros CDs mencionados podem ser adquiridos diretamente no site da revista, filmscoremonthly.com, ou em sites especializados em trilhas (ver os nossos links de compras). JS

SUNSHINE
Música Composta e Conduzida por Maurice Jarre (Milan, USA, 1999 - 73138 35902-2)/7 faixas/ Duração: 36:05 / Cotação: **** - A música de Sunshine, ou como chamado no Brasil, O Amanhecer, é um bom exemplo de que um grande compositor de trilhas sonoras pode produzir música ao estilo dos grandes clássicos e garantir um prazer musical que transcende ao filme para o qual foi escrita. Maurice Jarre, que já esteve afastado há algum tempo do seu eficiente trabalho de compor para o cinema, volta com esta maravilhosa trilha e com a do filme Africa dos Meus Sonhos (I Dreamed of Africa). Erudita, rica em solos de vários instrumentos, bem gravada, digna daquele que ficou famoso por músicas célebres como as de Lawrence da Arábia e Doutor Jivago. O CD desta trilha sonora possui pouco mais de 36 minutos (bem aproveitados) e 7 faixas, sendo algumas interligadas, criando uma continuidade sinfônica apreciável. As músicas, em sua maioria, são introduzidas pelo piano e logo se transferindo para outros timbres, até alcançar o resto da orquestra. Na faixa final, o coral interpreta o tema dando ao CD um desfecho de luxo e com a qualidade que merecia, por ter um tão belo tema principal. Tendo sua música conduzida pelo próprio Maurice Jarre e executada pela orquestra Rundfunk-Sinfonieorchester Berlim e, a última faixa, também pelo coral Metro Voices, Sunshine é um dos grandes lançamentos de 1999, e imperdível para os fãs de Jarre. Apesar de repetir muito o tema principal, como é muito comum no estilo de Jarre, a trilha apresenta algumas escapadas deste tema, como na faixa 3 (“War and Misery”), por exemplo, onde aparece uma agradável marcha, e na faixa 5 (“Adam, The Fencing Champion”) que se inicia com um ritmado e melódico tema ao estilo “ambiental” de John Barry e logo parte para o tema de sempre ao piano, em ritmo suave e delicado e segue com muitas variantes. Considero Sunshine um grande retorno ao trabalho sério e dedicado deste brilhante e veterano compositor de Trilhas Sonoras. MQ

THE TOWERING INFERNO (PROMO)
Música Composta e Conduzida por John Williams (Tower Records, USA, 1999 - promocional - TR-CD 29602)/11 faixas/ Duração: 77:57 / Cotação: **** - Este CD promocional, lançado no final de 1999, veio preencher uma grande lacuna na história das clássicas trilhas sonoras do cinema. Apresentando um tema de abertura dos mais queridos dos fãs de John Williams, The Towering Inferno (Inferno na Torre, no Brasil, e Torre do Inferno, em Portugal) foi uma das trilhas sonoras do compositor mais esperadas em CD nos anos 90. A regravação da Varèse Sarabande (cujo comentário pode ser encontrado neste site), por mais que tenha o seu valor, não apresenta outras boas músicas feitas para o filme, pois dividia espaço com outras músicas de filmes-catástrofe. O CD tem um som satisfatório e representa uma cópia fiel do LP lançado originalmente, exceto pela ausência da música “We May Never Love Like This Again” cantada por Maureen McGovern e ganhadora do Oscar de 1974. As músicas oscilam entre grandes temas compostos para a orquestra de Estúdio da Fox e temas jazzísticos e melódicos, característicos da década de 70. A música para Inferno na Torre é muito semelhante à que o mesmo compositor fez, no mesmo ano, para Terremoto, o que faz alguns fãs considerarem as duas trilhas como complementares. Como bonus track o CD apresenta uma suite de 14 minutos de Black Sunday ou Domingo Negro, filme que Williams musicou no mesmo ano de Guerra nas Estrelas e Contatos Imediatos do Terceiro Grau. E deste último aparece inclusive um medley inédito como conclusão desta faixa final. Considero um dos grandes lançamentos de 1999, portanto vale a pena comprá-lo, mesmo sabendo que, como todo CD promocional, custa caro e dá trabalho para conseguir. MQ