CHICAGO (Chicago, EUA, Canadá, 2002)
Gênero: Musical
Duração: 113 min.
Estúdio: Miramax
Elenco: Catherine Zeta-Jones, Renée Zellweger, Richard Gere, John C. Reilly, Queen Latifah, Christine Baranski, Taye Diggs, Dominic West 
Compositor: Danny Elfman
Roteirista: Bill Condon
Diretor: Rob Marshall

Musical light 

Não se iluda com os vários prêmios Oscar conquistados, CHICAGO é tão somente um filme leve e divertido, elevado falsamente à categoria de obra-prima pela imprensa

Gênero extremamente consagrado no cinema do passado, os musicais desapareceram do mapa após alguns grandes sucessos da década de 70, comandados quase sempre por Bob Fosse (All That Jazz e Cabaret). Parecia impossível que as produções cantadas voltassem a ser sucessos na tela grande. Porém, o revolucionário Baz Luhrmann conseguiu mudar essa escrita ao lançar sua falsa trilogia, formada por VEM DANÇAR COMIGO, ROMEU E JULIETA e, principalmente, o sensacional MOULIN ROUGE. Com 2 Oscars na bagagem, os musicais estavam de volta à tona: O diretor teatral Rob Marshall juntou Reneé Zellweger, Catherine Zeta-Jones, Richard Gere e outros nomes de peso para tirar de vez o gênero da tumba.

Nascia então CHICAGO, adaptação da peça teatral criada por ninguém menos que... Bob Fosse! O famoso diretor e coreógrafo já havia encenado na Broadway a história das assassinas que quase ficaram mais famosas que Al Capone, poucos anos antes de ter um enfarto. Aparentemente, a versão cinematográfica poderia ter sérios problemas por estar nas mãos de Marshall, que nunca havia dirigido um filme antes. As evidências negativas começaram a desaparecer com as críticas positivas e, principalmente, com as 13 indicações ao Oscar. 

Portanto, a estréia no Brasil foi cercada de extrema ansiedade. A boa notícia é que CHICAGO não decepciona, embora não mantenha o nível de MOULIN ROUGE. Basicamente, seu maior problema é ser rápido demais, deixando alguns buracos no roteiro, não de dúvidas, mas sim de passagens extremamente rápidas (a prisão de Velma Kelly mal é mostrada).

Na Chicago da década de 20, as vedetes faziam de tudo para alcançar o sucesso, incluindo... matar seus parceiros. Roxie Hart (Zellweger) não consegue atingir o sonho de trabalhar em um cabaré e trai seu marido com outro homem. Ao descobrir que toda a história que seu amante contava era falsa, Roxie não titubeia, assassinando-o imediatamente. Paralelamente a isso, Velma Kelly, que já possuía extremo sucesso na noite da cidade de Al Capone, flagra sua irmã na cama com seu marido. Também não reluta em matar os dois. O filme acompanha então as trajetórias das duas mulheres na cadeia, enquanto são defendidas pelo mulherengo advogado interpretado por Richard Gere, que nunca perdera uma causa.

Quase todo o brilho de CHICAGO está em sua edição, rápida e revolucionária. Cheia de cortes frenéticos e jogos de luzes, torna os números musicais atrativos e conquistadores. A cena na qual Roxie defende o marido no início é um primor, assim como o número das pistoleiras na cadeia. Rob Marshall realmente não fez um bom trabalho, explicando pouco do roteiro em diálogos e deixando boa parte do que deveria ser explicitado para os números musicais. Como 90% da projeção se passa nos palcos, tal erro não se sobrepõe à projeção.

O poder de CHICAGO, que conquistou 6 estatuetas douradas, inclusive a de Melhor Filme, está mais no carisma de seus atores que na força do argumento. À medida que a história se desenvolve, vamos nos apegando aos personagens de tal maneira que os erros no texto passam desapercebidos. Ainda bem. Catherine Zeta-Jones mereceu o Oscar. Sua performance como Velma é arrebatadora, fazendo com que todos seus colegas de cena desapareçam. Reneé Zellweger e Richard Gere, embora cumprindo com seus papéis, não aparecem tanto, dando maior espaço para os fantásticos coadjuvantes Queen Latifah e John C. Reilly.

CHICAGO, portanto, não é uma obra “alegre” como CANTANDO NA CHUVA, depressiva como CABARET ou ilusória como O SHOW DEVE CONTINUAR. É apenas um filme leve e divertido, elevado falsamente à categoria de obra-prima pela imprensa. Não sei se a necessidade de ressuscitar o gênero era tão forte, mas agora já está feito. Se Marshall prestar mais atenção na construção da história, pode fazer ótimas fitas mais para a frente.

Cotação:
Carlos Massari
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