A LUTA PELA ESPERANÇA (Cinderella Man, EUA, 2005)
Gênero: Drama
Duração: 144 min.
Elenco: Russell Crowe, Renée Zellweger, Paul Giamatti, Craig Bierko, Paddy Considine, Bruce McGill, David Huband, Connor Price
Compositor: Thomas Newman
Roteiristas: Cliff Hollingsworth, Akiva Goldsman
Diretor: Ron Howard

Drama xarope

Apesar da badalação, o filme de boxe do diretor Ron Howard, estrelado por Russel Crowe, não passa de uma espécie de SEABISCUIT... piorado

Que filminho mais careta esse A LUTA PELA ESPERANÇA (2005). Ron Howard, diretor medíocre e operário padrão de Hollywood, retoma a parceria bem sucedida (financeiramente) com Russel Crowe, o roteirista Akiva Goldsman e o produtor Brian Grazer, para contar a dramática história de James Braddock, o boxeador que passou por muitas dificuldades na época da Grande Depressão americana. A LUTA PELA ESPERANÇA seria uma espécie de primo de SEABISCUIT - ALMA DE HERÓI, de Gary Ross. Não sou fã do filme do pangaré, mas ele dá de dez nesse filme de boxe, que sofre de uma falta de inovação tremenda, tanto na forma como no conteúdo.

Até se poderia relevar esse detalhe, afinal, nos dias de hoje, a máxima de que nada se cria tudo se copia está cada vez mais em vigor. Mas, se ao menos o filme conseguisse manipular de forma competente os sentimentos do público, até que seria mais digno de respeito. Mas é tudo muito manjado, tudo já visto em outros filmes de boxe e assemelhados. Um dos motivos do fracasso do filme é o caráter excessivamente bondoso do protagonista Braddock, contrapondo com o lado extremamente vilanesco de seu oponente.

Braddock não possui defeitos, é de uma gentileza fora do comum, nem parece humano - o que torna difícil para a platéia uma identificação. Dizem que os roteiristas até pesquisaram sobre o verdadeiro James Braddock, a fim de encontrar algum defeito em sua personalidade, mas não encontraram. Os pontos positivos estão nos aspectos técnicos, como a bela reconstituição de época, inclusive no que se refere ao tipo físico dos lutadores de boxe, que na época não praticavam levantamento de peso nos treinos e não tinham o corpo tão musculoso quanto os lutadores de hoje.

Também gostei da cena em que ouvimos uma canção da época, brincando com a difícil situação econômica dos americanos mais pobres. Nem beber para esquecer as desgraças era possível, já que a Lei Seca tinha entrado em vigor. Há também uma interessante tomada com a câmera rodopiando no ringue, mostrando a reação do público durante os socos do oponente. Mas nem é tão boa assim. Logo, tem que se estar bem disposto para agüentar os 144 minutos dessa xaropada. E com direito a Renée Zellwegger de "brinde".

Cotação:
Ailton Monteiro
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