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05 de
dezembro de 2004
Caros Leitores:
A coluna Cine & Música está
passando por algumas mudanças. A partir de hoje ela passará a ser
quinzenal, e de fato abrangerá matérias sobre cinema em geral, não se
limitando a relatos de filmes recentes. Sim, vocês estão diante da nova
Cine & Música! Agora, curtam
minha primeira matéria desta nova fase:
A HISTÓRIA DO CINEMA
Introdução
Quem pensa que cinema é uma arte relativamente atual, está completamente
enganado! O mais antigo parente do cinema de que se tem notícia é o Jogo
de Sombras, que surgiu na China por volta de 5.000 a.C. Nestes Jogos de
Sombras, os chineses faziam a projeção, sobre paredes ou telas de linho,
de animais, humanos ou objetos recortados e manipulados. O cara que
manipulava as sombras narrava a história, que quase sempre envolvia
príncipes, guerreiros e dragões (sim, os filmes medievais). Mais tarde,
no século XV, o físico napolitano Giambattista Della Porta inventa a
Câmara Escura, que é uma caixa fechada com um pequeno orifício coberto
por uma lente. Através dela penetram e se cruzam os raios refletidos
pelos objetos exteriores. A imagem, invertida, inscreve-se na face do
fundo, no interior da caixa. A invenção mais bizarra surgiu na metade do
século XVII, realizada pelo alemão Athanasius Kirchner, e que é
praticamente o inverso da Câmara Escura. É composta por uma caixa
cilíndrica iluminada por uma vela, que projeta as imagens desenhadas em
uma lâmina de vidro.
Viram como o cinema não é coisa nova? Estes são alguns métodos que os
antigos criaram, entretanto, o primeiro aparelho para captar e
reproduzir a imagem do movimento foi o Fenacistoscópio, inventado pelo
físico belga Joseph-Antoine Plateau. O Fenacistoscópio foi o primeiro
aparelho a medir o tempo da persistência retiniana. Mais tarde, Plateau
ficou famoso por inventar um aparelho formado por um disco com várias
figuras desenhadas em posições diferentes. Quando o disco é girado, as
imagens adquirem movimento. Já em 1877, o francês Émile Reynaud inventou
o Praxinoscópio, que é um aparelho que projeta na tela imagens
desenhadas sobre fitas transparentes. Para terem uma idéia de como o
Praxinoscópio era um aparelho rústico, basta lhes informar de que ele
era formado de uma caixa de biscoitos e um único espelho. Porém, mais
tarde ele ficou mais fashion. Mas foi em 1878 que o fisiologista
francês Étienne-Jules Marey desenvolveu o fuzil fotográfico. Era um
tambor forrado por dentro com uma chapa fotográfica circular. O Fuzil
Fotográfico apresentava uma pequena projeção de um cavalo correndo.
Em 1887, Étienne-Jules Marey desenvolveu mais uma máquina. A
cronofotografia, que era a fixação fotográfica de várias fases de um
corpo em movimento(é a própria base do cinema). Mais tarde, Thomas
Edison (conhecido por ter inventado a luz) desenvolveu o filme
perfurado. Em 1890, ele rodou uma série de curtos filmes em seu estúdio,
o Black Maria, que foi o primeiro da história do cinema. Ao contrário de
hoje em dia, os filmes não foram projetados em uma tela, e sim no
interior de uma máquina intitulada cinetoscópio. Porém as imagens só
podiam ser vistas por um espectador por vez.
Os Pais do Cinema
 Se
você resolvesse perguntar para alguém quando o cinema surgiu, certamente
ele responderia 1895. Você deve estar se perguntando: “Mas porque, se
até agora vimos que ele surgiu há mais de 2000 anos?”. A resposta para
esta pergunta é (tan, tan, tan, tan...) “Lumière”. August Lumière e seu
irmão Louis Lumière foram os responsáveis pela invenção do
cinematógrafo, o sistema de projeção que é a base do moderno cinema. A
primeira seção pública de cinema foi em 28 de dezembro de 1895 no Grand
Café do boulevard des Capucines, em Paris. O filme se chamava “L'Arrivée
d'un train en gare” e mostrava um trem chegando na estação. O público,
que jamais havia tido qualquer contato com o cinema, se assustou com um
trem vindo em sua direção, e as pessoas saíram correndo desesperadas do
cinema.
Nos filmes dos irmãos Lumière não eram contadas histórias, mas sim
exibidas cenas do cotidiano, como a saída de funcionários de uma
fábrica, e eram de curta duração (atingiam um minuto no máximo). Ao
contrário dos irmãos Lumière, Georges Méliès acreditava que o
cinematógrafo tinha futuro, assim ele comprou um cinematógrafo. Como ele
era um mágico, resolveu dar uns toques dramáticos em seus filmes, usando
atores, cenários e figurinos. Assim, ele realizou a primeira ficção
científica da história do cinema em 1902: Viagem à Lua, que tem
13 minutos de duração e é baseado em um livro de Julio Verne (Vinte
Mil Léguas Submarinas).

Preço do bilhete da primeira projeção do
Cinematógrafo: 50 centavos
Preço de venda ao público de um Cinematógrafo: 1650 francos
O Cinema Mudo
A partir de 1896 o cinema substituiu o cinetoscópio. As telas americanas
passaram a exibir filmes curtos de dançarinas, atores de Vaudeville,
desfiles e trens. O cinema passou a tomar conta do mundo. Era a
“sensação” da época! Entretanto, naquela época o cinema era mudo, era
posto no palco um pianista que tocava uma certa música em devida cena,
assim dando mais emoção ao filme. Surge então, em 1903, o primeiro filme
de bang-bang: O Grande Roubo de Trem, de Edwin S. Porter.
Também foi prestigiado por ser o primeiro filme a mostrar cenas de ação
simultâneas. Mas foi em 1915 que o americano David Ward Griffith
revolucionou a história do cinema com o filme Intolerância, de
duas horas de duração. Além disso, ele ainda criou closes nos
rostos dos atores, nas mãos e nos objetos, o que mostrava que David
estava a fim de mudar a narrativa do cinema.
Charles Chaplin
Charles
Spencer Chaplin nasceu em 16 de abril de 1889, em Londres. Seu pai
morreu muito cedo, e sua mãe vivia internada em hospitais psiquiátricos.
Por isso, viveu grande parte de sua vida em orfanatos ou nas ruas.
Ingressando no teatro, durante uma turnê pelos EUA foi descoberto por um
diretor americano, e estreou nos cinemas em dezembro de 1913. Logo,
passou a dirigir seus próprios filmes e acabou se tornando uma
personalidade nacional. Seu maior personagem foi o "Vagabundo", que
usava grandes sapatos, um bigodinho peculiar, um chapéu de coco e uma
bengala, que conquistou o público. Seu andar bamboleante foi suficiente
para levar o pessoal às gargalhadas. No cinema mudo, o "Vagabundo" foi
astro de diversas comédias de curta duração. Algumas delas se tornaram
clássicos do cinema, como Rua da Paz, O Imigrante, Vida
de Cachorro, O Garoto e Rastro de Almas. Quando foi
fundada a United Artists, Chaplin fez os filmes unicamente para esta
produtora. Nela ele fez clássicos como Em Busca do Ouro, O
Circo, Luzes da Cidade, Tempos Modernos, O Grande
Ditador, Senhor Verdoux, Luzes da Ribalta e Um Rei
em Nova York. Perseguido pelo McCarthismo, devido à irreverência de
seus filmes, Chaplin passou a residir na Sicília. Em 1972, voltou aos
EUA para receber um prêmio especial da Academia de Artes e Ciências
Cinematográficas. Mais tarde recebeu, das mãos da Rainha Elizabeth II, o
título de Sir. Chaplin morreu em 25 de dezembro de 1977 na Suíça.
O Cinema Falado
Uma nova notícia: eis que surge o cinema falado! A Warner Brothers é a
responsável pelo primeiro filme com música e efeitos sonoros
sincronizados: Don Juan, de Alan Crosland, onde temos passagens
faladas e outras cantadas. Entretanto, o primeiro filme inteiramente
falado foi O Cantor de Jazz (1927), também de Alan Crosland.
Desnecessário dizer que, com o advento do áudio, logo o cinema ganhou
trilhas sonoras especialmente compostas para os filmes, de autoria de
grandes compositores como
Max Steiner,
Frans Waxman e
Erich Wolfgang
Korngold. Certamente isso mereceria uma coluna própria.
Hollywood se deu bem
Pode-se afirmar que Hollywood, símbolo do predomínio norte-americano na
produção cinematográfica mundial, viveu seus melhores anos em 1938 e
1939. Nestes dois anos, surgiram nas telas mega-produções que entraram
para a história, como A Dama das Camélias, ...E o Vento Levou,
O Morro dos Ventos Uivantes e Casablanca. Surgiram novas
técnicas, que possibilitaram levar para o cinema qualquer gênero. Mas o
filme que revolucionou a estética do cinema foi Cidadão Kane,
dirigido e protagonizado por Orson Welles em 1941.
Atualidade
Hoje em dia, a tecnologia impressiona! Vemos nas telonas desenhos em
computação gráfica, extraterrestres, monstros e tudo que se possa
imaginar, criados de forma cada vez mais realista. Os efeitos visuais de
computação gráfica, que temos hoje em dia, produzem milagres (vamos
dizer assim). Mas isso é assunto para outra
Cine & Música!
Cine & Música recomenda:
Livros
O Que é Cinema - Ernesto de Souza
Cinema: O Mundo em Movimento - Inácio Araújo
Filmes
Chaplin - com Robert Downey, Jr.
E na próxima Cine & Música:
Não percam, tudo o que vocês sempre quiseram saber sobre os filmes
natalinos, na matéria: Como Fazer um Filme de Natal, que embora
fale sobre filmes natalinos não é uma matéria da Cults & Trash...
Só aqui no ScoreTrack.net!
Lucas Duarte
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