Cine & Música
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25 de abril de 2005
 

A FORMA DA TRILHA SONORA

Trilha sonora é tudo que dá som à imagem: diálogos, efeitos sonoros, músicas, enfim, tudo. Porém, é mais comum chamarmos de trilha as músicas presentes no filme. Nesta conotação, a trilha é dividida em sub-gêneros, tais como:

 

SOURCE MUSIC – é a música vocal ou instrumental que os personagens ouvem em discotecas, aparelhos de som, concertos etc., durante um filme ou desenho;

 

&

 

MÚSICA INCIDENTAL – é a música composta especificamente para os filmes, que por sua vez também se divide em subgêneros.

OS SUB-GÊNEROS

 

Muitos devem se perguntar o por que do Oscar® ter duas premiações para música. Isso acontece devido à presença de canções e do score em trilhas sonoras. Geralmente o CD com a trilha original de um longa tem dois tipos de música. Um é o score, que é a música composta em cima das imagens, geralmente orquestral, sentimental e que dá vida ao filme. Outro é o das canções, que se divide em dois tipos; as canções (tocadas e cantadas geralmente por uma banda comum: `piano´, `bateria´...) e a canção original (que apesar de ser cantada como as outras é composta exclusivamente para o filme). Vamos tomar como exemplo a trilha de Patch Adams. Seu score foi composto por Marc Shaiman e são suas composições que dão clima ao filme, como: alegria, tristeza, arrependimento  etc. Mas também estão presentes canções como "Let it Rain" (Eric Clapton), "The Weight" (The band) entre outras, que são na verdade, músicas já existentes e que foram apenas selecionadas. Um outro bom exemplo é o de O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel, que no ano de 2002 concorreu nas duas categorias musicais do Oscar®. Sua trilha foi composta por Howard Shore (vencedor da estatueta) e não pela Enya, como muitos pensam; a cantora é responsável pela canção original "May it Be", que foi apenas indicada, mas não levou o prêmio. 

ESTUDANDO TRILHAS SONORAS 

CANÇÕES

 

O diretor Woody Allen costuma selecionar as músicas que farão parte de seus filmes. Ele simplesmente pega seus discos antigos de jazz e os estuda cautelosamente, analisando quais são as canções que entrarão em sua obra. Bem, isso é algo válido, visto que muitas vezes cenas de ação, romance e comédia, pedem músicas já existentes.

 

Michael Moore, diretor de Tiros em Columbine e Fahrenheit 9/11, escolhe (com a ajuda de sua equipe é claro) a dedo as canções que darão clima aos seus documentários. Para as pessoas que assistiram Tiros em Columbine fica claro a eficácia da canção ("What a Wonderful World" – Louis Armstrong) na cena em que ataques realizados pelos Estados Unidos bombardeiam a tela.

CANÇÕES ORIGINAIS

 

As canções originais, como dito há pouco, são as músicas com letras e geralmente uma banda de apoio, que são compostas especificamente para o filme. As músicas de desenhos são exemplos claros dessa categoria. Na trilha sonora de Rei Leão as canções originais, "Hakuna Matata", "Circle of Life" entre outras, acompanham o filme que junto do score de Hans Zimmer completam a obra.

 

Mas o que acontece se um compositor de score compõe uma canção original?

Isso é bem comum em trilhas de Alan Menken, compositor americano nascido em 22 de julho de 1949. Menken é responsável por scores de diversos filmes, dentre eles o de O Corcunda de Notre Dame. Acontece que nesta trilha temos, além do score, canções originais (que com exceção das letras, também foram compostas por Menken). Neste caso, ele foi responsável por toda a trilha do filme, salvo os arranjos das canções, que quando compostas por músicos voltados para o score, recebem arranjos de profissionais de canções populares. Neste caso, poderia Menken concorrer duas vezes no Oscar®?

Sim, ele poderia, já que são duas categorias diferentes. 

 

SCORE

O clássico contemporâneo, como gosto de chamá-lo. Score, termo utilizado para designar a partitura de papel escrito a punho pelos compositores, é nada mais, nada menos que o neto da música erudita, que com o passar dos anos e o surgimento de novas tecnologias, adquiriu diferentes características. Nessa área de score, compositores como John Williams, Ennio MorriconeBasil Poledouris, entre outros, formam a cúpula da música cinematográfica, que junto com as imagens transformam o cinema em magia. A história dos scores, assim como a história do cinema, está passando por uma fase de transição, com o uso de sintetizadores, samplers, computadores, etc., para fins de composição. Para muitos isso é o fim de uma ERA, para outros apenas uma conseqüência inevitável. Por certo que os compositores (tradicionais), geralmente com formação erudita, fizeram história, foram responsáveis por temas imortais do cinema,  que permanecerão para sempre em nossos corações; mas cabe a nós não sermos preconceituosos e esperar o que a evolução vai nos trazer, em se tratando de score. Talvez a aceitação seja menor, talvez o cinema peça as grandes orquestras novamente, talvez... bem, talvez é uma palavra complicada, basta agora apurarmos nossos ouvidos e vivenciar a experiência do “New Cinema”.

 

FONTES DE PESQUISA:

 

http://soundrus.chat.ru/info 

http://www.scoretrack.net/faq.html

http://www.soundtrack.net/composers/database/?id=294

Lucas Vandanezi
lvandanezi@scoretrack.net

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