Cine & Música
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Santaolalla, feliz com o Bi

27 de fevereiro de 2007

CORRIJAM-ME SE ESTIVER ERRADO

25 de fevereiro de 2007. É dado início à 79ª premiação do Oscar.

Logo percebi que não seria uma noite boa. Ao sintonizar minha Net digital na TNT, canal que junto da Globo teria transmissão exclusiva, começaram os problemas. Se não bastasse assistir o canal pipocando e sofrendo falhas no audio, tinha que aguardar o final do Big Brother, quando, finalmente, poderia assistir pela Globo – com os
"excelentes" comentários de José Wilker.

Até aí tudo bem! Só que o pior estava por vir. Junto de alguns amigos em minha casa, eu acertava e errava alguns prêmios em nossa aposta anual. Queira ou não eu estava feliz por finalmente ter a oportunidade de ver Ennio Morricone recebendo a estatueta (mais do que merecida).

Entretanto, toda a minha expectativa foi por água abaixo. Quando chamaram Morricone para o recebimento do prêmio, sequer fizeram uma apresentação decente. Não que Celine Dion tenha feito feio, pelo contrário foi muito interessante. Mas cadê as orquestras entoando temas regidos pelo próprio maestro??? Logo vi que a Academia, junto dos organizadores do evento, não tem a mínima noção da importância de Morricone para o cinema.

Com o andar da carruagem, aliás pessimamente guiada por Ellen DeGeneres, fui ficando cada vez mais frustrado com a premiação. Al Gore e seu documentário levaram os dois prêmios pelos quais recebeu indicação – um deles inclusive de Melhor Canção – Ahhhh faça-me o favor, se é prá avacalhar, avacalhe com classe.

Agora, descrente de qualquer justiça, continuei assistindo a uma das maiores palhaçadas que já vi.
Sim, eu dou mais valor ao prêmio de Trilha Sonora do que de melhor filme, sou um ScoreTracker e não nego minhas raízes. Por conta do pensamento conservador e nada apurado da Academia, apostei em Javier Navarrete por sua lindíssima trilha de O Labirinto do Fauno. Não que eu achasse a sua trilha a mais bonita, mas acreditei que era um prêmio que serviria como um número a mais na conta do filme mexicano.

E eu estava errado. Se dependesse da qualidade da trilha, sem sombra de dúvida, Philip Glass levaria o prêmio. Mas não! Para a minha surpresa e a decepção de muitos Gustavo Santaolalla, novamente, ganhou a estatueta. Sua trilha por Babel é infinitamente superior à trilha de O Segredo de Brokeback Mountain, que nem devia ter sido premiada no ano passado. Entretanto, apesar de ser superior a Brokeback, a trilha de Babel é mais uma vez um conjunto de violões e cordas que sustentam o filme de uma forma muito, mas muito fraca.

Nessa hora todas as minhas esperanças foram pelo ralo. De fato, prêmios como Trilha Sonora, Fotografia e Figurino, entre outros, são apenas números para engordar a acirrada disputa entre Melhor Filme e Melhor Diretor. Não tenho mais dúvida disso.

Fico imaginando o que um músico como Ennio Morricone pensa ao ver um compositor como Santaolalla receber dois Oscars consecutivos. Porque eu só consigo pensar em uma coisa. 

“Isso é lamentável”

Lucas Vandanezi
Lvandanezi@scoretrack.net

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