Cine & Música
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19 de junho de 2005

Assinatu®as

O que diferencia um compositor do outro? Por certo que é a forma de compor, e é sobre essa forma que desejo falar. Para ser compositor de trilhas sonoras não há regras a serem seguidas, tampouco cartilha de “bom compositor”, mas sim, saber escutar com os olhos e através deles transformar imagens em melodias, harmonias... Assim como cada um de nós tem um diretor favorito, cada diretor tem um compositor favorito e é daí que nascem as parcerias. É desse tipo de parceria que são formadas as equipes que nos proporcionam a magia do cinema.

Mesmo com suas obras fantásticas, os compositores continuam sendo seres humanos e portanto individuais, cada qual com a sua assinatura, sua marca registrada.Como apreciador do cinema e de trilhas sonoras venho aqui fazer uma descrição dos pontos mais marcantes de cinco compositores de suma importância para o cinema.


John Williams – Simplesmente um gênio! O homem que compôs temas imortais que tiveram papéis importantíssimos em diversos filmes. Seu estilo é para mim o que mais se assemelha ao período romântico de Beethoven: orquestra pesada, metais responsáveis por temas que geralmente seriam destinados às cordas, sopros fazendo contra-ponto com a melodia e uma base harmônica muito bem sustentada pelos cellos e baixos. Seus melodias, geralmente marcantes, são produto de alguém que sabe como compor e desenvolver a partir de um tema principal, trilhas variadas.

Assinatu®a – Melodias marcantes com os metais.
Trilhas que destaco – Star Wars e As Cinzas de Angela.

Alan Silvestri – Muitas vezes confundido com Williams. Isso ocorre devido ao seu estilo de composição. Silvestri costuma ter temas de piano muito bem elaborados e que em seguida são acompanhados por uma orquestra à la John Williams, como é o caso da suíte Forrest Gump, que começa no piano e é seguida de fagotes e clarinetes, além das cordas meladas e agradáveis ao ouvido de qualquer pessoa. Apesar da semelhança no estilo de compor, Silvestri tem seu estilo, abusa dos pianos e não costuma ousar em suas trilhas. Sabe como encaixar coral, mas prefere fazer o feijão com arroz e não se complicar no produto final.

Assinaru®a – Piano seguido de cordas (geralmente em tom menor).
Trilhas que destaco – Contato e De Volta para o Futuro.

Basil Poledouris – Esse é um compositor que admiro muito, tenho a imagem que compõe suas trilhas dedilhando um piano de cauda e tomando uma taça de conhaque da melhor qualidade, em uma casa nos padrões do século XVIII. Para mim é o compositor que melhor sabe usar a ferramenta chamada “coral” e, além de ter os cellos como base, costuma destinar a estes linhas melódicas de grande impacto visual. Em certos pontos peca no uso de flautas, geralmente pouco aproveitadas em suas trilhas. É um compositor que nasceu no período errado mas sabe como usar de sua genialidade para colorir ainda mais o cinema.

Assinatu®a – Corais masculinos.
Trilhas que destaco – Conan o Bárbaro e A Caçada ao Outubro Vermelho.

James Horner – O enganador. Gosto muito de Horner mas ele tem o costume de ser preguiçoso, utiliza um padrão pré-moldado em quase todas as suas trilhas, sendo assim um compositor que se repete muito. Se pegarmos as trilhas de O Homem  Bicentenário e Gasparzinho podemos observar que não foi apenas o estilo de composição que se repetiu, mas também o feeling do material. Essa é uma característica que Horner deve tentar mudar ou ao menos não usar com tanta freqüência. Costuma compor temas que começam no cello, partem para a viola, seguem para o violino e são exaltados pela orquestra. Muitos chamam de clichê, mas eu particularmente acho muito eficaz e de efeito sonoro muito agradável. Talvez Horner pudesse compor um material mais elaborado se não se preocupasse tanto com a quantidade, pois parece ter compulsão em compor trilhas.

Assinatu®a – Usar a orquestra como um único instrumento.
Trilhas que destaco – Lendas da Paixão e Coração Valente.

Ennio MorriconeIl Maestro! O italiano de carteirinha, daqueles que só de olhar lhe dá medo. Hoje ele tem uma aparência mais dócil e cansada, mas sempre tive a impressão do italiano carrancudo que está sempre de mau humor. É um compositor muito talentoso, também responsável por temas imortais. Não se prendeu apenas aos filmes de Leone e Tornatore e trabalhou  também com diretores como Brian De Palma e Pedro Almodovar. Tem como hábito escrever temas principais para os clarinetes, dando um toque leve às suas trilhas. É um compositor criativo e nem sempre opina pelo belo e sim pelo prático, em Lobo imita o uivo do animal através de um metal (fantástico). Não abusa dos corais e nem do piano, é talvez o compositor mais ponderado de todos, não é totalmente conservador e sabe usar guitarras elétricas e bateria.

Assinatu®a – O uso de clarinetes.
Trilhas que destaco – Cinema Paradiso e A Missão.

Se depender da criatividade destes e de outros compositores, que usam a tecnologia para ajudar na construção de música com qualidade, o cinema estará em boas mãos e não será necessário a intervenção de tecladistas ou do abuso de canções originais para preencher as lacunas de um filme.

Lucas Vandanezi
lvandanezi@scoretrack.net

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