Morricone apresenta o
coral infantil do Instituto Bacareli
Regendo uma de suas
obras-primas
Il Maestro agradece ao público que
praticamente lotou o Teatro Alfa
25 de março de 2008
Ennio Morricone em São Paulo - 2008
O ENSAIO E A FAÇANHA
Se não bastasse o que eu veria na noite do dia 24 de março de 2008, fui
contemplado com o ensaio da Roma Sinfonietta, que faria um memorável
concerto ao público paulistano sob a regência de Il MaestroEnnio Morricone.
Cheguei ao Teatro Alfa às 14h, horário que estava marcado o ensaio,
entretanto o ensaio para a imprensa seria às 16h. Sendo assim, fui o único
jornalista a ter acesso ao ensaio, que era uma prévia do que eu veria horas
mais tarde.
No final do ensaio segui os músicos da orquestra e, infelizmente, tive a
triste impressão que seria impossível chegar perto do maestro já que a
orquestra se dirigiu toda para o andar de baixo do teatro e sumiu. Morricone,
que não gosta muito de tirar fotos, sequer apareceu do lado de fora e assim
estava selada a decepção.
Recebi o telefonema de um jornalista amigo meu, perguntando onde eu estava,
e eu disse que no teatro. Ele me informou que estava dentro do teatro e eu
ao entrar não o vi. Entrei em contato com ele novamente e constatei que ele
estava na entrada principal, junto de outros veículos, que chegaram às 16h
para o suposto ensaio fechado para a imprensa.
Sendo assim abri novamente a porta que dava acesso ao lado de fora do teatro
e dei de cara com Gennio Morricone e alguns membros de sua equipe.
Não deu outra! Pedi para tirar uma foto com ele que, mesmo pedindo pressa,
foi muito simpático, abrindo um sorriso agradável e me dando a mão antes de
sair.
Ao chegar na entrada, onde se encontravam os jornalistas de outros veículos,
fui assediado por eles, todos queriam saber como consegui entrar, como
consegui as fotos do concerto etc... ou seja, o ScoreTrack Network
deu um furo de cinema, conseguindo quatro fotos do ensaio e um vídeo de 30
minutos do mesmo, material exclusivo que ficará para sempre em posse de
Lucas Vandanezi.
O CONCERTO
Devido à repercussão da apresentação feita ano passado no MÚSICA EM CENA - 1º Encontro
Internacional da música de Cinema,
Ennio Morricone voltou ao Brasil para uma apresentação única em São Paulo.
Apesar de todos os contratempos que poderiam fazer com que o público se
afastasse, tais como o elevado valor das entradas e o feriado de Páscoa, o
concerto foi um sucesso.
Junto de uma equipe composta por mais de 100 músicos italianos, Il
Maestro selecionou para o seu concerto o melhor de sua longa carreira.
Morricone, assim como Zidane, visitou a favela de Heliópolis onde, após uma
homenagem de crianças do Instituto Bacareli, convidou o coral infantil para
abrir seu concerto.
O Teatro Alfa estava praticamente lotado, havendo apenas alguns lugares
vazios. Pude perceber logo na entrada que o concerto estava sendo realizado
para a “nata”, já que muitos famosos estavam presentes, tais como
representantes do patrocinador Banco Cruzeiro do Sul e apresentadores como
Eliana, entre outros. A apresentação que estava marcada para começar às 21h
teve um pequeno atraso, nada que comprometesse a grandiosidade do evento.
Após a belíssima apresentação do coral infantil era chegado o momento de
Morricone, que abriu sua apresentação com o tema de Os Intocáveis,
seguido pelo "Tema de Deborah" e "Poverty", ambos de Era uma Vez na América,
filme que, para mim, traz o melhor do sentimentalismo de Morricone, com
melodias que exigem uma cadência precisa de cellos e violinos. E por
falar em sentimentalismo o concerto seguiu sua primeira parte com A Lenda
do Pianista do Mar, Cinema Paradiso e Malena, todos
arrancando do público, comportado e eufórico ao mesmo tempo, aplausos
entusiásticos.
Se a Orquestra vinda de Roma merece nossos aplausos, o mesmo deve ser dito
do Coral Cinema Paradiso que, composto por cantores brasileiros, não fez
feio e acompanhou à altura a qualidade dos europeus. Para encerrar a
primeira parte Morricone escolheu a era dourada dos spaghetti-westerns,
gênero que marcou muito sua carreira e lhe rendeu diversos prêmios. Esta
era de fato uma hora muito aguardada: Três Homens em Conflito, Era
uma Vez no Oeste e Quando Explode a Vingança foram temas
ovacionados pela platéia que, ao ouvir "L´estasi Dell´oro" ("The Ecstasy of
Gold") foram à loucura e aplaudiram de pé o final da primeira parte.
Era algo muito surreal imaginar que após a Parte 1 Morricone
conseguiria voltar ao palco e fazer da Parte 2 um espetáculo tão
imponente quanto o apresentado anteriormente. Mas ele o fez! Após os temas
de Mosè Marco Polo (incríveis cellos por Luca Pincini),
"Pecados de Guerra" do filme Queimada e "Here's To You" do fime
Sacco e Vanzetti (este um tema para mim dispensável), Morricone encerrou
seu concerto com uma emocionante execução de temas do fime A Missão,
que teve em sua seqüência as músicas "Gabriel´s Oboe", "Falls" e "Come in o
cosi’ in Terra".
Presto! Estava completa a obra prima de Morricone, que mostrou pelo público
brasileiro um enorme carinho voltando ao palco por três vezes e repetindo os
temas de A Missão e "L´estasi Dell´oro".
Se dependesse do
público Morricone ficaria repetindo o concerto pelo resto da noite, mas
sendo um compositor que este ano completará 80 anos, ele voltou ao palco
para agradecer pela última vez, pegando as partituras e levando-as consigo
para o seu mais que merecido descanso.