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21 de novembro de 2006
Dentro do Video Games
Live - SP
No
dia 19/11/2006 ocorreu, no Via Funchal em São Paulo, uma das
apresentações mais maravilhosas que eu já vi. Um concerto dedicado única
e exclusivamente ao mundo dos games. O projeto Video Games
Live, idealizado por Tommy Tallarico e Jack Wall (visite
o site oficial), lotou a casa com fanáticos pela arte
eletrônica. Logo na entrada pude reparar crianças, adolescentes, jovens
e adultos, muitos deles carregando seus game-boys, nintendo portátil,
etc. Eu, apreciador mais moderado, fui apenas com a empolgação de
assistir a um concerto musical que com certeza seria bonito não só aos
ouvidos, mas também aos olhos e à alma.
O show, nostálgico, começou com a apresentação de alguns game-maníacos
que se inscreveram em um concurso de fantasia, que no palco, foram
aplaudidos pela platéia. Muito interessante, pois de uma maneira sutil,
o clima dos games começou a tomar conta da casa. Orquestra pronta
e afinada. O regente Jack Wall (foto à esquerda) chega de uma forma totalmente
descontraída, encenando um tropeção, dando pulos e solicitando aplausos
cada vez mais fortes. Assim como nos concertos de Jamil Maluf, a
apresentação contava com um telão ao fundo, que ia mostrando cenas dos
jogos.
A
primeira seqüência foi dedicada ao jogos de 8 bits como
Tele-jogo, Atari e nintendinho. Pude perceber que os olhos dos gamers
brilhavam como os meus, pois as imagens e a música de qualidade remetiam
à nossa infância. Como o deslocamento de uma orquestra eleva muito o
custo de um espetáculo, cada cidade é responsável pela orquestra que
apresenta o show. No caso de São Paulo foi a orquestra da Unicamp que,
com um time de primeira, foi impecável na execução das músicas. Cada
seqüência era acompanhada de gritos da platéia, pois a surpresa de
relembrar jogos antigos e até mesmo ver alguns clássicos do game
moderno fazia com que a emoção falasse mais alto do que a razão.
Geralmente em um concerto erudito o silêncio só é interrompido pelos
pigarros e as tosses da platéia, mas no Video Games Live o grito
estava autorizado. Segundo Tommy Tallarico (foto à direita), anfitrião da noite, “aqui
vocês podem gritar à vontade”. Com esse encorajamento todo, a platéia
ficou mais à vontade para mostrar sua alegria, o que em nenhum momento
prejudicou o bom andamento do concerto.
O
segundo tema da noite foi Metal Gear Solid que, além da belíssima
composição, contou com um bônus. Um ninja que entrou no palco e, sem ser
percebido, era seguido por uma caixa. Enquanto a música tocava e o ninja
era perseguido, a platéia dava risada. Quase no final acende na cabeça
do ninja a exclamação azul do jogo -
! -
e a platéia vai ao delírio. Debaixo da caixa surge Tommy Tallarico, uma
figura totalmente cativante que comandou o show como se estivesse
jogando video-game. Muitos dos compositores que participam dos
concertos não puderam estar presente no evento, já que têm suas vidas
atarefadas por projetos e serviços dedicados à música, mas apareciam no
telão ao fundo, com mensagens pré-gravadas para o público.
Quando Koji Kondo apareceu no telão, acreditei que Super Mario Bros.
estaria por vir, mas me enganei. O tema em questão foi o de Sonic.
Que passou por toda a sua evolução, desde o primeiro game até
Sonic Adventures 2. Essa seqüência foi emocionante, já que o
porco-espinho azul é o ícone mor da Sega. Além das apresentações
musicais, algumas pessoas ainda saíram no lucro. Na primeira parte do
show Tallarico chamou um garoto de 14 anos da platéia para subir ao
palco, e ele jogou Space Invaders com o novo sistema da Nintendo,
o console Wii. Nele, ao invés de controlar os movimentos no joystick
tradicional, basta direcionar o controle na direção que deseja ir, e
ele obedece. Enquanto o garoto, Paulo, jogava o game clássico e a
orquestra tocava o tema correspondente, a platéia gritava e aplaudia o
garoto, como você fazia quando, criança, estava junto de seus amigos
jogando em sua casa. Ele foi premiado com uma camiseta e alguns jogos de
computadores, além de ter tido os seus 15 minutos de fama, obviamente.

O espetáculo foi dividido em dois atos, e durante o intervalo o telão
trazia ao fundo uma barra de energia com os dizeres: "Loading Act II".
Que de fato foi crescendo. Quando cheia as frases: "Press Start (or clap)
to begin", apareceram, e foram seguidas de aplausos. Um detalhe simples,
que enriqueceu ainda mais o show. No segundo Ato, além do repertório ser
melhor, os canhões de lasers e a iluminação ganharam um destaque
maior. Na segunda parte, temas de Advent Rising e God of War,
entre outros, foram apresentados. Mas uma surpresa, essa talvez a maior
te todas, foram as palavras de Tallarico. “Há algum tempo, um rapaz
colocou um vídeo tocando piano de olhos vendados no YouTube”. Bastou
essa frase para a platéia ir à loucura, pois obviamente ele estava se
referindo a Martin Leung (video game pianist, foto ao lado), que divulgou na
internet um vídeo caseiro tocando diversos temas de Mario. Ao subir ao
palco a gritaria já estava arrebatadora, e Leung tocou 10 temas de
Final Fantasy, todos eles muito bem executados – coisa de
concertista profissional. Infelizmente ele foi embora e não apresentou
os temas de Mario, deixando uma ponta de frustração na platéia.
Koji Kondo reaparece no telão e dessa vez eu tinha certeza que o pequeno
italiano, Mario, seria tocado e fortemente aplaudido. Bingo! Diversos
temas do jogo foram apresentados pela orquestra e ao fundo, games
desde Mario de 1983 até Mario 64 eram apresentados. O
queridinho da Nintendo foi ovacionado com muito entusiasmo e novamente
Tallarico, outro italiano baixinho, voltou ao palco e disse “Pelo visto
vocês gostam mesmo de Mario. Acho que vou chamar o Sr. Leung novamente
ao palco.” INACREDITÁVEL, o show seria perfeito. Leung tocou dois temas
de Mario sendo que o primeiro deles vendado, como havia feito na
internet. E depois, em uma velocidade incrível, tocou o tema do
clássico imortal Tetris.
Além das almas privilegiadas que puderam ver o concerto, foi a vez no
segundo Ato de outro desafio de palco. Desta vez uma disputa entre uma
garota de 19 anos e um rapaz de 28, jogando Frogs. Em 1:30min
eles teriam de fazer a maior pontuação possível, valendo um lap-top
da Intel no valor de US 2.900,00. O pessoal gritou muito já que
ambos jogaram muito mal, infelizmente eu estava no mezanino e não pude
humilhá-los e levar o computador para casa.
O concerto que apresentou Tomb Raider, Kingdom Heart, Civilization IV
e muitos outros temas belíssimos, foi encerrado com outro tema de
Final Fantasy: a música tema do vilão Sephiroth, "One Winged Angel".
No final do espetáculo, Tallarico, desta vez vestindo a camisa da
seleção brasileira, disse num Inglês muito claro “We´ll come back here
every year”. Bem, se isso for verdade, boa parte da minha vida está
completa.
Lucas Vandanezi
lvandanezi@scoretrack.net |