CLOSER - PERTO DEMAIS (Closer, EUA, 2004)
Gênero: Drama
Duração: 104 min.
Elenco: Natalie Portman, Jude Law, Julia Roberts, Clive Owen, Nick Hobbs, Colin Stinton, Steve Benham, Jaclynn Tiffany Brown
Compositor: Liam Howlett
Roteirista: Patrick Marber
Diretor: Mike Nichols

A força das palavras

Mike Nichols faz um belo filme onde os diálogos são tão importantes quanto os sentimentos, as carícias e até mesmo o sexo

Que sensação gostosa é sair do cinema admirado e deslumbrado por causa de um grande filme. CLOSER (2004), de Mike Nichols, é talvez o melhor filme do veterano diretor desde ÂNSIA DE AMAR (1971). 

Nunca eu curti tanto um filme adaptado de uma peça de teatro. E o filme tem mesmo cara de teatro, o que geralmente depõe contra, deixando-o cansativo e excessivamente verborrágico. Ao contrário, o que mais encanta em CLOSER são os diálogos, o belíssimo texto de Patrick Marber. Some-se aí a direção de atores estupenda de Nichols, quatro atores em estado de graça e temos uma pequena obra-prima. 

A força das palavras é o grande trunfo do filme. Aqui, as palavras são tão importantes quanto os sentimentos ou as carícias ou até mesmo o sexo. As palavras ferem mais do que qualquer coisa física quando associadas ao amor. Mesmo o amor frio da personagem de Julia Roberts, que conta ao marido traído (Clive Owen) detalhes do sexo que fizera com o então amante Jude Law. Claro que conversas íntimas sempre são muito interessantes de se ouvir, especialmente se elas estão acontecendo dentro de um início ou fim de um relacionamento. 

O que dizer da cena em que Owen, arrasado por ter sido abandonado pela mulher, vai a um clube de striptease e encontra outra alma rejeitada, uma supersexy Natalie Portman? Quem conhece Smiths vai perceber que, no momento da excitante e angustiante conversa entre os dois, está tocando "How Soon Is Now?", o hino dos rejeitados. Posso estar sendo equivocado, mas já fazem uns dez anos que não vejo uma cena tão sensual vinda do cinema americano. Talvez desde os bons tempos de Paul Verhoeven. 

Falando em belas canções, a canção que abre e encerra o filme é uma maravilha que captura o estado de espírito do filme: "The Blower's Daughter", de Damien Rice.

Cotação:
Ailton Monteiro
FILME EM DESTAQUE