CLOVERFIELD - MONSTRO (Cloverfield, EUA, 2008)
Gênero: Ficção Científica, Terror
Duração: 85 min.
Elenco: Lizzy Caplan, Jessica Lucas, T.J. Miller, Michael Stahl-David, Mike Vogel, Odette Yustman, Anjul Nigam, Margot Farley, Theo Rossi, Brian Klugman, Kelvin Yu, Liza Lapira, Lili Mirojnick
Compositor: Michael Giacchino
Roteiristas: Christopher Bond, John Logan
Diretor:
Matt Reeves

O monstro vive

J. J. Abrams mistura GODZILLA com A BRUXA DE BLAIR e produz um filme eletrizante, que é uma homenagem aos clássicos filmes de monstros

A despedida de um rapaz que vai para o Japão é interrompida por uma série de explosões. Não demora muito para os jovens participantes da festa descobrirem que Nova York está sendo atacada pelo que parece ser um gigantesco monstro. Um deles, que estava gravando a festa em vídeo, permanece registrando os acontecimentos da noite. A fita é posteriormente encontrada pelo exército, e o que é visto nela é estarrecedor: mostra a odisséia de um grupo de amigos na cidade arrasada, tentando salvar a namorada de um deles e sobreviver aos ataques da criatura e de seus repelentes parasitas.

Esta é, em resumo, a trama do curto e eletrizante CLOVERFIELD - MONSTRO, dirigido por Matt Reeves e produzido por J. J. Abrams (ALIAS, LOST, MISSÃO IMPOSSÍVEL 3 e o novo JORNADA NAS ESTRELAS), que estreou no Brasil com repercussão bem menor que nos EUA. O filme adota uma abordagem similar a SINAIS e GUERRA DOS MUNDOS (versão Spielberg), ao mostrar a catástrofe do ponto de vista de pessoas comuns - só que aqui, no lugar de uma invasão alienígena, temos o ataque de um monstro gigante a Nova York, como na refilmagem americana de GODZILLA (1998). Adicione-se a isso cenas "reais" tipo A BRUXA DE BLAIR (não recomendo o filme para quem enjoa com câmera rápida e tremida). O filme não traz atores muito conhecidos, a maioria é egresso de séries de TV - o que acaba ajudando na criação do senso de realismo pretendido.

Os efeitos visuais, vistos através da câmera, são de um realismo impressionante - parece que a cidade está mesmo sendo destruída pelo monstro. Aliás gostaria de ter uma câmera igual à do filme, mesmo nas cenas mais escuras a imagem é perfeita, e o microfone consegue captar até conversa de celular! Voltando ao monstro, ele é um show à parte, também bem diferente do que se poderia esperar. Mas CLOVERFIELD tem problemas ao casar a estética realística do home made vídeo com um conceito que por si é irreal - o ataque de uma criatura gigante que parece ser indestrutível - e some-se a isso o comportamento "romântico" ou idealizado dos personagens, que redunda em ações heróicas típicas de... filmes. Apesar de não dirigir, dá para sentir a influência de Abrams no filme, principalmente no relacionamento dos amigos em perigo. Enfim, esta é uma viagem para não racionalizar muito e simplesmente ser curtida. E curti bastante até porque sou fã de filmes de monstro desde que vi o KING KONG original, passando pelos filmes dos anos 1950 com efeitos de Ray Harryhausen e o clássico GODZILLA japonês - a quem o filme homenageia já a partir do momento em que sabemos que o personagem principal está de partida para o Japão.

Algumas curiosidades: a exemplo de A BRUXA DE BLAIR, o marketing de CLOVERFIELD incluiu uma pesada investida na internet, onde foram colocados sites ou elementos "reais" relacionados ao filme. A fictícia empresa japonesa Tagruato, cujo nome aparece brevemente na camiseta de um personagem e que se dedica à prospecção marítima em grandes profundidades, tem sites e blogs. No Youtube tem até um vídeo "real" extraído de um telejornal francês, que mostra uma das plataformas da empresa sendo atacada e destruída por algo misterioso.

Por fim, um aviso para os Scoretrackers: apesar de CLOVERFIELD não ter uma trilha sonora original (as únicas músicas que se ouvem no filme são as da festa), vale a pena ficar no cinema durante todos os créditos finais. Para eles o compositor Michael Giacchino, colaborador habitual de Abrams, criou um longo e impressionante tema chamado "Roar", que é uma fantástica homenagem às trilhas do grande compositor dos filmes de Godzilla, Akira Ifukube.

Cotação:
Jorge Saldanha
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