CONSTANTINE (Constantine, EUA, 2005)
Gênero: Suspense / Terror
Duração: 121 min.
Elenco: Keanu Reeves, Rachel Weisz, Shia LaBeouf, Djimon Hounsou, Max Baker, Pruitt Taylor Vince, Gavin Rossdale, Tilda Swinton, Peter Stormare
Compositores: Brian Tyler e Klaus Badelt
Roteiristas: Jamie Delano, Garth Ennis, Kevin Brodbin, Frank A. Cappello
Diretor: Francis Lawrence

Eterno escolhido

Aposentado como Neo, Keanu Reeves salva (de novo) o mundo em mais um filme baseado nas graphic novels de Alan Moore

John Constantine (Keanu Reeves) é um investigador particular de Los Angeles, especializado em ocultismo, que demonstra importar-se muito pouco com a sua própria vida. Fumante inveterado, sofre de um agressivo câncer de pulmão, restando-lhe poucos meses de vida. O detalhe é que Constantine suicidou-se quando adolescente, permanecendo morto por dois minutos no Inferno (para onde todos os suicidas vão). Mas ele ganha uma nova chance para garantir seu ingresso no Céu, e retorna à Terra com a missão de caçar demônios renegados que andam entre nós. Constantine acaba por deparar-se com uma trama envolvendo "mestiços" - anjos e demônios através dos quais Céu e Inferno agem por aqui - que pretendem trazer para a Terra o filho proscrito de Lúcifer. Para tanto, a policial Angela Dodson (Rachel Weisz), cuja irmã recentemente suicidou-se, é a peça-chave.

Certamente o argumento fantástico de CONSTANTINE não é original: vários quadrinhos, filmes e séries de TV já apresentaram protagonistas que voltaram do Inferno para combater demônios na Terra. Sem pensar muito, me vêem à cabeça os exemplos de SPAWN e as séries de TV ANGEL (também ambientada em Los Angeles) e BRIMSTONE (um policial suicida que tem a chance de redimir-se caçando pecadores fugitivos do Inferno). Mas alguns fatores ajudam CONSTANTINE, filme de estréia do diretor de videoclipes Francis Lawrence, a superar o dejá-vu e tornar-se uma diversão acima da média.

Não conheço muito a graphic novel de Alan Moore Hellblazer, na qual o filme se baseou (foi publicada no Brasil pela editora Brainstore), mas de cara esta adaptação soma pontos por ter um clima mais forte e adulto que a maioria das produções do gênero. O visual de muitas seqüências, enriquecido pela fotografia do francês Philippe Rousselot, é estilizado e belo, e as visões que temos do Inferno são impressionantes. Os efeitos especiais, na medida certa, estão a serviço da trama, e não o contrário (o que hoje pode ser considerada uma exceção à regra em filmes deste tipo).

O elenco, no qual destacam-se Rachel Weisz, Peter Stormare (como Lúcifer em pessoa), Tilda Swinton (como um andrógino anjo Gabriel) e Djimon Hounsou, também ajuda a qualificar o filme. Quanto a Keanu Reeves, depois da trilogia MATRIX, dificilmente conseguirá se desvencilhar da imagem de Neo. Mas aqui, em um papel similar de "Escolhido", ele segue convincente - tanto que consegue superar as diferenças de seu correspondente nos quadrinhos (que é inglês e loiro, inspirado no cantor Sting).

Cotação:
Jorge Saldanha
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