|
Julho 2005
O Passado Negro de Sam Raimi
Em tempos onde as sagas milionárias
invadiam as vidas dos admiradores da sétima arte, eis que um jovem,
sem um tostão furado no bolso mas de imaginação digamos... fértil,
resolve contestar o império das super-produções aterrorizando a todos
com mais uma trilogia. Bem, mas qual a novidade? A combinação sangue +
sangue = uma trilogia sangrenta. Esqueça as naves e arcas perdidas.
Entre no mundo de Evil Dead!
Mais conhecida no Brasil como Uma Noite
Alucinante, a trilogia gore de Sam Raimi não demorou para ganhar o
status de cult entre os amantes do gênero terror. Muito antes de ser
um diretor festejado em Hollywood, Raimi era um admirador da cultura
trash e, sobretudo, um cineasta em início de carreira totalmente
desprovido de recursos. Assim como a maioria dos grandes diretores de
sua geração (vide Peter Jackson e James Cameron), suas origens revelam
um passado oculto, povoado por demônios e criaturas malignas. A
verdade é cruel. Quem torce o nariz para o gênero gore/trash
deve saber que dos anos 80 para cá não haveria nada de aranhas, teias, tentáculos e afins se
não fosse esta trilogia do terror.
O primeiro filme, lançado em 1983, foi considerado em sua estréia
como um dos "mais repulsivos jamais feitos" e foi até proibido na
Inglaterra, liberado depois com cortes. Seria um exagero? Depende do
ponto de vista. Evil Dead (Uma Noite Alucinante I ou
ainda A Morte do Demônio, se preferir) não passa
de uma fita cheia de humor negro que copia todos os gêneros do terror.
Totalmente inventiva, sua violência chega até a ser cômica de tanto
inverossímil. A história relata o massacre entre um grupo de amigos,
dentre eles Ash (Bruce Campbell), que ao despertarem a maldição do "Livro dos Mortos"
(Necronomicom)
descobrem que a única maneira de se livrar do mal é a mutilação
coletiva. Eis o pretexto para um banho de sangue dos mais divertidos.
A continuação demorou quatro anos para ser produzida e já é
considerada um clássico do gênero. Com algumas verdinhas a mais no
bolso, mas com recursos ainda limitados, a seqüência, uma refilmagem
não assumida do original, parece não ter muita
lógica. Se o primeiro tinha um pretexto para a história neste as
coisas se tornam desconexas – mas não menos divertidas. Exibido
constantemente nos saudosos programas diurnos da TV aberta, Uma Noite
Alucinante 2 com certeza é o preferido do público e o mais lembrado
também. As cenas envolvendo Ash duelando com sua própria mão, um balé
grotesco feito por uma das criaturas e um suposto distúrbio sexual
apresentado por uma arvore anciã são dignas de culto. Finalizando a
"trilogia-contestadora", o diretor faz uma clara sátira aos filmes de
orçamentos gigantescos ao criar o "espetáculo-medieval-fake"
intitulado Evil Dead 3. O subtítulo "Army of Darkness"
só confirma
minha teoria. Bruce Campbell está hilário como Ash numa trama que
pedia um teor cômico elevado. Preso na Europa Medieval, o herói
precisa encontrar uma maneira de voltar ao presente, e para isso
necessita mais uma vez do Livro dos Mortos recitando um feitiço. É
claro que ele faz o contrário e. após recitar as palavras erradas,
Ashley J. "Ash" Williams (este é seu nome completo) acaba libertando o
temido Exército da Escuridão. Os três filmes se tornaram grandes
sucessos e consolidaram a carreira do diretor Sam Raimi e elevaram o
ator Bruce Campbell ao patamar de sub-astro preferido de Hollywood.
O universo de Ash também foi transportado para as telas dos
videogames em 2000 em 2003. O primeiro game, Evil Dead: Hail to the
King, lançado em multipaltaformas, tinha um estilo parecido com
o famoso Resident Evil. O game pode ser considerado como uma seqüência
dos filmes anteriores, trazendo uma história que envolve uma
nova confusão com o livro Necronomicon, obrigando o herói a mais uma
mutilação em massa em prol de uma donzela em perigo. Jogo cômico com
final idem! Outra incursão da franquia nos games está programada e com
um enredo totalmente curioso. Evil Dead Regeneration conta um
universo paralelo depois dos acontecimentos do segundo filme. Neste
episódio, Ash, único sobrevivente do grupo de cinco amigos atacados
por zumbis invocados pelo Necronomicon, o livro dos mortos, foi
considerado culpado pela carnificina e internado num instituto de
criminosos com problemas mentais, o Sunny Meadows. Mas o psiquíatra de
Sunny Meadows, com a ambição de domar os poderes do Necronomicon,
acaba liberando seus poderes malignos e logo a instituição acaba
virando um antro de criaturas nefastas. E Ash precisará usar mais uma
vez sua serra elétrica para dar cabos dos horrendos demônios. O game
está programado para PlayStation 2, X-Box e PC.
A saga de Ash porém esta longe de terminar. Além dos games, o
diretor Sam Raimi e todo o seu poderio pós-Spider-Man, pretende
ressuscitar Ash nas telonas e uma refilmagem (outra?) do primeiro filme já foi
anunciada. O diretor que anda incentivando e produzindo remakes
americanos de produções do terror japonesas, resolveu que a
geração Matrix deve também apreciar o banho de sangue dos anos 80, e
Bruce Campbell já acenou positivamente. Outro rumor muito forte é o do
encontro dos "monstros sagrados" de Hollywood em um improvável
combate: Fredy X Jason X Ash. Os resultados satisfatórios do primeiro
embate encorajaram os produtores e criadores das respectivas franquias
para tal reunião. Os fãs obviamente agradecem e a Cults,
óbviamente, estará
no calor do confronto. Até breve!
Alex Oliveira
Confiram algumas curiosidades da trilogia
- Uma Noite Alucinante III tem dois finais diferentes. O que foi
exibido nas telonas não era o planejado pelo diretor. Nele Ash retorna
para o S-Mart e conta a sua estória para seus colegas de trabalho.
Eles não acreditam até ele lutar contra uma bruxa-demônio na loja. Ash
então beija a garota e... final feliz. Mas o final planejado por Sam
Raimi não era nada aliviador. O final original, que existe em edições
especiais em DVD nos EUA (e que foi exibido aqui na TV paga), termina com Ash na época medieval. O mago diz que
ele precisa tomar a poção e, cada gota dela signifiva avançar um
século. Ash é lacrado na caverna junto com seu carro, e acaba
tomando uma gota a mais. Quando ele acorda descobre que o mundo foi devastado por
uma guerra nuclear. O herói dormiu mais do que deveria. Barbudo e com
roupas rasgadas, Ash vê o Big Ben pela metade e grita em desespero.
Este era o final programado pelo diretor mas o estúdio interveio,
alegando que o público não gostaria do tom apocalíptico, e Sam rodou o
final que conhecemos no S-Mart.
- Apesar de muitos darem a Danny Elfman
os créditos pela trilha, ele
compôs um único tema para o terceiro filme ("Marcha dos Mortos").
O restante da trilha foi composta por Joe Lo Duca, o compositor dos filmes
anteriores.
- Sam Raimi faz uma ponta em Uma Noite Alucinante I como um dos
pescadores que acenam para o grupo em viagem à "noite alucinante".
- Se você comparar o primeiro com o segundo filme, notará coisas
engraçadas. Uma delas é que o Necronomicon cresceu no segundo filme,
de um livro pequeno para um livro muito maior. O mesmo acontece com a
espingarda de Ash: no primeiro filme ela tinha apenas um cano, já no
segundo ela tem dois!
PARA SABER MUITO MAIS,
CLIQUE AQUI! |
|