Cults & Trash
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das telas para as telas

 

 por alex oliveira

   
   
 

Fantasia Final

Se antes ter Super Mario como carro-chefe de um console era sinônimo de sucesso, nas últimas década coube à série Final Fantasy esta função. O RPG da Square consolidou a marca PlayStation, fez milhões de dólares e virou filme. Final Fantasy: The Spirits Within  divide opiniões. Os que o defendem exaltam a inovação tecnológica ao recriar atores de verdade em CGI num estupendo trabalho de Motion Capture. Já os não-contentes apontam a falta dos elementos que fizeram a série um sucesso. De fato  a produção tem Final Fantasy só no nome. A trama mistura o espiritismo de Kardec com ideologias da Nova-Era e... onde estão as magias? As Summons? Os chocobos...?

...em  Final Fantasy VII: Advent Children. Não contente com a recepção fria dos gamers, a Square tentou se redimir trazendo a seqüência direta do sétimo capítulo da saga, considerado uma obra-prima virtual pelos especialistas. O resultado é competente. Ver Cloud (foto acima) em ação é como sentir-se dentro da tela e talvez seja esta metalinguagem que falte nas frustradas tentativas de converter um game para o cinema.

Final Fantasy: The Spirits Within de Hironobu Sakaguchi, 2001 ***  Final Fantasy VII: Advent Children, 2005 ****

 

 
 

 

Uma luz em Silent Hill

 

Resident Evil bebe em todos os clichês cinematográficos do gênero horror. Silent Hill, o survival horror da Konami, é justamente o inverso. Seu clima soturno e o enredo surreal remete às melhores produções do gênero fantástico. Eis o fardo encontrado por Christopher Gans ao aceitar dirigir a adaptação. O magnífico trailer só serviu para aguçar os fãs. Valeu a pena? Sim gamemaníacos, finalmente podemos bradar a todos que  desta vez eles acertaram ! O roteirista Roger Avary soube captar com perfeição a atmosfera diabólica que ronda Silent Hill. E nunca largar o controle por duas horas foi tão fácil. Uma garotinha tem visões: "Silent Hill" - ela diz. Uma mãe preocupada: "Vamos para lá, querida". Um acidente... Welcome to Silent Hill". Perturbador! Temos do melhor jogo, a melhor adaptação.

Silent Hill de Christopher Gans - 2005 ****

 

 

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jogue o jogo                 mas não veja o filme:

Wing Commander, Shenmue, Soul Calibur, House of The Dead, Alone in The Dark, Street Fighter - O Filme

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O anúncio de mais uma adaptação de um game para o cinema gera dois tipos de reação: os fãs ardorosos concretizarão o sonho de ver aquele seu "amigo" virtual de horas em carne-e-osso, mas ao mesmo tempo o fantasma da decepção bate à porta: os roteiristas nunca são fiéis à mitologia da série em questão, os diretores encaram a função como "mais um na carreira" e os estúdios só enxergam uma alternativa de encher os bolsos. Um Game Over até para os mais otimistas. A Cults & Trash analisou vários filmes do gênero para tentar entender o que faz tão perfeita simbiose (games/cinema) dar errado em 99,5% dos casos.

Press Start!

No início era o Mário...

A SEGA bem que tentava, mas era só a "Big" Nintendo anunciar um novo Mario Bros que restava a Sonic lamentar um segundo lugar. Sempre acompanhando as viradas tecnológicas do mercado, um game do bigodudo era sinônimo de qualidade e muita diversão. Até inventarem esta ofensa que foi a versão cinematográfica onde (usando uma iconografia da série) tudo foi para o cano. Não sei que raios passou na cabeça dos produtores de trair todo o espírito dos games, criando um filme sombrio, a lá Tim Burton (numa comparação amigável). Yoshi parecia sair de uma versão B de Jurassic Park, A Princesa Peach/Daisy uma punk rebelde dos piores clipes dos anos 80 e o Koopa? Lastimável. Lógico que foi um retumbante fracasso e teve como conseqüência a desistência de Hollywood em transformar bits em película. Mamamia!

Super Mario Bros de Annabel Jankel e Rocky Morton - 1993 *

Hadouken!

O fato de não ter a palavra acima no filme (leia em voz alta) já elimina qualquer tipo de comentário. Street Fighter - O Filme é terrível! Vamos a Mortal Kombat, que é bem mais interessante!  O sanguinolento jogo de luta foi o game-alvo da cri-critica nos anos 90. Os personagens carismáticos porém frios, cruéis e sádicos... clamavam por sangue!  Scorpion odiava  Sub-Zero, Sonya queria a cabeça de Kano e este não hesitava em matar a todos. O Imperador Shao-Khan assistia à carnificina com risadas sarcásticas e nós... indefesas crianças? Controlávamos o espetáculo excitadas e de forma hipnótica. A versão do combate no cinema ainda carrega (até chegar Silent Hill) o posto de melhor adaptação de uma game feita para as telas. Fatores que contribuíram: roteiro fiel à série, personagens (vá lá...) bem construídos e primorosos (hoje datados) efeitos especiais. E francamente, prá fazer de Mortal Kombat um filme ruim tem que ser muito incompetente! Só era preciso um diretor com um mínimo de talento (ele é Paul W.S. Anderson) e teríamos algo razoável. Infelizmente, como saíram lucrando, fizeram uma continuação. Uma bomba!  Mortal Kombat: Aniquilação  não é um filme B, é Z! O subtítulo já sugere tudo, mas não pense em personagens mutilados não! A vítima aqui é o seu cérebro...

Mortal Kombat de Paul W.S Anderson - 1995 ***½ e Mortal Kombat:Annihilation de John R. Leonetti-1997 *

Terror Descerebrado

Jogar  Resident Evil  é como ver um competente filme B. Tem o mocinho destemido, a mocinha boazuda, uma criança indefesa, e claro... zumbis. Tem experimentos feitos por uma corporação misteriosa e um vilão ganancioso que se revelará a grande aberração no final. Apostando nestes elementos não tinha como a produtora Capcom errar a fórmula. Ironicamente, na tentativa de repassar estes elementos no cinema, a receita desandou. Talvez a tal "maldição dos games" (não transformará games em filmes...) seja real. Paul W.S. Anderson (responsável pelo milagre Mortal Kombat) foi recrutado e o diretor, "experiente" no assunto, não decepcionou. A produção é caprichada, conta com os elementos básicos da série... mas nem parece Resident Evil! Cadê o charme B, as falas canastronas (quem precisa delas com Milla Jovovochi em tela)? Resumindo: deu dinheiro, fizeram uma continuação mais "fiel", conseguiram mais dinheiro e a terceira parte está no forno. Mas nada que se compare à sensação de estourar alguns miolos com uma espingarda calibre 12!

Resident Evil de Paul W.S. Anderson, 2002 ***  Resident Evil: Apocalypse de Alexander Witt , 2004 ***

 

Indiana Jones de saias?

 Tomb Raider , quando surgiu nos videogames, nunca escondeu sua descarada influência nas aventuras do arqueólogo Indiana Jones. Sai Harrison Ford e entra Lara Croft, garota que além de ótimos conhecimentos de História Antiga, manuseio de armas de fogo e acrobacias, se caracteriza pelos lábios carnudos e pelo corpo escultural. Visto tantos atributos, muito se especulou sobre quem interpretaria a gata nos cinemas, e foi em  Angelina Jolie que fizeram a escolha mais acertada da produção. Se comparado às aventuras de Indy, Tomb Raider não é capenga... é capenguíssimo. Mas convenhamos, vamos reclamar do que? Temos Angelina Jolie em 2 horas de projeção e todo seu "aparato físico" abençoado por Deus! As cenas de ação não inovam mas distraem, a trilha (com nomes que vão de nomes como Moby a Chemical Brothers) é soberba! Galera, e um Jon Voight mais canastrão do que em Anaconda! Quer mais que isto!?!

Tomb Raider de Simon West - 2001 *** Tomb Raider: The Cradle of Life de Jan de Bont - 2003 ***

     
     
   

     
   


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